WorldCom anuncia concordata, a maior da história dos EUA

Controladora da Embratel busca defesa frente a credores; empresa brasileira não está incluída na concordata

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SÃO PAULO – A WorldCom, controladora da Embratel, anunciou neste domingo seu pedido de concordata. A empresa, que é a segunda maior operadora de longa distância dos EUA, somente atrás da AT&T, entrou com o pedido visando poder continuar suas atividades, enquanto prepara um plano de reestruturação.

Esta é a maior concordata da história dos EUA, já que a WorldCom, que tem cerca de US$ 107 milhões em ativos, ultrapassa a empresa de energia Enron, que tinha US$ 63,4 bilhões em ativos e seguiu o mesmo caminho no ano passado.

Subsidiárias fora dos EUA estão fora da concordata

As subsidiárias da empresa norte-americana fora dos EUA, incluindo a brasileira Embratel, não estão incluídas na concordata, o que significa que a operadora brasileira deve continuar normalmente durante o período de reestruturação de sua controladora.

A concordata da WorldCom já era esperada pelo mercado, uma vez que a empresa tem uma dívida de US$ 41 bilhões e viu praticamente todas as suas fontes de financiamento cortadas após anunciar uma fraude contábil que atingiu US$ 3,85 bilhões.

Empresa deve seguir operando

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Na semana passada, a empresa fechou com os bancos JP Morgan e Citibank, dois de seus principais credores, e com a GE Capital uma linha de financiamento de até US$ 2 bilhões desenhada especialmente para empresas concordatárias, ou seja, que buscam proteção de seus credores.

Estes recursos serão utilizados para manter a empresa em funcionamento, sendo usados para pagar salários e novos serviços. Já os credores existentes não terão acesso a estes recursos, incluindo os investidores em bônus da empresa, que somam um total de US$ 24 bilhões.

No último dia 15 a empresa deixou de pagar cerca de US$ 79 milhões em juros destes bônus, o que aumentou ainda mais a expectativa de que a concordata fosse anunciada em um curto período de tempo. Estes papéis negociavam na última sexta-feira a cerca de 15% do seu valor de face, refletindo a dramática situação financeira da empresa. Somente a título de comparação, os bônus da Argentina negociam atualmente a cerca de 24% do valor de face.

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Mercado já esperava concordata

Embora o mercado já aguardasse a concordata, a notícia acabou repercutindo nos mercados europeus e no Japão, afetando principalmente os papéis de empresas de telecomunicações, uma vez que a concordata evidencia a fragilidade de muitas empresas do segmento, principalmente aquelas com elevado endividamento.