Sustentabilidade nos imóveis é alternativa possível e economicamente viável

Informalidade e carência de profissionais qualificados são principais entraves à disseminação da sustentabilidade

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SÃO PAULO – Tornar um imóvel sustentável é possível e economicamente viável. Existem, no mercado, soluções e produtos que possibilitam a sustentabilidade. Entretanto, a falsa noção de que a construção sustentável custa caro, aliada à informalidade e à falta de recursos humanos capacitados para a questão, constituem os principais entraves à introdução de práticas sustentáveis no setor.

Segundo Vanderley John, conselheiro do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), as soluções existentes não são utilizadas e, além disso, “a informalidade reduz drasticamente a possibilidade de políticas públicas sustentáveis”. Quando isso não acontece, há ainda a questão de “agentes privados e públicos mal preparados para a questão”, explica.

Sustentabilidade completa

Jonh afirma que a contribuição da indústria imobiliária nos setores social e econômico é aceitável, mas, para se tornar sustentável, o setor precisa incorporar mais um item – o meio-ambiente – e, desse modo, completar o tripé da sustentabilidade.

“Para equilibrar os impactos ambientais e sociais com os resultados econômicos, é fundamental que não se pense apenas na etapa de construção. O foco é o ciclo de vida do edifício, pois a maior parte dos impactos ambientais e sociais ocorre ao longo da escolha e compra de matéria prima, da operação do edifício e da gestão de reaproveitamento de resíduos”, recomenda.

Ações específicas

Segundo o Instituto Akatu, a necessidade da construção sustentável tem uma ligação direta com a problemática das mudanças climáticas. Apesar das questões serem globais, as soluções devem ser necessariamente locais. No Brasil, o foco das ações pode estar no uso da madeira, buscando meios de evitar o desmatamento das florestas tropicais e da Amazônia.

“A construção sustentável não tem receitas nem modelos universais. Ela depende da otimização de soluções para locais e projetos específicos: o desafio é buscar soluções que entreguem ao ser humano o ambiente construído com conforto, menor impacto ambiental possível e maximizando os benefícios para a sociedade como um todo”, explica John.

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O conselheiro do CBCS afirma que, no Brasil, as melhores soluções de construção sustentável, como no caso de redução do consumo de energia elétrica nas residências e a padronização das bacias sanitárias com capacidade de 6,8 litros, foram encontradas internamente. Por isso, o especialista entende que é um erro usar certificações globais para atestar a sustentabilidade dos novos imóveis.

Reformas

Especialistas, entretanto, alertam que as novas construções podem contribuir para resolver apenas uma parcela pequena do problema. É necessário também investir em reformas. O consumidor deve saber do potencial que tem para reduzir o consumo de água, de energia e melhorar a segregação do lixo. As sugestões envolvem a substituição de uma fachada por vidro e a troca dos equipamentos de ar condicionado, ações que podem reduzir o consumo de energia em até 50%.