Indústria

Weg (WEGE3) vê boas perspectivas em eólica e com mercado externo

Alta dos juros e queda do PIB podem impactar produtos de ciclo curto ao longo do ano, mesmo com boas perspectivas no mercado interno

Por  Augusto Diniz -

O diretor-superintendente administrativo financeiro da Weg (WEGE3), André Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira (17), em teleconferência com analistas, que o aumento de juros e o menor crescimento do PIB brasileiro podem impactar produtos de ciclo curto ao longo do ano, embora sejam “boas as perspectivas no mercado interno”.

Entretanto, as perspectivas mais positivas para a Weg estão no mercado global como um todo. “Devemos apresentar mais um ano de receita em virtude da carteira positiva no equipamento de ciclo longo”, disse.

Produtos de ciclo longo referem-se aos equipamentos elétricos e eletrônicos industriais e equipamentos de geração, transmissão e distribuição de energia. Produtos de ciclo curto são motores elétricos, redutores e equipamentos seriados de automação fabricados pela empresa.

“É cedo para falar ainda de uma aceleração (no mercado externo) que estamos vivendo hoje. Acho que o mercado externo vem vindo sim num patamar melhor que esperávamos”, afirmou André Rodrigues, na teleconferência para comentar os resultados do balanço do quarto trimestre da Weg.

Ele citou os setores de mineração e gás com demanda de produtos de ciclo alto lá fora. Há ainda, segundo o executivo, movimento de negócios também em equipamentos de transmissão e distribuição na América do Norte e geração na Europa e Índia.

Os investimentos no ano somam R$ 1,5 bilhão. O diretor-superintendente disse que os recursos serão destinados para importantes projetos de aumento de capacidade produtiva, que serão realizados no Brasil, Estados Unidos, México, Índica, Portugal e China. Também serão destinados recursos para a realização de projetos em 2022 que foram postergados em 2021.

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Weg aposta no desenvolvimento de power train elétrico

Executivos da Weg também comentaram na apresentação para analistas que veem oportunidades de negócios em armazenamento de energia, negócios digitais e mobilidade elétrica, com desenvolvimento tanto de power train para veículos pesados como para estações de recarga.

No mercado interno, o segmento de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD) teve crescimento de 60,4% entre o 4T21 e o 4T20. Já no externo, o avanço no 4T21 foi 33,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

É no GTD que está o importante e consolidada área de aerogeradores e outros equipamentos para energia eólica da WEG.

De acordo com André Salgueiro, diretor de finanças e relações com investidores da Weg, “as receitas de eólica voltaram a partir do final do segundo trimestre do ano passado e depois veio crescendo ao longo do ano”.

Segundo ele, em 2022, “o backlog (pedidos) está quase completo esse ano, entrando em 2023, com perspectivas nos próximos anos por conta de procura do mercado”.

No âmbito internacional, disse que o fornecimento de aerogeradoras na Índia está em fase de certificação. A Weg vê o mercado indiano com grande potencial de uso dessa matriz energética nos próximos anos.

Já equipamentos para energia solar, que também cresceram dentro de mix de produtos, a companhia começará a internacionalização da área através de alguns países da América Latina.

Pressão nas margens de produtos

Os desafios na cadeia de suprimentos global e o consequente aumento dos custos das matérias primas, em conjunto com a alteração no mix de produtos, devido notadamente à volta da receita de novos projetos de geração eólica, resultaram em redução das margens operacionais no último trimestre, de acordo com o relatório do balanço da Weg.

A margem ebtida teve queda de -1,3 ponto percentual no 4T21 em relação ao 3T21 e -2,9 ponto percentual em relação ao 4T20.

Comentando sobre as margens, André Rodrigues disse que a Weg trabalha a longo prazo, mas os pontos que podem trazer pressão na margem, continuam o mesmo: “Aumento de custo e o mix dos produtos, com a volta do eólico tendo mais relevância na receita”.

De acordo com o executivo, o ponto positivo é a aceleração no mercado externo e a recomposição dos preços de venda que podem ajudar ao longo do ano.

“A gente não dá guidance sobre margens, mas continuamos a entregar (a margem) acima da média do mercado. E pelo que já vimos no início de 2022, nós não temos expectativa que a margem do ano apesentará redução adicional do que foi apesentado no fim de 2021”, concluiu.

Análise do balanço da Weg

Para o Credit Suisse, “é improvável que as margens contraiam mais. A fonte de pressão continua a ser a cadeia de abastecimento (custos mais elevados) e o mix de produtos (produtos eólicos com maior participação nas receitas)”.

No entanto, a forte demanda nos mercados internacionais, aliada aos aumentos de preços, podem compensar esses efeitos. A dinâmica de crescimento permanece, com a Weg avançando em sua expansão internacional e novas linhas de produtos.

Enquanto isso, o Bradesco BBI avaliou que a Weg iniciou o ano com um pipeline já robusto de projetos de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD). Além disso, destacou a expectativa de recuperação contínua do mercado internacional, o que torna a decisão da empresa de acelerar o capex em 2022, para acomodar capacidade à demanda crescente, como uma boa escolha.

“Esperamos que a empresa continue explorando com sucesso suas oportunidades de crescimento nos mercados doméstico e internacional, embora sinalizamos que a falta de investimentos da WEG em tecnologia eólica offshore pode se tornar um gargalo no médio e longo prazo”, diz o BBI, lembrando que o Brasil está avançando com a regulamentação de aerogeradores offshore e espera-se que 20 GW de capacidade entrem em operação até 2030.

O Bradesco BBI classifica Weg (WEGE3) como neutral, com preço-alvo de R$ 38,00. Já o O Credit Suisse classifica Weg (WEGE3) como outperform, com preço-alvo de R$ 44,00.

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