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Após um primeiro semestre marcado por forte influência de fatores globais, o comportamento das ações brasileiras deve passar por uma mudança importante no segundo semestre de 2026. Em relatório da XP – Onde Investir 2º Semestre, dois temas locais tendem a se consolidar como os principais direcionadores do mercado: o processo eleitoral e a trajetória de inflação e juros.
Cabe ressaltar que a Bolsa brasileira encerrou a primeira metade do ano com desempenho positivo — alta de 6,9% em reais — impulsionada principalmente por um fluxo relevante de capital estrangeiro, que somou cerca de R$ 41,6 bilhões no período.
Esse movimento foi sustentado por três grandes fatores: a rotação global para ativos fora dos Estados Unidos, o interesse por setores ligados a commodities e o reposicionamento de investidores diante do conflito entre Estados Unidos e Irã, que beneficiou mercados exportadores de matérias-primas, como o Brasil.
Mudança de regime: de global para local
Apesar do início de ano positivo, a XP destaca que, a partir de abril, o Ibovespa passou por uma correção relevante, acompanhando a reversão parcial do fluxo estrangeiro e a piora do sentimento dos investidores.
Entre os fatores que explicam essa inflexão estão a retomada do interesse global por ativos ligados à inteligência artificial, a elevação das expectativas de inflação e juros e o aumento do ruído político doméstico.
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Nesse contexto, o banco aponta que, ao contrário do que ocorreu no primeiro semestre — quando fatores externos dominaram —, o segundo semestre deve ser mais influenciado por variáveis locais.
Eleições elevam volatilidade
O primeiro grande tema destacado pela XP é o ciclo eleitoral brasileiro, que tende historicamente a aumentar a volatilidade nos ativos domésticos à medida que a votação se aproxima.
Segundo o relatório, esse movimento já começou a se materializar, com a volatilidade do mercado subindo nas últimas semanas e atingindo níveis próximos à média observada em ciclos eleitorais anteriores.
A incerteza sobre o direcionamento da política econômica a partir de 2027 — especialmente em relação à condução fiscal — deve ser o principal canal de transmissão do risco político para os ativos.
A XP chama atenção para o impacto desse fator sobre os juros de longo prazo, que permanecem elevados e limitam uma recuperação mais consistente da bolsa.
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Nesse cenário, a sinalização de maior compromisso com o ajuste fiscal poderia destravar valor relevante para o mercado. Pelas estimativas da casa, uma queda de 100 pontos-base nas taxas reais de longo prazo teria potencial de gerar uma valorização de cerca de 9% no Ibovespa — com impacto ainda maior em setores domésticos e mais sensíveis a juros.
Inflação e juros podem mudar o ambiente
O segundo tema central para a bolsa no segundo semestre é o comportamento de inflação e juros, que, segundo a XP, tende a se tornar menos favorável aos ativos de risco.
O modelo da casa indica que o Brasil pode migrar, ao longo dos próximos meses, para um regime de inflação em alta — com o IPCA projetado para cerca de 4,9% ao ano — e possivelmente também para um cenário de juros ascendentes, dependendo da evolução das curvas de mercado.
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Essa mudança tem implicações importantes para a performance das ações. Historicamente, ambientes de inflação em alta combinada com juros em alta são negativos para a bolsa brasileira, com retornos reais médios anuais de cerca de -17,5%.
Por outro lado, se o cenário se limitar a inflação mais alta com juros ainda em queda, o impacto tende a ser menos adverso — com retornos positivos, ainda que mais modestos.
A XP também destaca que o efeito das mudanças nos juros não é homogêneo entre os setores. Áreas mais sensíveis ao custo de capital, como educação e construção civil, tendem a reagir de forma mais intensa a eventuais movimentos de queda nas taxas de longo prazo.
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Esse comportamento reforça a importância da seleção de ativos em um ambiente de maior dispersão de desempenho entre empresas e setores.
Valuation e fluxo ainda sustentam tese
Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, a casa vê elementos de suporte para a bolsa. A casa segue com projeção do Ibovespa a 205 mil pontos ao fim do ano, uma alta de 21% em relação ao fechamento de sexta-feira (5).
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O Ibovespa segue com valuation mais comprimido após a correção recente, com redução relevante do múltiplo preço/lucro, enquanto indicadores técnicos e de sentimento apontam para níveis considerados excessivamente pessimistas, o que historicamente abre espaço para recuperação.
Além disso, a XP avalia que o fluxo estrangeiro — embora mais volátil — continua sendo um fator chave para o desempenho do mercado brasileiro.
