Maconha

XP lança fundo de Cannabis com aplicação mínima de R$ 500

Produto pode ser uma alternativa para diversificar a carteira e ter exposição ao setor, mas a volatilidade é alta e é preciso estar ciente dos riscos

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SÃO PAULO — Visando participar de um mercado que deve movimentar mais de US$ 160 bilhões por ano até 2025, a XP lançou um fundo de ações brasileiro focado no mercado de Cannabis internacional. Com a legalização da planta em diversos países, seja para uso medicinal ou recreativo, a procura de investidores por ativos que têm exposição a esse mercado aumentou bastante nos últimos anos.

O Trend Cannabis FIM investe em ações de empresas em países como os Estados Unidos, Canadá e Inglaterra cuja principal matéria-prima de seus negócios é a Cannabis — popularmente conhecida como maconha.

É um fundo passivo, que acompanha a variação do ETF MG Alternative Harvest ou, como é mais conhecido, “MJ” (mesmo código na bolsa de valores de Nova York). O ETF é o maior e mais líquido ligado ao setor de Cannabis nos EUA.

Fazem parte do ETF empresas que possuem mais de 50% da receita atrelada a atividades relacionadas à indústria de Cannabis. Elas podem estar direta ou indiretamente relacionadas ao processo de cultivo legal, produção, marketing ou distribuição de produtos para fins medicinais ou não.

O rebalanceamento da carteira do ETF é feito a cada três meses. Hoje, dois terços dos investimentos são em ações do setor farmacêutico e cerca de 20% no setor de tabaco — as companhias com maior peso no fundo são Aurora Cannabis, GW Pharmaceuticals e Cronos Group.

A taxa de administração do fundo da XP é de 0,5% ao ano e não há taxa de performance. O resgate é D+5 (ou seja, você recebe o dinheiro cinco dias corridos após a solicitação) e a aplicação mínima é de R$ 500,00.

“O Trend Cannabis FIM é uma alternativa de diversificação para o investidor pessoa física que quer ter exposição ao mercado de Cannabis. Como a grande maioria das empresas está sujeita aos riscos regulatórios da indústria e várias destas estão no estágio inicial, as oscilações de preço das ações costumam ser bastante superiores à média do mercado acionário americano ou mesmo brasileiro”, alertou Davi Tarabay, especialista de fundos da XP.

“Por isso, a XP optou por disponibilizar a aplicação no fundo apenas através de um assessor de investimentos da corretora. Ou seja, o cliente que quiser comprar cotas deve falar com seu assessor para que ele faça o investimento, depois de ponderar os riscos”, completou o especialista.

O fundo de maconha da XP tem hedge (proteção cambial), assim, o investidor ficará exposto apenas à variação de preço do ETF MG Alternative Harvest, sem interferência da oscilação do dólar.

Além da XP, a gestora Vitreo lançou no fim de outubro um fundo para a compra de papéis ligados ao setor de Cannabis. O Vitreo Canabidiol FIA IE é aberto apenas a investidores qualificados — que têm mais de R$ 1 milhão em aplicações —, diferentemente do fundo da XP, disponível para investidores em geral.

A XP consegue disponibilizar o Trend Cannabis FIM para todos os investidores, mesmo os não qualificados, porque faz uma operação de swap (a rentabilidade do ETF MG Alternative Harvest pela variação do dólar), gerando assim a proteção cambial do produto. Ela não compra diretamente o “MJ”, mas o fundo consegue obter, dessa forma, 100% da variação do ETF já em reais.

Assim, o fundo da XP não se enquadra na regra da CVM (órgão regulador do mercado de capitais brasileiro) que prevê que os produtos com mais de 20% do patrimônio alocados diretamente em ativos no exterior só podem ser comprados por investidores qualificados — como é o caso do fundo da Vitreo.

O fundo da Vitreo não tem hedge, ou seja, o retorno é dado pela variação dos ativos que compõem o fundo e também do câmbio. Enquanto o fundo da XP tem exposição apenas ao “MJ”, o da Vitreo é composto por um mix de ETFs ligados ao setor de Cannabis (dois terços do total) e papéis de empresas específicas selecionadas pelo gestor do fundo (um terço).

Segundo a XP, o “MJ” foi o único ETF do setor de Cannabis analisado que passou em seus testes de liquidez, mas à medida que mais ETFs ligados à indústria cresçam em termos de patrimônio líquido e adquiram liquidez relevante, ficarão elegíveis para fazer parte da carteira do Trend Cannabis, pulverizando suas alocações.

A taxa de administração do fundo da Vitreo é de 1,5% ao ano. Além disso, há taxa de performance de 20% sobre o que exceder o desempenho do S&P 500 Total Return — índice que embute os dividendos pagos pelas empresas e que geralmente tem performance em torno de 2% acima do S&P 500. A aplicação mínima do fundo da Vitreo é de R$ 5 mil.

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