Taxas futuras de juros recuam, mas riscos internos seguem no radar do investidos

Queda compensa parcialmente disparada registrada na sexta-feira

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 Após a disparada da última sexta-feira, as taxas dos DIs fecharam a segunda-feira, 10, em baixa firme, em especial entre os contratos com prazos longos, em meio a ajustes técnicos antes da divulgação de dados econômicos importantes no Brasil e no exterior, enquanto nos EUA os rendimentos dos Treasuries subiram.

A queda das taxas futuras nesta segunda-feira, no entanto, compensou apenas em parte o forte avanço de sexta, quando as taxas longas chegaram a subir mais de 60 pontos-base em meio a ruídos sobre o cenário fiscal brasileiro.

No fim da tarde desta segunda-feira a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 — que reflete a política monetária no curtíssimo prazo e foi uma das poucas a subir na sessão — estava em 10,67%, ante 10,624% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 11,28%, ante 11,317% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,59%, ante 11,695%.

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Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2029 estava em 11,93%, ante 12,068%, e o contrato para janeiro de 2031 marcava 12,05%, ante 12,21%.

Na sexta-feira, rumores de que o governo teria sinalizado a possibilidade de mudanças no atual arcabouço fiscal aceleraram o avanço das taxas na reta final do dia e fizeram disparar uma série de ordens de stop loss (parada de perdas) na curva, o que amplificou o movimento.

Quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, desmentiu as especulações sobre o arcabouço, já no fim da tarde de sexta-feira, o estrago na curva a termo já estava feito — as taxas dos contratos mais longos já haviam encerrado acima de 12%.

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Assim, nesta segunda-feira as taxas dos DIs passaram por ajustes de baixa desde o início da sessão. Às 9h18, a taxa do contrato para janeiro de 2027 — um dos mais líquidos — marcou a mínima do dia de 11,520%, em baixa de 18 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.

Este movimento baixista, no entanto, encontrou vários atenuantes.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries subiam em toda a curva, com investidores se preparando para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) e para a decisão de política monetária do Federal Reserve, ambos na quarta-feira.

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No Brasil, profissionais citavam o desconforto com o cenário fiscal ainda que, na sexta-feira, Haddad tenha descartado a possibilidade de mudanças no arcabouço. Além disso, havia certa cautela antes da divulgação do índice oficial de inflação, o IPCA, na manhã de terça-feira.

“Foi bem delicado o pregão de sexta-feira, (ele) machucou muita gente por aí. O mercado já estava apertado e vieram as informações ‘perdidas’ relacionadas ao Haddad”, comentou o gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, Cleber Alessie Machado.

“Hoje o mercado corrige uma fração do que (a curva) abriu na sexta, ainda mais porque começa a fazer apostas para a divulgação do IPCA na manhã de terça”, acrescentou.

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Pela manhã, durante evento virtual, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a afirmar que a possibilidade de o mercado de trabalho apertado afetar inflação de serviços é uma preocupação, embora esse impacto ainda não tenha sido observado no Brasil.

“Ainda há essa ideia, embora isso não esteja acontecendo mecanicamente agora, de que em algum momento o mercado de trabalho muito apertado pode afetar a inflação de serviços de uma forma que seria uma ameaça para convergência de inflação no médio prazo”, afirmou.

Campos Neto também alertou que o prêmio de risco do Brasil medido pelos títulos do Tesouro Nacional atrelados à inflação, que estão com remuneração real acima de 6,3% ao ano, está muito alto.

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“É um juro real alto quando você pensa na importância desse elemento para a estabilidade da dívida pública no longo prazo”, disse.

Neste cenário, perto do fechamento desta segunda-feira a precificação da curva indicava 85% de chances de manutenção da Selic em 10,50% ao ano no encontro deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A probabilidade de que o colegiado poderá aumentar em 25 pontos-base a Selic este mês — possibilidade que passou a ser considerada por parte dos investidores na última sexta-feira, em meio aos ruídos da sessão — estava precificada em 15%. Na sexta, a probabilidade de manutenção estava em 95% e havia outros 5% precificados no sentido de alta da Selic.

Pela manhã, o BC informou que a mediana das projeções de economistas para a inflação em 2024 no relatório Focus subiu de 3,88% para 3,90% e em 2025 de 3,77% para 3,78% — neste caso, a sexta semana consecutiva de elevação.

Às 16h48, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 4 pontos-base, a 4,467%.

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