XP vê Ibovespa a 205 mil pontos e aponta 2 grandes temas para ações no 2º semestre

A casa vê bolsa ainda dependente de fluxo estrangeiro, mas destaca aumento da relevância dos fatores domésticos nos próximos meses

Lara Rizério

Gráfico sobre investimentos do Brasil (Foto: Adobe Stock)
Gráfico sobre investimentos do Brasil (Foto: Adobe Stock)

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Após um primeiro semestre marcado por forte influência de fatores globais, o comportamento das ações brasileiras deve passar por uma mudança importante no segundo semestre de 2026. Em relatório da XP – Onde Investir 2º Semestre, dois temas locais tendem a se consolidar como os principais direcionadores do mercado: o processo eleitoral e a trajetória de inflação e juros.

Cabe ressaltar que a Bolsa brasileira encerrou a primeira metade do ano com desempenho positivo — alta de 6,9% em reais — impulsionada principalmente por um fluxo relevante de capital estrangeiro, que somou cerca de R$ 41,6 bilhões no período.

Esse movimento foi sustentado por três grandes fatores: a rotação global para ativos fora dos Estados Unidos, o interesse por setores ligados a commodities e o reposicionamento de investidores diante do conflito entre Estados Unidos e Irã, que beneficiou mercados exportadores de matérias-primas, como o Brasil.

Mudança de regime: de global para local

Apesar do início de ano positivo, a XP destaca que, a partir de abril, o Ibovespa passou por uma correção relevante, acompanhando a reversão parcial do fluxo estrangeiro e a piora do sentimento dos investidores.

Entre os fatores que explicam essa inflexão estão a retomada do interesse global por ativos ligados à inteligência artificial, a elevação das expectativas de inflação e juros e o aumento do ruído político doméstico.

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Nesse contexto, o banco aponta que, ao contrário do que ocorreu no primeiro semestre — quando fatores externos dominaram —, o segundo semestre deve ser mais influenciado por variáveis locais.

Eleições elevam volatilidade

O primeiro grande tema destacado pela XP é o ciclo eleitoral brasileiro, que tende historicamente a aumentar a volatilidade nos ativos domésticos à medida que a votação se aproxima.

Segundo o relatório, esse movimento já começou a se materializar, com a volatilidade do mercado subindo nas últimas semanas e atingindo níveis próximos à média observada em ciclos eleitorais anteriores.

A incerteza sobre o direcionamento da política econômica a partir de 2027 — especialmente em relação à condução fiscal — deve ser o principal canal de transmissão do risco político para os ativos.

A XP chama atenção para o impacto desse fator sobre os juros de longo prazo, que permanecem elevados e limitam uma recuperação mais consistente da bolsa.

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Nesse cenário, a sinalização de maior compromisso com o ajuste fiscal poderia destravar valor relevante para o mercado. Pelas estimativas da casa, uma queda de 100 pontos-base nas taxas reais de longo prazo teria potencial de gerar uma valorização de cerca de 9% no Ibovespa — com impacto ainda maior em setores domésticos e mais sensíveis a juros.

Inflação e juros podem mudar o ambiente

O segundo tema central para a bolsa no segundo semestre é o comportamento de inflação e juros, que, segundo a XP, tende a se tornar menos favorável aos ativos de risco.
O modelo da casa indica que o Brasil pode migrar, ao longo dos próximos meses, para um regime de inflação em alta — com o IPCA projetado para cerca de 4,9% ao ano — e possivelmente também para um cenário de juros ascendentes, dependendo da evolução das curvas de mercado.

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Essa mudança tem implicações importantes para a performance das ações. Historicamente, ambientes de inflação em alta combinada com juros em alta são negativos para a bolsa brasileira, com retornos reais médios anuais de cerca de -17,5%.

Por outro lado, se o cenário se limitar a inflação mais alta com juros ainda em queda, o impacto tende a ser menos adverso — com retornos positivos, ainda que mais modestos.

A XP também destaca que o efeito das mudanças nos juros não é homogêneo entre os setores. Áreas mais sensíveis ao custo de capital, como educação e construção civil, tendem a reagir de forma mais intensa a eventuais movimentos de queda nas taxas de longo prazo.

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Esse comportamento reforça a importância da seleção de ativos em um ambiente de maior dispersão de desempenho entre empresas e setores.

Valuation e fluxo ainda sustentam tese

Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, a casa vê elementos de suporte para a bolsa. A casa segue com projeção do Ibovespa a 205 mil pontos ao fim do ano, uma alta de 21% em relação ao fechamento de sexta-feira (5).

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O Ibovespa segue com valuation mais comprimido após a correção recente, com redução relevante do múltiplo preço/lucro, enquanto indicadores técnicos e de sentimento apontam para níveis considerados excessivamente pessimistas, o que historicamente abre espaço para recuperação.

Além disso, a XP avalia que o fluxo estrangeiro — embora mais volátil — continua sendo um fator chave para o desempenho do mercado brasileiro.

“Ainda é um cenário que exige cautela, de volatilidade nos próximos meses e de juros que vão se manter altos por mais tempo. Na Bolsa, seguimos com preferência por papéis de qualidade em setores mais defensivos, companhias com alta previsibilidade, geração de fluxo de caixa e pagadoras de dividendos. Não á toa, nossa carteira de dividendos segue com a melhor performance no ano”, avalia Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do research, em coletiva sobre o relatório.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.