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A mineradora Vale (VALE3) detalhou, em evento para investidores e analista realizado na manhã desta terça-feira (2) em Londres, os dados de orientação para os próximos anos divulgados mais cedo. Os papéis subiam na B3 durante a conferência, cotados a R$ 68,18, com alta de 0,34%,
A mineradora afirmou, via fato relevante, que poderá aumentar a produção de minério de ferro em até 3% em 2026, ante o previsto para este ano, enquanto avança na recuperação de sua capacidade produtiva perdida após o rompimento de barragem em Brumadinho em 2019.
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Vale poderá elevar produção de minério de ferro em até 3% em 2026
A Vale, que busca retomar a liderança global na produção de minério de ferro, prevê produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026, ante aproximadamente 335 milhões de toneladas neste ano.
“Estamos em uma posição melhor e conseguindo extrair muito valor de nossos ativos”, afirma Gustavo Pimenta, CEO da companhia, no Vale Day. “Estamos falando com players sobre oportunidades para aumentar a exposição em cobre”, diz.
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Em coletiva de imprensa após a apresentação, o presidente da companhia garantiu que o financiamento para o futuro previsível da Vale Base Metals está garantido e que eventuais operações para financiamento externo são um problema para outro momento.
No evento, o diretor financeiro da companhia, Marcelo Bacci, mencionou a necessidade de controle de custos fixos, tanto quanto de aumento de volume de produção. A meta para o próximo ano é de US$ 5,7 bilhões de dólares.
A companhia chegou a cerca de US$ 21,3 por tonelada de custo C1 para o minério de ferro, que diz respeito ao custo de produção da mina ao porto de embarque, e mira na meta de US$ 20 a US$ 21,50 para o ano que vem. Para o cobre, o custo deve terminar 2025 por volta de US$ 1.000 e, para 2026, a expectativa é que permaneça entre US$ 1.000-1.500. Para o níquel, o ano deve fechar em US$ 13.000 e, para o ano que vem, entre US$ 12.000 e US$ 13.500.
“Para alcançarmos o resultados que esperamos, temos trabalhado intensamente em investimento de capital”, diz o CFO. Em 2025, o custo foi de US$ 5,5 bilhões e, para o ano que vem, deve ficar na faixa de US$ 5,4 – US$ 5,7 bilhões. “Esperamos manter o capex para poder entregar o crescimento mencionado aqui”, diz.
O CFO citou a queda de custos como pagamentos dos acordos de Samarco, Brumadinho e de descaracterização. Entre os investimentos citados, estão o novo programa de Carajás, aceleração de crescimento de cobre e otimização de capex abaixo de US$ 6 bilhões.
Sobre pagamentos para acionistas, o CFO afirmou que a companhia vai se esforçar para ter fluxo de caixa superior ao seus pares para garantir remuneração. “Nós temos entregado bom retorno sobre o fluxo de caixa”, diz.
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Para corrigir eventuais disparidades perante os pares, Bacci citou estratégia composta por crescimento de produção em commodities que são centrais (core) para a companhia, a estabilidade operacional (em especial, com fatores de segurança), eficiência de custos e de capex e retornos superiores para acionistas.
Minério de qualidade inferior, se necessário
A diretoria da mineradora afirmou que, se for necessário produzir minério de qualidade inferior, é possível realizar a prática, dada a flexibilidade de portfólio. Outra vantagem estratégica da companhia atualmente é a otimização de alta qualidade para alocação de vendas, que vale também para aglomerado
“Existe uma plataforma que permite criar um verdadeiro campeão global”, diz Shaun Usmar, CEO da Vale Metais Básicos, sobre a nova demanda sobre metais críticos. A expectativa para o segmento é de crescimento na produção do cobre, com riscos menores para o processo. Para o níquel, o foco é entregar custos mais baixos e maior eficiência de capital.
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“Para nós, a sustentabilidade é uma vantagem competitiva, com criação de valor para os negócios e valor compartilhado”, diz Grazielle Parenti, diretora de sustentabilidade da companhia. A executiva sustentou que a obtenção de licença para operar é um dos pilares para o programa de sustentabilidade da companhia, assim como a descarbonização das operadores da mineradora. A Vale cita, entre as diversas iniciativas a frente, o desenvolvimento de motores movidos a etanol, apoio para comunidades locais e proteção de florestas.
A diretora também citou o pioneirismo da Vale na prática de circularidade, presente, por exemplo, no aproveitamento de rejeitos secos em parte das minas da companhia. A intenção para a “mina do futuro” é que os resíduos sejam aproveitados e os recursos bem utilizados, afirmou Grazielle.