Vale vê mercado chinês resiliente e explica por que não fez provisões maiores para Samarco

De acordo com executivos, gigante asiático já mostrou, em 2023, resiliência em sua demanda por minério de ferro

Vitor Azevedo

Logo da Vale (Foto: Divulgação)

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A Vale (VALE3), durante sua teleconferência de resultado do quarto trimestre de 2023 nesta sexta-feira (23), expôs certo otimismo com o mercado chinês, que vem desde o começo do ano derrubando o preço do minério e, consecutivamente, as ações da mineradora. Fora isso, os executivos da companhia também explicaram por que as provisões separadas para o caso Samarco foram menores do que a da BHP, sua parceira na joint venture.

No caso da China, os diretores mencionaram que o país, apesar de todas as desconfianças, mostrou sua resiliência ao longo de 2023. Fora isso, para 2024, questões como a retomada da indústria e os investimentos em infraestrutura devem manter a demanda alta. “Vamos ver os efeitos dos estímulos por lá no segundo semestre. Em indicadores, estamos vendo sinais positivos, como no caso do uso dos altos fornos”, falou Marcelo Spinelli, diretor de Soluções em Minério de Ferro.

Fora do gigante asiático, a Vale também prevê um aumento de demanda em 5% ao longo do ano, destacando localidades como Japão, Europa, Oriente Médio e sudeste asiático.

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Já do lado da oferta, para eles, o mercado está apertado. Austrália e Índia, outros dois principais produtores de minério do mundo, estão com suas produções estáveis, sem aumentar a capacidade disponível. “O aumento da capacidade vem só da gente”, disse Spinelli. A Vale vê os prêmios para finos de minério estáveis em 2024 e as pelotas com tendência até mesmo de alta.

Quanto à questão da Samarco, a mineradora explicou que as suas provisões relacionadas ao acidente do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), não foram maiores porque enxerga que a Samarco tem capacidade para ajudar a arcar com os custos. Enquanto a Vale aumentou seu número em US$ 1,2 bilhão, totalizando US$ 4,2 bilhões, a BHP, sua parceira no negócio, aumentou em US$ 3,2 bilhões, para US$ 6,5 bilhões. “Aquilo que foi adicionado, ela seguiu nossa melhor estimativa. Há ainda algumas questões de premissas e endividamentos”, contextualizou Pimenta.

Ainda neste ponto, o time defendeu que chegar a um acordo em breve é algo que é positivo para todas as frentes envolvidas. “Estamos trabalhando arduamente para chegar à conclusão. Estamos buscando um acordo e queremos que a resolução seja alcançada no primeiro semestre de 2024”, disse o CFO Gustavo Pimenta.

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A Vale expôs, no entanto, que adotará algumas medidas mais conservadoras em relação aos dividendos ao longo do ano, após ter anunciado R$ 11,7 bilhões junto do balanço – o que é o mínimo previsto no estatuto. O CFO defendeu que a empresa verá como algumas questões evoluirão ao longo do ano, mas que está otimista com o desempenho operacional – fora que ainda há caixa para entrar proveniente da venda da fatia da divisão de metais básicos.

Do outro lado, comentando M&As [fusões e aquisições], o CEO Eduardo Bartolomeo falou sobre a parceria recém anunciada com a Anglo American. “Desde que chegamos, reformulamos a empresa e vendemos negócios não relacionados ao nosso negócio chave. Mas a questão da Anglo American foi um M&A interessante. Nós temos a logística e eles, a mina instalada. É o tipo de negócio que buscamos”, defendeu

“Tanto em minério de ferro quanto em metais básicos, temos uma infraestrutura ampla e flexível. Podemos usar infraestrutura não utilizada para fazer parcerias e captar margens. Estamos abertos a M&As nessa frente”, disse o CFO, ao ser indagado sobre possíveis movimentações no Brasil e citando algumas mineradoras menores.

Por fim, sobre a sucessão de Eduardo Bartolomeo, cujo mandato acaba no fim de maio, os executivos desconversaram e falaram que a decisão cabe ao Conselho. “Não cabe a mim comentar o assunto, nem mesmo ao C-level, é uma decisão do Conselho. Tenho certeza de que o Conselho está conduzindo isso com muito profissionalismo e da maneira certa”.