Virada de cenário

The Sandbox se junta a outras criptomoedas e entra em tendência de queda

Token SAND caiu abaixo da média de 200 dias pela primeira vez desde julho do ano passado

Por  CoinDesk -

O token nativo da The Sandbox (SAND), plataforma de realidade virtual na Ethereum (ETH), se juntou ao restante das criptomoedas do mercado após semanas resistindo à tendência de queda.

Hoje cedo, a moeda registrou uma queda abaixo da média móvel de 200 dias, sinalizando um cenário desfavorável no mercado de criptomoedas. Segundo dados da Binance acompanhados pela plataforma de gráficos TradingView, a SAND caiu abaixo do nível crítico de US$ 2,93 nessa madrugada, alcançando seu menor valor desde 25 de janeiro. A última negociação abaixo da média móvel de 200 dias aconteceu em julho do ano passado.

No começo do mês, a The Sandbox introduziu um mecanismo de staking em soluções de escala, o Polygon, que permite que usuários façam stake do SAND sem precisarem se preocupar com as taxas de transação (os gas fees). No entanto, essa novidade não conseguiu segurar o tombo da média móvel de 200 dias.

Staking refere-se ao processo de segurar moedas em uma blockchain por um período específico de tempo para contribuir para sua segurança em troca de recompensas.

A medida, que representa a média do preço de fechamento no Tempo Universal Coordenado (UTC) nos últimos 200 dias, é um indicador técnico usado para identificar tendências a longo prazo. Nas finanças tradicionais, uma regra geral é que, se uma ação está sendo negociada abaixo da média móvel de 200 dias, a tendência é de queda.

A SAND, que disparou mais de 750% nos últimos três meses de 2021, é a última das grandes moedas a entrar em território de baixa abaixo da média móvel de 200 dias.

O Bitcoin (BTC), a criptomoeda de maior valor de mercado, registrou queda abaixo da média no final de dezembro do ano passado. Uma semana depois, o Ether (a segunda maior criptomoeda) e a AXS (moeda do jogo play-to-earn da Axie Infinity) seguiram o mesmo caminho. Grandes moedas de outros subsetores, como UNI, LINK, XMR, AAVE, PERP e YFI, também despencaram abaixo da média móvel de 200 dias no começo do ano.

O valor de mercado total das criptomoedas, excluindo o Bitcoin, ficou em US$ 936 bilhões até o fechamento da matéria, bem abaixo da média móvel de 200 dias, de US$ 1,29 trilhão. O nível foi alcançado em meados de janeiro.

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“Traders profissionais acompanham os índices de alto nível, como capitalização de mercado total das criptomoedas alternativas e valor de mercado total delas”, afirmou Jeetesh Tipe, fundador e CIO da MintingM, gestora de ativos de criptomoedas com base em Mumbai. “Essas duas métricas estão mostrando trading abaixo da média móvel de 200 dias, o que indicaria uma consolidação prolongada do cenário.”

Tipe acrescentou: “Historicamente, no mercado de criptomoedas, a queda abaixo dessa média móvel de 200 dias é acompanhada de uns dois trimestres de consolidação e uma subida renovada. Manter BTC em carteira nessas situações serve para proteger a descida e reduzir a volatilidade no portfólio geral”.

Já Ravi Jain, estrategista independente do mercado e entusiasta de criptomoedas, discorda. “Grandes moedas abaixo da média móvel de 200 dias talvez sejam um indicador de que, mais à frente, o mercado vai sofrer”, disse Jain em entrevista à CoinDesk pelo WhatsApp. “Três meses atrás, quando o Bitcoin não conseguiu sustentar sua alta histórica com medo de aumento das taxas do Fed, tivemos o sinal perfeito de uma tendência de alta. Desde então, o BTC despencou e outras moedas também.”

Para Jain, “criptomoedas alternativas podem sangrar mais, visto que o mercado do Bitcoin não mostra sinais de vendas irrefreadas ou capitulações por holders de longo prazo e o fundo pode estar longe de ser alcançado”.

Se a tendência de queda da SAND se estabelecer abaixo da média, mais perdas podem estar a caminho. O gráfico abaixo mostra como o mercado no geral teve uma pressão mais substancial para venda após a queda abaixo da média móvel de 200 dias do valor total de mercado das altcoins, em meados de janeiro.

Ainda assim, como indicador único, a média móvel de 200 dias nem sempre é confiável.

“Eu utilizo bastante a média móvel de posições compradas. Outras pessoas também. Mas entenda que é um indicador lento. Então, deveria ser usado junto com outros indicadores, nunca só”, afirmou Eddie Tofpik, chefe de análise técnica e analista de mercado sênior na ADM Investor Services International, que tem sede em Londres.

Fatores macroeconômicos aparentam estar alinhados à tendência de baixa. “A curto prazo, as tensões na Europa podem ser um fator essencial”, disse Griffin Ardern, trader de volatilidade da gestora de criptoativos Blofin. “Em uma situação tensa, investidores vão priorizar commodities como ouro e petróleo bruto, e não ações de risco e criptomoedas.”

Hoje cedo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a invasão de tropas no leste da Ucrânia, fazendo subir o preço do ouro e descer o preço do mercado de ações. Até agora, o Bitcoin permanece sem grandes mudanças. “Se o Bitcoin e o Ether não se recuperarem, a maioria dos investidores não vai partir para outras altcoins”, declarou Ardern. Ele ainda afirmou que não existe uma razão para fazer o mercado cripto subir no momento e que a queda provavelmente vai continuar, com o possível anúncio do Fed de aumento das taxas em março.

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