Balanços no radar

Usiminas e Hypera inauguram temporada de resultados do 1º trimestre nesta sexta-feira: confira o que esperar

Expectativa é de que primeiras companhias a divulgarem seus números registrem bons resultados

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SÃO PAULO – A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2021 tem início nesta semana no Brasil, mais precisamente nesta sexta-feira (23). Ela começa com a divulgação dos números da Usiminas (USIM5) antes da abertura do mercado e da Hypera (HYPE3) após o fechamento.

A expectativa é de que a Usiminas registre bons resultados, na esteira de um cenário positivo com o aumento dos preços realizados em meio à forte demanda por aço no exterior e com o reajuste de preços por aqui.

Segundo aponta o Itaú BBA, os preços domésticos tendem a registrar alta de 20% no trimestre, com a renegociação dos contratos com clientes do setor automotivo. A expectativa dos analistas do banco também é de uma melhora nas exportações de aço.

A estimativa da XP também é de números positivos no primeiro trimestre. “No segmento de aço, esperamos que maiores volumes (alta de 2% na comparação trimestral) e preços compensem custos por tonelada mais elevados no período. O movimento de recomposição de estoques do setor automotivo deve impactar positivamente preços realizados devido ao melhor mix e volumes maiores (maior diluição de custos). Na mineração, sazonalmente mais fracos (cerca de 1,9 milhão de toneladas) e preços mais altos do minério de ferro (US$167 a tonelada, alta de 25% na base trimestral) podem resultar em outro trimestre de forte Ebitda (estimativa de R$ 1,14 bilhão)”, afirma a equipe de análise.

Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do research da XP, aponta que esta deve ser uma tendência geral para o setor que deve se estender para as commodities em geral, impulsionado pelo cenário global mais construtivo com retomada expressiva da economia da China e dos Estados Unidos.

Por outro lado, o maior endividamento da população, menores valores de programas sociais do governo e aumento das restrições de mobilidade com alta dos casos de coronavírus devem impactar os resultados de setores mais voltados à economia doméstica, como varejo. O impacto, contudo, deve ser mais significativo no segundo trimestre.

Com relação à Hypera, o Credit Suisse espera um bom trimestre em termos de crescimento da receita, em torno de 13% na comparação trimestral e de  40% na base anual, devido à incorporação total dos produtos das marcas Buscopan e Buscofem, aquisição feita em dezembro de 2019 e também do portfólio da Takeda. Este último também contribuirá para uma margem maior, avaliam os analistas.

“Tanto o salto de receita quanto a melhoria da margem (de produtos antigos da Takeda) serão uma
consequência dos movimentos inorgânicos, estabelecendo um ‘novo normal’. Assim, é importante procurar sinais de crescimento da participação de mercado (sell-out) que reflitam a eficiência comercial em si da companhia”, apontam os analistas.

Os analistas ainda apontam que, durante o evento Hype Day, organizado pela empresa em 9 de abril, a companhia divulgou um guidance (projeção para o ano) de R$ 5,9 bilhões para a receita líquida, R$ 2,0 bilhões para o Ebitda e de R$ 1,6 bilhão para a margem líquida em 2021. A projeção implica em uma redução da margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) de mais de 1 ponto percentual e diminuição da margem líquida em mais de 5 pontos. Mesmo assim, o guidance ainda acima das estimativas do Credit para a empresa no ano.

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De uma forma geral, em relatório, o Bank of America afirmou que espera um forte crescimento anual do lucro por ação do Ibovespa em meio à base de comparação mais fraca frente o primeiro trimestre de 2020, mesmo após excluir commodities.

A expectativa é de que o lucro por ação das empresas que compõem o Ibovespa tenha alta de 43%, excluindo companhias ligadas à commodities e de petróleo.

“No ano passado, o lucro por ação do primeiro trimestre foi impactado negativamente devido à menor atividade durante a pandemia, impactos do câmbio nas despesas com juros e com maiores provisões contra perdas no caso dos bancos”, afirmam os analistas Nicole Inui, David Beker e Paula Andrea Soto. Os analistas citam, por exemplo, as provisões recordes do Itaú (ITUB4) no primeiro trimestre do ano passado.

Sobre o setor de consumo discricionário, formado por empresas que vendem bens que não são considerados “necessários”, o BofA pondera que deve haver uma recuperação mista, como distribuidoras de combustíveis e o setor de e-commerce, este último formado por empresas como Magazine Luiza (MGLU3), registrando bons números.

Enquanto isso, os shoppings ainda estão atrasados ​​em relação à recuperação dos lucros após outro trimestre de distanciamento social e restrições de mobilidade, apontam.

Confira abaixo o calendário com as datas previstas para a divulgação dos balanços do 1º trimestre:

Confira o calendário de resultados também clicando aqui e aqui. 

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