Análise

WEG tem mais um trimestre memorável, mas analistas alertam para pressão nos custos mais à frente

Companhia conseguiu superar as já alta expectativas para seu balanço, entregando melhora tanto no campo doméstico quanto no exterior

SÃO PAULO – Não foram apenas os investidores que gostaram do resultado da WEG (WEGE3), fazendo as ações subirem até 8,23% nesta quarta-feira (28), fechando com salto de 8,17%, a R$ 37,20. Os analistas também viram com bons olhos os números do segundo trimestre da companhia, que superou as expectativas.

A WEG registrou lucro líquido de R$ 1,134 bilhão entre abril e junho deste ano, alta de 120,6% na comparação anual, impactado pelo reconhecimento dos créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. O resultado financeiro de R$ 129,9 milhões e o aumento no imposto de renda auferido desses créditos, de R$ 147,5 milhões, também tiveram impacto sobre o lucro.

Sem esses efeitos, não recorrentes, o lucro líquido seria R$ 851,9 milhões, alta de 65,6% na comparação anual. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 1,392 bilhão, avanço de 90,2%, enquanto a receita operacional líquida teve crescimento de 41,4%, para R$ 5,748 bilhões.

A WEG também anunciou o pagamento de dividendos no valor total de R$ 663,7 milhões, que serão pagos em 11 de agosto com base na posição acionária do dia 30 de julho. O valor corresponde a R$ 0,158175000 por ação.

Para o Bradesco BBI, o lucro ficou 12% acima do que eles esperavam, com dois fatores se destacando para o desempenho: 1) forte atuação no mercado doméstico tanto para o ciclo curto quanto para o longo; e 2) contínua recuperação de produtos internacionais de ciclo longo, vindos dos setores de mineração, óleo e gás, água e esgoto e industrial, o que também impulsionou os resultados de ciclo curto, além da expansão em projetos de Transmissão e Distribuição de Energia (T&D) na América do Norte.

Além disso, os analistas destacaram que, do lado dos custos, a pressão vinda das matérias-primas foi parcialmente compensada por ganhos de eficiência, resultando em uma queda percentual das despesas com vendas e administrativas quando analisadas sobre seu impacto na receita da companhia.

Já a equipe do Credit Suisse destacou que o aumento do custo da matéria-prima pesou para uma redução da margem Ebitda, ou divisão entre o Ebitda e a receita líquida, que ficou em 19%, mas que isso já era esperado pelos analistas. Mesmo assim, eles acreditam que esse impacto deve se manter nos próximos trimestres.

“Vale ressaltar, porém, que apesar da compressão de margem no trimestre, o Ebitda ainda superou a nossa expectativa devido ao crescimento da receita líquida mais forte do que o esperado”, afirma o Credit.

O Itaú BBA, por sua vez, além dos pontos já citados, também apontou para o Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) de 32,2%. Mesmo excluindo os itens não recorrentes teria ficado em 31,7%, o que os analistas consideraram um patamar bastante sólido.

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Contudo, a equipe da instituição diz que continuará acompanhando a evolução dos números, “tendo em vista a pressão potencialmente maior nas margens, um cenário cambial cada vez mais desfavorável e o retorno gradual do capex”.

O BBA reforça que esses resultados abrem espaço para uma revisão para cima nas projeções, mas que por enquanto ainda mantém uma recomendação “market perform” (equivalente a neutro), com preço-alvo para o fim deste ano em R$ 46.

“Apesar de anteciparmos uma leve contração na margem em 2021, esperamos que seja mais um ano positivo para a WEG. A empresa possui um histórico notável de resultados sólidos e retornos elevados, com base em estratégias claras de longo prazo e balanço patrimonial saudável, o que lhe permite buscar confortavelmente oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico”, avaliam.

Já o Bradesco BBI manteve sua recomendação também neutra, sustentada pelo múltiplo elevado de 26,5% EV/Ebitda, mas elevou o preço-alvo de R$ 45 para R$ 47. Além disso, os analistas atualizaram o modelo de avaliação, elevando a projeção do Ebitda de 2021 e 2022 em 11,5% e 7,2%, respectivamente.

O Credit Suisse, por sua vez, tem uma recomendação “underperform” (equivalente a venda). Das 14 recomendações compiladas pela Refinitiv, cinco são de compra, outras cinco estão neutras e as quatro restantes pra venda, sendo que a mediana dos preços-alvo das casas de análise é de R$ 42,53.

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