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Enquanto os mercados globais seguiram em alta e renovaram máximas, o Brasil, por sua vez, continuou perdendo fôlego e se descolou dos emergentes, com o Ibovespa caindo mais 8,6% no mês de maio em dólares e 7,22% em reais.
Conforme destaca a XP Investimentos, o principal fator por trás do desempenho das ações globais segue sendo o trade de IA (inteligência artificial), em especial os nomes ligados à infraestrutura de IA e semicondutores, apoiados por expectativas muito elevadas de capex, escassez de memória e resultados sólidos. Além disso, a temporada de resultados nos EUA terminou em tom muito positivo: entre as empresas do S&P 500, 75% surpreenderam positivamente em lucros, com surpresa média de +16,4%.
Já a Bolsa brasileira foi pressionada por uma combinação de fatores locais e globais, com três principais fatores por trás do desempenho recente fraco do Brasil: (i) o forte momentum do trade de IA, que tem provocado saídas de capital estrangeiro; (ii) o salto nas expectativas de inflação, que pesou especialmente sobre nomes cíclicos domésticos; e (iii) o retorno do ruído político e das preocupações fiscais.
Em meio a essa queda, a equipe de estratégia da XP Investimentos aponta que está na hora de comprar Brasil.
“Embora expliquemos por que as ações brasileiras têm sofrido e quais desafios enxergamos do lado dos fundamentos, nosso indicador técnico/sentimento voltou para território de compra”, avaliam Fernando Ferreira, Raphael Figueredo, Caio Souza e Antonio Mello, que assinam o relatório.
A última vez em que esse indicador atingiu o nível de pessimismo extremo foi em janeiro de 2025, o que se mostrou uma ótima oportunidade de compra, afirmam os estrategistas. O indicador também chegou a 100 (extremo otimismo) no fim de fevereiro, quando o EWZ (ETF de ações brasileiras) estava cerca de 10% acima dos níveis atuais, avaliam.
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A casa manteve o valor justo do Ibovespa em 205 mil pontos, ou alta de 18%. “A Bolsa brasileira vinha passando por uma correção, que acreditamos estar próxima do fim, dado o quadro técnico de ‘sobrevenda’”, avaliam.
Para os estrategistas, quando/se o conflito no Oriente Médio arrefecer, o Brasil seguirá como um vencedor relativo e esperamos a retomada dos fluxos, à medida que os investidores possam voltar a ficar mais otimistas com a perspectiva de juros mais baixos à frente.
Além disso, o lucro por ação projetado para o Brasil continuou sendo revisado para cima. Como resultado, o P/L (preço sobre lucro) do Ibovespa já passou de 10,5x (vezes) para 8,4x.
