Vamos: por que o Bradesco BBI acha que a ação está muito barata para ser ignorada

Recuperação da empresa dá resultados sólidos, mas múltiplos seguem defasados

Erick Souza

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Vamos Seminovos (Foto: Divulgação)
Vamos Seminovos (Foto: Divulgação)

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Para o Bradesco BBI, a Vamos (VAMO3) iniciou um novo capítulo na história da companhia, mas os múltiplos de mercados ainda estão defasados. De acordo com os analistas do banco, a empresa vem executando uma importante reestruturação operacional que ainda não foi totalmente refletida no preço das ações – e que não pode mais ser ignorada.

Por esse motivo, o BBI manteve a recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 6,0 para o final de 2026. O valor representa uma valorização de 92% em relação ao preço no fechamento de quarta-feira.

Ao longo do primeiro trimestre de 2026, a taxa de utilização dos ativos subiu para 88%. Para comparação, ao final do segundo trimestre de 2024, o piso era de 82%. Segundo o BBI, cada ponto percentual adicional de utilização representa uma importante alavanca para o lucro da Vamos.

Os cálculos do banco mostram que um aumento de 3 pontos percentuais poderia acrescentar R$ 104 milhões ao lucro líquido da empresa. O impacto é comparável com um corte hipotético de 1,2 ponto percentual na taxa Selic.

Isso significa, de acordo com os analistas, que a companhia tem importantes catalisadores para o crescimento dos lucros, sem depender integralmente do cenário macroeconômico.

Mesmo com a evolução, as ações ainda são negociadas a um múltiplo Preço/Lucro (P/L) de apenas 5,4 vezes para 2027. Para o BBI, este nível ainda incorpora um risco de execução que já foi significativamente reduzido e que deverá desaparecer gradualmente à medida que o lucro líquido da Vamos evoluir.

Melhora estrutural

Para o BBI, a Vamos tem implementado uma estratégia sólida para retomar os resultados positivos pré-2023. Naquela época, entre 2023 e 2024, o segmento de transporte de grãos reduziu a taxa de utilização da frota para até 82%.

Segundo os analistas, a retomada de veículos de clientes excessivamente alavancados deteriorou as margens de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) das operações de Locação (Rental) e de Seminovos. Além disso, comprometeu a rentabilidade geral da companhia.

Agora, entretanto, o banco acredita que a capacidade da companhia de reduzir o estoque melhorou, com mais alternativas que em 2023. Utilizando, por exemplo, as operações de Seminovos, do programa Sempre Novo e das prorrogações de contratos, suficientes para superar tanto o volume de retomadas de ativos quanto o vencimento natural dos contratos.

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Em 2025 a capacidade da Vamos de reduzir seu estoque de ativos ociosos por meio de Seminovos, Sempre Novo e das extensões contratuais atingiu R$ 2,8 bilhões. A expectativa do BBI para 2026, em linha com o guidance da empresa, é de aumento da capacidade para R$ 3,3 bilhões.