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Apesar da queda de 45% no acumulado do ano, a XP Investimentos não vê os preços atuais da ações da Tupy (TUPY3) como oportunidade de compra. A corretora acredita que novas revisões negativas nas estimativas de mercado devem impedir uma reprecificação positiva no curto prazo, ainda que enxergue potencial de recuperação de lucros no longo prazo.
Com isso, a XP Investimentos reduziu o preço-alvo para Tupy de R$ 20 para R$ 15, mantendo recomendação neutra para o ativo, que negocia a 4,2 vezes EV/EBITDA (Valor da Empresa sobre Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) esperado para 2026, patamar considerado justo e em linha com a média histórica.

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A corretora destacou que a demanda por veículos comerciais, tanto no Brasil quanto no exterior, tem evoluído abaixo do esperado, com uma recuperação improvável no curto prazo. Assim, ao incorporar menores volumes e um real mais valorizado, a XP reduziu suas projeções em todas as frentes.
Viva do lucro de grandes empresas
Desafios persistentes
A XP segue vendo um cenário desafiador para os segmentos de veículos comerciais e fora de estrada nos Estados Unidos, impactados pela queda nos gastos residenciais, desaceleração da construção civil e demanda mais fraca por fretes. Diante disso, as revisões negativas de volumes pelas montadoras reforçam a visão de que uma recuperação de curto prazo é improvável.
No Brasil, as vendas de caminhões vêm piorando ao longo do segundo semestre de 2025, com juros altos reduzindo o apetite por investimento. Por outro lado, os novos negócios da Tupy, especialmente na controlada MWM, apresentam desempenho relativamente melhor, com avanços nas relações comerciais entre EUA e Brasil e uma possível redução tarifária que pode representar um fator positivo no médio prazo.
Temores com alavancagem
A XP vê com bons olhos as medidas de redução de custos da companhia e seus esforços de reorganização, incluindo ajustes na capacidade produtiva para melhorar a utilização das fábricas, que devem sustentar a recuperação das margens entre 2026 e 2027. No entanto, a corretora observa um cenário operacional mais desafiador, levantando preocupações razoáveis com o nível de alavancagem. A expectativa é que a dívida líquida/EBITDA encerre 2025 em 3,1 vezes, acima dos 2,5 vezes no 2T25 e 1,8 vez no 4T24.
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Redução nas projeções
Apesar de reconhecer as iniciativas de corte de custos da Tupy, a XP acredita que os ganhos devem aparecer apenas no próximo ano, já que as estimativas de lucro líquido para 2026 ainda estão pressionadas pelas condições desafiadoras mencionadas.
O time de análise projeta prejuízo líquido de R$ 15 milhões em 2025 e lucro líquido de R$ 175 milhões em 2026.
Com menor alavancagem operacional, parcialmente compensada pelas iniciativas de reestruturação, a XP espera margem EBITDA entre 3 e 4 pontos percentuais abaixo das estimativas anteriores para 2025 e 2026.
Já a receita líquida deve recuar cerca de 9% em 2026, refletindo volumes menores e uma taxa de câmbio menos favorável.