Tarpon compra parte da Abril Educação; B2W sobe 8% e mais 14 ações foram destaque

Marfrig chega a 8 altas em 9 pregões, enquanto a Gol atinge 4º dia de forte queda pressionada pelo dólar

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SÃO PAULO – Apesar do dia negativo, o cenário no Ibovespa ficou dividido nesta quarta-feira (4), com 7 das 71 ações do índice subindo mais de 2%, enquanto 2 papeis tiveram perdas de mais de 2%. Mesmo assim, pesou para o benchmark o desempenho negativo de empresas com maior peso no índice, como siderúrgicas, bancos e a Petrobras (PETR3; PETR4), que liderou as perdas do dia.

As ações ordinárias da estatal caíram 1,32%, cotadas a R$ 15,75, enquanto as preferenciais recuaram 1,78%, para R$ 16,60, após informações da Bloomberg apontarem que o ministro da Fazenda, Guido Mantega teria barrado um reajuste de preços nos combustíveis. De acordo com a agência de notícias, o ministro teria recusado a alta dos preços em abril e maio, pedindo mais produção da petrolífera.

Os executivos da empresa, no entanto, vêm alertando o ministro de que os subsídios contínuos poderiam resultar em um eventual rebaixamento de rating e aumento de custos de financiamento. Desde o ano passado, Mantega tem pressionado a estatal a aumentar a produção para reduzir a importação. Em maio, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, defendeu que precisa ser feito um aumento nos preços dos combustíveis a médio e longo prazo, mas não falou em data nem percentual.

Marfrig
Na ponta positiva, mais uma vez o destaque ficou com a Marfrig (MRFG3), que viu suas ações subirem 2,40%, cotados a R$ 5,55, atingindo sua 8ª valorização nos últimos 9 pregões. Nas últimas 7 sessões, os papéis da companhia acumulam ganhos de 10,78%. O movimento segue a forte alta de maio, quando as ações encerraram o mês como a melhor ação do Ibovespa. 

Na última semana o Citi elevou a recomendação do papel para compra, com preço-alvo de R$ 6,75. Os analistas argumentaram que uma nova administração sênior da BRF, JBS Foods e as divisões Keystone e Moy Park, da Marfrig, combinados com ganhos de produtividade ou de sinergia colaboraram para que as companhias atingissem um estágio de desenvolvimento mais atrativo. Além disso, eles citaram o foco na gestão de capital de giro e desalavancagem após um período de fusões e aquisições, especialmente para BRF e Marfrig, e um dólar mais favorável às exportações até 2015.

B2W
As ações da B2W (BTOW3) dispararam 8,01%, a R$ 31,54, nesta sessão. Chamou atenção também o volume financeiro, que cehgou a R$ 24,55 milhões, bem acima da média diária dos últimos 21 pregões de R$ 5,847 milhões. 

Segundo o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, não há nenhuma notícia no radar da empresa hoje, mas o que pode estar ocorrendo é uma antecipação do fluxo de investidores para a entrada da ação na carteira do MSCI Brazil, índice de referência para muitos fundos de investimentos, que deve acontecer na a partir do dia 6.

Na última sexta-feira, os papéis da empresa saltaram 10,9% com a novidade de que a ação da empresa entraria no índice, numa alteração extraordinária em função do aumento de capital da companhia. Como os fundos precisam ajustar suas carteiras, o analistas explica que eles já podem estar se antecipando a entrada do papel no MSCI. Nos últimos quatro pregões, as ações da B2W subiram 21,5%, alcançando o maior patamar desde janeiro de 2011. 

Abril Educação
A Abril Educação (ABRE11) confirmou nesta manhã a entrada da Tarpon (TRPN3) no seu bloco de controle. O acordo estabeleceu que a gestora pagará R$ 35,00 por cada unit da empresa, 9,4% acima do preço do fechamento de ontem (R$ 32,00). Como era de se esperar, os ativos ABRE11 dispararam 8,44%, para R$ 34,70. 

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As especulações em torno da venda de uma parte da Abril Educação pela família Civita e a Abrilpar (controladores da empresa) já veiculavam na Bovespa e inclusive impulsionaram as units da companhia nos últimos meses. Do final de março até ontem, eles acumularam ganhos de 28%. 

Segundo fato relevante, a Tarpon comprará 32.880.263 ações ordinárias e 19.142.468 ações preferenciais atualmente nas mãos da família Civita e Abrilpar, pelo valor de R$ 11,67 por papel. O investimento totalizará R$ 607,1 milhões.

Bancos
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) disse nesta manhã que estima que o valor correto do pedido de ação indenizatória para cadernetas de poupança por perdas com planos econômicos, atualmente no STF (Supremo Tribunal Federal), é de cerca de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. Na semana passada, o Supremo adiou novamente o julgamento, que está na pauta desde novembro de 2013. Segundo a LCA Consultores, o impacto máximo da decisão pode chegar a R$ 341 bilhões.

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Nesta sessão, Banco do Brasil (BBAS3, -0,26%, R$ 23,09), Bradesco (BBDC3, -1,09%, R$ 31,90; BBDC4, -0,86%, R$ 31,23), Itaú Unibanco (ITUB4, -1,14%, R$ 34,83), Itaúsa (ITSA4, -0,35%, R$ 8,54) e Santander (SANB11, -0,77%, R$ 15,37) fecharam todas em queda.

Exportadoras
As ações das exportadoras caíram hoje em meio a decisão do governo em reduzir o prazo das operações externas sujeitas à tributação de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A partir de hoje, os empréstimos externos com prazo médio mínimo de até 180 serão taxados a uma alíquota de 6%. Antes, o prazo era de até 360 dias. 

Para especialistas, o governo ameniza essa barreira visando segurar uma desvalorização do real, a fim de diminuir a chance do câmbio ser um fator inflacionário adicional. Ontem, o Banco Central voltou a intervir mais pesado no câmbio, dobrando a oferta de swaps, mas ainda assim a moeda americana fechou em alta de 0,12%. 

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Na Bolsa, as ações das exportadoras que registraram quedas. Os papéis da Fibria (FIBR3, -0,81%, R$ 22,18) e as siderúrgicas Usiminas (USIM5, -0,50%, R$ 7,89), CSN (CSNA3, -0,34%, R$ 8,81), Gerdau (GGBR4, -1,08%, R$ 13,73) e Gerdau Metalúrgica (GOAU4, -0,88%, a R$ 16,85) registraram perdas nesta sessão.

Suzano
A Suzano (SUZB5) virou para alta após chegar a cair 1,65%, fechando com valorização de 1,30%, a R$ 8,60. Nesta manhã, a empresa anunciou a compra da totalidade de quotas da Vale Florestar FIP, por R$ 528,9 milhões. As quotas do Fundo Vale Florestar são detidas pela Vale, BNDESPar, Funcef e Petros. Segundo a XP, apesar do alto endividamento da companhia, a mesma pagará o montante em parcelas anuais em um prazo entre 10 e 15 anos, reduzindo o dispêndio de capital no curto prazo. No setor de papel e celulose, os analistas reiteraram preferência pelas ações da Suzano. Apesar da queda das ações, a Planner viu a notícia como positiva para a empresa no sentido de garantir abastecimento de madeira à sua nova unidade industrial.

Gol
A Gol (GOLL4) atingiu sua quarta queda consecutiva ao desvalorizar 2,21% nesta sessão, a R$ 12,37 – com isso, as perdas da companhia neste período chegam a 11%. O desempenho negativo ocorre em um cenário de forte valorização do dólar, que nestas 4 sessões registrou alta de 2,68%, fechando hoje a R$ 2,2836 na venda.

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Apesar das quedas, o diretor executivo de operações da empresa, Sérgio Quito, afirmou hoje que o resultado de vendas de passagens para o período da Copa do Mundo superou as expectativas. Segundo ele, o resultado ficou “bastante acima das previsões”. “Em termos de vendas de passagens, apesar da redução do turismo executivo, o impacto foi menor do que esperávamos. Estamos muito confiantes no resultado, as vendas ficaram bastante acima das previsões para o período de junho e julho”, destacou Quito.

Dufry
Fora do Ibovespa, chamou atenção as BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da Dufry (DAGB33), que dispararam 6,87%, a R$ 397,49. Os papéis refletem o anúncio de que a empresa fez um acordo para comprar o grupo suíço Nuance por 1,55 bilhão de francos suíços, ou US$ 1,728 bilhão. A aquisição do sexto maior grupo do setor permitirá à Dufry se confirmar como líder global no varejo aeroportuário, alcançando 15% de participação de mercado no mundo, com presença em 239 aeroportos e cerca de 1.750 lojas. 

A compra será feita por meio de dívida e recursos disponíveis, informou a Dufry, acrescentando que a operação permitirá sinergias de 70 milhões de francos suíços nas operações da Nuance.

Ex-OGX e OSX
As ações da ex-OGX (OGXP3) fecharam com queda de 5,00%, a R$ 0,19, enquanto a OSX Brasil (OSXB3) caiu 2,04%, para R$ 0,48, depois da tão esperada confirmação de que seus credores aprovaram o plano de recuperação judicial na véspera. Chamou atenção o volume financeiro movimentado com os papéis. O giro financeiro da ex-OGX alcançou R$ xxxx milhões, superando a média diária dos últimos 21 pregões de R$ 5,703 milhões, assim como o da OSX, que atingiu R$ 784,3 mil, acima da média de R$ 508,1 mil. 

Pelo plano aprovado ontem, a maior fatia da dívida ficará com os credores que injetarem recursos novos (US$ 215 milhões) na companhia, com 65% da petroleira. Os donos da dívida antiga, como o estaleiro OSX Brasil, ficarão com 25%. Os atuais acionistas terão os 10% restantes. Eike Batista fica com 5,02% e os minoritários com 4,48%. 

Em comunicado enviado ao mercado, a empresa disse que tal aprovação representa um importante marco no processo de reestruturação do Grupo OGX como um todo, na medida em que corrobora a viabilidade da implementação do plano de recuperação e contribui para a saída da companhia e de suas controladas da recuperação judicial, sem dívidas financeiras e com capacidade revigorada de conduzir suas atividades, cumprindo o seu objeto e atendendo à sua função social.

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.