Usiminas: o que precisa acontecer para o mercado voltar a se animar com a ação

As ações da siderúrgica chegaram a despencar 9,25% na sessão pós-balanço

Felipe Moreira

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Funcionário trabalha em forno da Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais (Foto: Alexandre Mota/Reuters)
Funcionário trabalha em forno da Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais (Foto: Alexandre Mota/Reuters)

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Apesar da Usiminas (USIM5) ter apresentado um resultado em linha com as expectativas no segundo trimestre de 2026, o mercado reagiu de forma negativa ao balanço. As ações da siderúrgica chegaram a despencar 9,25% na sessão pós-balanço, refletindo a avaliação de que os desafios para os próximos trimestres permanecem relevantes.

Na visão dos analistas, a melhora operacional da divisão de siderurgia foi ofuscada pela pressão sobre os custos, pelo enfraquecimento do mercado de aços planos e pelas perspectivas mais fracas para a mineração, fatores que sustentam uma postura cautelosa para o restante do ano.

Para o Goldman Sachs, um fator seria decisivo para uma mudança de percepção sobre a companhia: a capacidade de implementar novos reajustes nos preços do aço. O banco avalia que a Usiminas precisará elevar preços ao longo do segundo semestre de 2026 e de 2027 para recompor margens e sustentar uma visão mais construtiva para o papel.

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O Goldman destaca que o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de R$ 691 milhões, desconsiderando R$ 70 milhões em efeitos extraordinários, ficou praticamente em linha com as projeções do mercado. O desempenho mais sólido da operação de aço compensou a fraqueza da mineração, mas, para o banco, a recuperação das ações dependerá de um ambiente mais favorável para o setor siderúrgico, com menor pressão das importações e espaço para novas altas de preços.

Para o próximo trimestre, o JPMorgan espera estabilidade nos resultados da divisão de aço, excluindo efeitos extraordinários, apoiada por maiores volumes vendidos. Já a rentabilidade da operação de mineração deve continuar pressionada pelos custos logísticos.

A Usiminas deve manter sua estratégia de preços adotada desde o início do ano, com foco em recuperar margens e garantir a sustentabilidade operacional. Segundo a administração, os reajustes realizados no começo de 2026 geraram algumas distorções temporárias, que já foram normalizadas. Em julho, a renovação de contratos com clientes industriais trouxe novos ajustes para corrigir defasagens em relação às margens-alvo.

O JPMorgan destaca que os produtos laminados a frio (CRC) apresentam melhora mais forte de rentabilidade, devido à demanda específica e menor pressão das exportações. Já os laminados a quente (HRC) continuam mais pressionados pela fraqueza dos setores de transporte e agricultura.

A companhia afirmou ainda que há espaço para novos aumentos de preços, dependendo da evolução da volatilidade dos custos.

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O Goldman Sachs e JPMorgan reiteraram recomendação de compra e preço-alvo de, respectivamente, R$ 10 e R$ 11.