Destaques da Bolsa

“Top 5” da Bolsa perde R$ 50 bilhões de valor; Vale cai 10% e Suzano dispara 9%

Confira a atualização dos principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

SÃO PAULO – Na volta do feriado, o Ibovespa caiu forte nesta terça-feira (13), interrompendo um rali de 9 pregões seguidos em alta e 12% de ganhos. A maior pressão veio das blue chips, com a Petrobras caindo 8% e a Vale desabando 10%. Na ponta positiva, a disparada de 3,5% do dólar favoreceu as companhias exportadoras.

No total, foram 15 das 64 ações do Ibovespa com queda de mais de 6%, enquanto apenas 4 papéis subiram mais de 2%. No setor financeiro, um relatório do Credit Suisse trouxe apreensão aos investidores após ter rebaixado recomendações de todos os grandes bancos listados na Bolsa. Também entre as perdas, as ações da gigante Ambev caíram 5,5%.

Juntas, as cinco empresas mais valiosas da Bolsa (Ambev, Itaú, Petrobras, Bradesco e Vale) perderam R$ 49,82 bilhões em valor de mercado. Apenas a companhia de bebidas registrou uma perda de R$ 17,07 bilhões, enquanto Itaú e Bradesco tiveram um “prejuízo” de R$ 6,73 bilhões e R$ 5,89 bilhões neste pregão, respectivamente. Já a Petrobras registrou uma queda de R$ 10,23 bilhões em seu valor de mercado, enquanto a Vale perdeu R$ 9,89 bilhões.

Confira a atualização dos principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira:

Vale (VALE3, R$ 18,58, -10,63%; VALE5, R$ 14,98, -7,87%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 8,53, -9,83%), holding que detém participação na mineradora, afundaram após a decepção dos mercados globais com os dados da balança comercial chinesa, que mostraram queda de 20% nas importações do país em setembro. Contribui para o movimento também a queda do preço do minério de ferro na China, que recuou 2,89% no porto de Qingdao, a US$ 54,97 a tonelada. Essa é a primeira queda das ações da Vale em 10 dias.  

Petrobras (PETR3, R$ 9,84, -8,12%; PETR4, R$ 8,13, -7,61%)
As ações da Petrobras afundaram, dando sequência ao forte movimento negativo dos ADRs (American Depositary Receipts) da véspera, lembrando que a Bovespa estava fechada por conta do feriado. Essa é a maior queda das ações da estatal em mais de um mês, encerrando uma sequência de seis dias de alta.

No radar, o Barclays rebaixou a recomendação dos ADRs da companhia de overweight (exposição acima da média) para equalweight (exposição em linha com a média), reduzindo o preço-alvo dos papéis ordinários para US$ 6,50, ante US$ 11,00.

No noticiário de hoje, a Petrobras negocia vender cerca de 25% da BR Distribuidora, segundo informações da Folha de S. Paulo. Além disso, de acordo com o jornal O Globo, a petrolífera investiu US$ 66 milhões para explorar poço seco em um campo de petróleo no Benin. A operação está na origem do pagamento de propina ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teria recebido depósitos que somam 1,3 milhão de francos suíços, o equivalente a R$ 5,1 milhões, do lobista João Augusto Rezende Henriques no mesmo mês em que foi selada a decisão do investimento.

Bancos
As ações dos grandes bancos Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,97, -8,32%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,97, -5,35%), Itaúsa (ITSA4, R$ 7,72, -3,86%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,16, -5,59%; BBDC4, R$ 22,68, -5,46%) e Santander (SANB11, R$ 14,12, -8,90%) afundaram hoje após corte de recomendação do Credit Suisse. O Banrisul (BRSR6, R$ 5,79, -7,51%), que teve sua recomendação mantida, também cai forte hoje.  

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As recomendações das ações do Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaúsa passaram de neutra para underperform (desempenho abaixo da média). Já o Banrisul foi mantido com recomendação neutra. O banco cita que o custo de capital está acima do ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), o que tira a atratividade de investir em ações brasileiras.

Ambev (ABEV3, R$ 18,70, -5,51%)
A SABMiller aceitou uma proposta de aquisição após a Anheuser-Busch Inbev, controladora da Ambev, oferecer um pacote em dinheiro e ações cujo valor atual é de 69 bilhões de libras (US$ 106 bilhões). O acordo para criar uma cervejaria que fabricaria quase um terço da cerveja mundial ficaria entre as cinco maiores fusões na história corporativa e seria a maior aquisição de uma companhia britânica.

Depois de repetidas recusas de sua rival mais próxima em tamanho, a AB InBev disse nesta terça-feira que está disposta a pagar 44 libras em dinheiro por ação da SABMiller, com uma alternativa parcial em ações com desconto e limitada a 41 por cento das ações da SABMiller. A SABMiller disse que indicou à AB InBev que seu Conselho estaria preparado para aceitar a oferta e que pediu uma extensão de duas semanas do prazo estabelecido para que sua rival anuncie uma intenção firme de fazer a oferta. O novo prazo é 28 de outubro. 

Exportadoras
As ações de empresas voltadas à exportação ganharam força em dia de forte alta do dólar. Entre os maiores ganhos do índice, ficaram as ações das empresas de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 53,61, +4,20%), Suzano (SUZB5, R$ 18,37, +9,22%) e Klabin (KLBN11, R$ 22,90, +2,32%). A disparada da Suzano veio após seis quedas seguidas, quando acumularam baixa de 14%.  

Gol (GOLL4, R$ 3,81, -13,41%)
As ações da Gol voltaram a afundar no Ibovespa, dando continuidade à queda dos ADRs na véspera, quando o mercado brasileiro estava fechado. Os papéis recuaram em dia de alta do dólar, que afeta a companhia dado que cerca de 50% de seus custos são atrelados à moeda americana.   

CCR (CCRO3, R$ 12,74, +0,31%)
CCR teve sua recomendação elevada de manutenção para compra pelo Santander, citando “forte momentum” para as ações e agora razoável valuation. O preço-alvo para 2016 foi revisado de R$ 15,00 para R$ 14,00. Segundo os analistas do banco, a forte queda das ações (de 36% desde setembro de 2014) gerou uma oportunidade de compra para as ações. Eles consideram ainda a consistente e forte remuneração aos acionistas, com dividend yield (dividendos/ação) entre 6% a 9% estimado para 2016 e 2017. 

Na mesma linha, o Citi reiniciou hoje cobertura das ações da CCR com recomendação de compra, mas cortou o preço-alvo de R$ 17,50 para R$ 16,00. 

Ainda sobre a CCR, a Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro (Setrans) informou que recebeu da CCR Barcas, concessionária da CCR que opera o sistema de transporte aquaviário no Estado, pedido de negociação amigável para devolver a concessão, cujo contrato vale até 2023. Segundo a secretaria, uma nova licitação pode ser realizada.

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CCR assumiu o controle da concessionária Barcas em julho de 2012, com a compra de 80% dos papéis da empresa. A empresa opera seis linhas, oito estações e 24 embarcações, com o transporte diário de mais de 100 mil passageiros.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 54,47, -7,36%)
As ações do Pão de Açúcar caíram forte após dados operacionais do terceiro trimestre. Após os números, o JPMorgan cortou a recomendação das ações de neutra para underweight (exposição abaixo da média), assim como o preço-alvo, que passou de R$ 84,00 para R$ 65,00 por ação. 

A receita líquida total do Pão de Açúcar somou R$ 16,1 bilhões no período, com destaque para o crescimento de 7,3% no segmento Alimentar, desempenho acima do setor, impulsionado pelo forte desempenho do Assaí, recuperação dos hipermercados e resiliência das demais bandeiras de alimentos, reforçando a importância de estratégia multiformato, comentaram os analistas da XP Investimentos. No conceito “mesmas lojas”, o segmento alimentar cresceu 3,3%, patamar superior ao segundo trimestre (1,8%) e primeiro semestre (2,7%). 

Apesar da forte queda do ativo, a XP segue cética com o segmento de supermercados. O Grupo Pão de Açúcar não tem conseguido repassar a inflação no conceito “mesmas lojas”, demonstrando que mesmo o segmento alimentar vem passando por uma desaceleração forte. “Aliado a isso, segue em forte queda as vendas da Via Varejo (VVAR11, R$ 4,52, -2,80%), como já acreditávamos que iria ocorrer, com restrição ao crédito e economia em recessão”, comentaram os analistas.

PDG Realty (PDGR3, R$ 2,42, -14,18%)
A PDG Realty informou que vai adiar a amortização e pagamento da remuneração das debêntures previsto de 10 de outubro para 10 de novembro.