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A revista britânica The Economist avaliou que a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma ameaça concreta à candidatura presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.
Em reportagem publicada nesta quinta-feira (14), a revista afirmou que a revelação de pedidos milionários feitos por Flávio para financiar um filme sobre o pai provocou turbulência política dentro da direita brasileira e aumentou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do senador.
Segundo o Intercept Brasil, Flávio teria solicitado R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para a produção do longa Dark Horse. Desse total, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.
A revista destacou que o episódio produziu reação imediata em setores do campo conservador.
“Partidos de direita imediatamente começaram a falar sobre a possibilidade de lançar um candidato alternativo”, escreveu a The Economist.
A publicação também afirmou que o caso teve reflexos no mercado financeiro e nas apostas eleitorais.
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Segundo a revista, Flávio perdeu posição nas plataformas de apostas ligadas à corrida presidencial, enquanto cresceu a percepção de fortalecimento político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reportagem menciona ainda que o real e o principal índice da Bolsa brasileira registraram queda em meio à repercussão do caso e à leitura de investidores sobre o impacto político da crise.
Ao contextualizar o episódio para leitores estrangeiros, a The Economist descreveu Daniel Vorcaro como um “banqueiro desonrado” e afirmou que a associação entre o empresário e o senador atingiu diretamente a imagem pública do principal nome do bolsonarismo para a sucessão presidencial.
Vorcaro está preso e é investigado por suspeita de participação em um esquema bilionário envolvendo o Banco Master.
A revista também apontou preocupação dentro da própria direita com possíveis novos desdobramentos das investigações. Segundo a publicação, aliados de Flávio já trabalham com a hipótese de que outros adversários do PT possam acabar associados ao banqueiro caso o caso continue avançando.
No dia seguinte à divulgação das mensagens pelo Intercept, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou, em entrevista à GloboNews, que os valores divulgados não correspondem à realidade.
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O senador sustenta que buscava apenas patrocínio privado para uma produção privada sobre a trajetória do pai.
Mario Frias (PL-SP), apontado como roteirista do filme, também saiu em defesa da produção e classificou as acusações como uma tentativa de sabotagem política dentro da própria direita.
A The Economist dedicou parte da análise ao cenário eleitoral brasileiro e ao movimento recente do presidente Lula para ampliar interlocução internacional.
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A revista citou o encontro entre Lula e Donald Trump na semana passada e observou que a aproximação entre os dois presidentes gerou desconforto entre aliados de Bolsonaro.
Segundo a publicação, a relação cordial exibida por Trump e Lula afeta um dos ativos simbólicos mais explorados pelo bolsonarismo nos últimos anos, que é a associação política e ideológica com o presidente americano.