Dia de derrocada

Totvs (TOTS3) desaba mais de 11% em sessão pós-balanço; BBA diz que reação é exagerada e vê oportunidade de compra

Além de alguns números não agradarem os investidores, sessão de forte queda de ações techs pelo mundo também impacta papéis

Por  Lara Rizério -

Os resultados do primeiro trimestre de 2022 da Totvs (TOTS3) tiveram avaliações diferentes dos analistas de mercado, mas variaram entre visões gerais do balanço entre ligeiramente negativas e ligeiramente positivas.

Contudo, a sessão desta quinta-feira (5) foi fortemente negativa para as ações da companhia, com os papéis chegando a ter perdas de 12,37%, a R$ 28,20, e fechando em baixa de 11,12%, a R$ 28,60.

Porém, além dos resultados, a sessão de aversão ao risco para o Ibovespa e para as bolsas mundiais, afetando especialmente o setor de tecnologia, do qual a Totvs faz parte, influencia o pregão para a companhia.

Enquanto o Ibovespa caía mais de 3%, o Nasdaq, com forte exposição em tecnologia nos EUA, tinha perdas de cerca de 6% na reta final do pregão.

As ações de crescimento de megacapitalização derrubavam o índice, um dia depois que o tom menos agressivo do Federal Reserve provocou um rali no mercado. O movimento foi mais do que revertido nesta data, com os juros voltando a subir mesmo em meio a sinalizações de que, mesmo com a fala de Jerome Powell, presidente do Fed, de que os Estados Unidos não estão “ativamente” considerando uma alta de 0,75 ponto percentual nos juros. Isso porque o aperto nos juros deve continuar para um patamar acima do neutro, ou seja, que desacelera a economia.

Leia mais: Como ficam as ações das big techs com o aumento de juros nos EUA?

Em momentos como estes, de inflação alta e perspectiva de aumentos na taxa de juros, o setor que mais costuma ser penalizado é o de tecnologia. Como a maior parte do valor de mercado dessas empresas está projetado para os próximos anos e o aumento da taxa desacelera a economia, a tendência é que o crescimento dessas companhias também sejam menores.

Além da alta de juros por lá, o Comitê de Política Monetária (Copom) também aumentou os juros na véspera, em 1 ponto, como o esperado e sinalizou a extensão do ciclo de avanço nas taxas, ainda que perto do fim da elevação da Selic.

Isso acaba por impactar a empresa de tecnologia Totvs. Mas, voltando ao balanço, alguns números também foram vistos com reticências pelos analistas.

A produtora de softwares de gestão e de serviços financeiros teve avanço modesto do lucro no primeiro trimestre, uma vez que o aumento robusto das receitas em suas principais linhas de negócios foi compensada em parte por maiores despesas com remuneração a empregados.

A companhia anunciou nesta quarta-feira que sua receita líquida de janeiro a março alcançou R$ 981,1 milhões, um aumento de 36,2% contra um ano antes, com incremento de 25,5% em seu negócio principal de receita de gestão, enquanto a unidade de business performance cresceu 16 vezes e a de serviços financeiros cresceu 48,6%.

Porém, as despesas comerciais subiram 42,7%, enquanto as gerais e administrativas evoluíram 38%, estas refletindo a aplicação de dissídio sobre salários.

Com isso, o resultado operacional da companhia medido pelo lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado cresceu 17,5% ano a ano, para R$ 223,3 milhões, mas a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) ajustada caiu 3,3 pontos percentuais, a 23,6%.

A XP ressaltou que, “do lado positivo, o segmento de Gestão registrou crescimento de 25,5% na receita líquida, com recorde de venda de licenças. No entanto, tanto o segmento de Techfin quanto Business Performance apresentaram queda na margem de contribuição no trimestre”.

Os analistas da casa reiteraram recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 48 por ação para TOTS3, ou potencial de alta de 49% em relação ao fechamento de quarta-feira.

Já para o Credit Suisse, os números foram ligeiramente negativos. Os analistas do banco suíço ressaltaram que a receita líquida ficou em linha com o esperado, enquanto o Ebitda ficou em R$ 223 milhões, entre 5% e 6% abaixo das expectativas, puxado pelo segmento de TechFin e Business Performance, além de um forte impacto de aumentos salariais nos custos gerais e administrativos.

O banco, contudo, possui recomendação outperform (desempenho acima da média) para a ação, com preço-alvo de R$ 36, ou potencial de alta de 12% frente o fechamento da véspera.

Já o Bradesco BBI avaliou que os números foram sólidos. “Acreditamos que os fortes resultados do core (de gestão) podem continuar impulsionando os próximos trimestres. Alternativamente, o desempenho mais suave das divisões da BP e Techfin pode levar o mercado a ser mais conservador em relação às estimativas de crescimento de médio/longo prazo”, diz a análise.

A recomendação dos analistas para a ação é outperform (desempenho acima da média de mercado), com preço-alvo de R$ 40,00, com upside de 24% frente o último fechamento.

O Itaú BBA também viram os números como bons, puxados por software de gestão

Na visão dos analistas, a divisão de software mais do que compensou o resultado negativo temporário de Techfin. O crescimento recorrente da receita (uma métrica chave) acelerou para alta de 27% na base anual, apoiando a visão positiva dos analistas da casa sobre as ações daqui para frente.

Assim, o Itaú BBA reiterou a Totvs como a preferida do setor, com preço-algo para o final de 2022 de R$ 39 por ação, ou potencial de alta de 21%.

Posteriormente, em novo relatório, o Itaú BBA ressaltou o que viu como uma “reação exagerada” do mercado às ações da Totvs (TOTS3) após o desempenho na sessão.

“A nosso ver, essa reação está ligada ao desempenho abaixo do esperado da Techfin, que representa apenas uma parte do negócio e teve seu destino traçado pela joint-venture com o Itaú”, ressalta o BBA. “O mais importante continua sendo a aceleração do crescimento orgânico do negócio de Software de Gestão, que mais uma vez registrou recorde de adições líquidas de ARR e reforça uma perspectiva positiva para o curto e médio prazo”. Para os analistas a queda na sessão é exagerada e veem a baixa como oportunidade de compra.

(com Reuters)

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