Balanço da construtora

Tenda (TEND3) tem resultado do 4º tri para ser “esquecido” com prejuízo e margem negativa; ação desaba 25%

Segundo a empresa, o resultado foi impactado pelo andamento de obras devido as revisões orçamentárias.

Por  Equipe InfoMoney, Augusto Diniz -

A Tenda (TEND3) registrou prejuízo líquido de R$ 268,5 milhões no quarto trimestre de 2021 (4T21), revertendo lucro de R$ 72 milhões observado no quarto trimestre de 2020.

Com resultados considerados bastante fracos, a ação fechou a sessão desta sexta-feira (11) com uma derrocada de 25,14%, a R$ 9,17.

Segundo a empresa, o resultado foi impactado pelo andamento de obras devido as revisões orçamentárias.

O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi negativo em R$ 216,9 milhões no 4T21, contra resultado positivo de R$ 110,2 milhões no 4T20.

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A receita líquida somou R$ 517,2 milhões entre outubro e dezembro do ano passado, baixa de 24,6% na comparação com igual etapa de 2020.

A companhia finalizou esse trimestre com um resultado financeiro negativo de R$ 24milhõese no acumulado negativo em R$ 60 milhões. O desempenho do ano foi prejudicado dado que a rentabilidade das aplicações (benchmark100% CDI) sobre uma posição de caixa livre menor não conseguiram fazer frente ao custo de dívida que vem aumentando com a captação de dívidas adicionais desde o início da pandemia.

A provisão para perdas (PDD), apresentou reversão de R $10 milhões neste trimestre encerrando ano em R$ -25 milhões (+56% a/a).

O prejuízo bruto ajustado totalizou R$ 56,6 milhões no 4T21, revertendo lucro bruto ajustado de R$ 216,4 milhões no mesmo trimestre de 2020.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) atingiu -14,1% no 4T21, queda de 28 p.p. na comparação com igual etapa de 2020.

Já retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) foi de -6,9% no trimestre, recuo de 26,5 p.p. em relação ao mesmo trimestre de 2020.

As despesas gerais e administrativas (G&A) totalizaram R$ 53 milhões no 4T21, aumento de 39% na comparação com o 4T20.

Números não foram bons

Para analistas de mercado, os resultados da construtora foram fracos.

O Credit Suisse destaca que a Tenda é a primeira empresa do setor a apresentar margem bruta negativa no trimestre como reflexo de derrapagens de custos e necessidade de revisões orçamentárias.

Analistas do Credit Suisse acreditam que o setor como um todo pode enfrentar efeitos semelhantes, já que a pressão inflacionária pode vir dos custos de materiais ou mão de obra, que podem começar a subir em breve. Como tal, parece provável que o mercado atribua um custo de capital próprio mais alto para as construtoras por enquanto. Embora a Tenda tenha apresentado estratégias claras para recuperar sua margem, o banco prefere ver sinais claros de melhora antes de se posicionar no setor.

O banco mantém classificação neutra para Tenda, e preço-alvo de R$ 23 frente a cotação de quinta-feira (10) de R$ 12,25.

Em relatório, a XP destacou em título que a companhia teve “outro trimestre para esquecer”.

“A Tenda divulgou resultados fracos no 4T21, prejudicados por um aumento de custos bem acima das expectativas, levando a margem bruta ajustada para -10,9%, bem abaixo da nossa estimativa de 21,9%, e negativamente impactada por uma inflação de custos de construção ainda forte, perda de produtividade mais forte do que o esperado devido à pandemia e uma falha estratégia de orçamento de infraestrutura”, apontam os analistas da casa.

Mas, apesar dos resultados financeiros fracos, no lado operacional a Tenda apresentou números sólidos, em grande parte impulsionados por lançamentos robustos de R$ 836 milhões no período, avalia a XP.

O Bradesco BBI também destaca que “esse foi um trimestre para esquecer”.

“Os resultados do 4T21 vieram significativamente mais fracos do que o esperado, mesmo permitindo os impactos contábeis que o fazem parecer ainda pior (margem bruta negativa no trimestre inclui a reversão de períodos passados e não é o que a Tenda está realmente produzindo)”, apontam.

Neste sentido, embora parte da significativa redução do consenso nos lucros para 2022 possa se refletir no acumulado do ano de -27% no desempenho das ações (versus -4% para seus pares de baixa renda), os impactos dos níveis de custos mais altos sustentados sugerem que o caminho para a recuperação será apenas gradual ao longo de 2022 e 2023, mesmo considerando as mudanças potencialmente positivas que estão sendo discutidas em termos do programa Casa Verde e Amarela, aponta o BBI.

“Além disso, ainda nos falta visibilidade sobre se a guerra na Ucrânia levará a gargalos adicionais nas cadeias de abastecimento de materiais (por exemplo, aço e alumínio), e potencialmente outra onda de revisões orçamentárias. Neste sentido, enquanto aplaudimos e confiamos na transparência e na vontade da administração de revisar alguns dos principais pilares estratégicos da empresa (que podem desacelerar temporariamente os lançamentos e reduzir o SoS – velocidade das vendas – enquanto a Tenda estabelece uma nova estratégia de preços), deixamos o resultado do 4T21 com a impressão de
que pode ser muito cedo para afirmar que o momento ruim da Tenda já terminou”, destacam.

Sem ilusões

Rodrigo Osmo, diretor-presidente da Tenda, disse nesta sexta, em teleconferência de apresentação do balanço, “não ter ilusão do resultado”.

“O que aconteceu com esse impacto tão agudo em 2021, acelerou o posicionamento competitivo da Tenda. Nenhum player consegue operar de forma rentável no Programa Casa Vede e Amarela, mesmo com as reconstruções de margem que vão ser feitas – mas o universo pequeno de empresas vai conseguir atuar”, afirmou.

Por outro lado, o executivo disse que o programa do governo de R$ 60 bilhões de orçamento por ano, já tem de R$ 8 a 9 bilhões de subsídios carimbados para casa popular.

“Todos os incentivos do mundo para que esse dinheiro seja aplicado para trabalhar. A dúvida não é se vai existir programa habitacional, a dúvida é se dentro dessas restrições de custo e dentro da restrição de renda da população, como vão ser distribuídos esses R$ 60 bilhões de empréstimo e R$ 9 bi de subsídios”, comentou.

“Quem for o player mais eficiente é quem vai conseguir capturar a maior participação. A gente acredita que a Tenda tá posicionada e é o player que vai ser mais eficiente nesse jogo”.

O diretor-presidente da Tenda, uma das principais construtoras de atuação no programa habitacional do governo federal, disse que a empresa “tem o ano de travessia de construção de volume, de reconstrução de imagem e estabilização de balanço, mas as perspectiva nossa de longo prazo ela nunca foi tão luminosa”.

Ex-CFO e atual diretor de operação lamentou também os resultados

Renan Barbosa Sanches, diretor de Operações da Tenda, explicou que, em maio do ano passado, quando foi decidido que ele deixaria o cargo de CFO da empresa no final de 2021, “nem de longe a gente tinha perspectiva do tamanho que esse negócio ia tomar: sucessivo aumento de aço e de outras matérias-primas ao longo do ano”.

Segundo ele disse a analistas de mercado, “o momento de transição está bem diferente do que a gente imaginou” – Renan Barbosa passou a ser diretor de Operações da Tenda no início desse ano.

“Quando a gente definiu que faria essa transição no final do ano, não era do plano original que tudo isso acontecesse nesse cenário. Isso é uma pena: adoraria deixar a área em um momento mais tranquilo que a gente está deixando, mas todo o planejamento inicial não contava com a volatilidade que viveu”, disse, se referindo aos resultados ruins da companhia apresentados no balanço do 4T21.

“Fico feliz de poder ajudar (agora como diretor de operações) e passar esse momento que estamos vivendo, que está gerando fatta de eficiência, toda essa instabilidade”, finalizou.

Quem assumiu, no início de 2022, como novo CFO da Tenda foi Marcos Pinheiro Filho.

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