Stone (STOC31) reporta resultados sólidos, mas ações fecham em queda de 6% na Nasdaq; analistas veem 1º tri “já precificado”

Ação subiu 27% em 30 dias, investidores anteciparam em grande parte notícias positivas e devem realizar lucros nas próximas sessões, diz BBI

Felipe Moreira

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A empresa de pagamentos Stone (STOC31) registrou lucro líquido ajustado de R$ 236,6 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 455,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em relação ao quarto trimestre de 2022, o crescimento do resultado foi de 16,1%, de acordo com balanço publicado pela empresa na última quarta-feira (17).

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 1,284 bilhão, alta de 173,4% no comparativo anual. Com ajustes relacionados à fatia da Stone no Banco Inter, que foi vendida em bolsa no trimestre, o Ebitda foi de R$ 1,251 bilhão, alta de 55,7% no mesmo intervalo de comparação.

Analistas de mercado destacaram que os resultados foram positivos. Contudo, a sessão pós-balanço foi bastante negativa para as ações da companhia, negociadas na Nasdaq. Os ativos fecharam em queda de 6,07%, a US$ 13,62, com alguns analistas apontando para um movimento de realização após fortes sessões de alta, com parte do mercado já esperando o balanço positivo e precificando isso nos últimos dias.

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A equipe de research do Credit Suisse avalia que a Stone entregou fortes resultados, com crescimento sólido do volume total de pagamentos (TPV, na sigla em inglês), aumento do take rate (comissão cobrada dos lojistas nas transações) e bom controle de custos.

A taxa de aceitação do MSMB (micro, pequenas e médias empresas, em inglês) atingiu 2,39%, um aumento 18bps no trimestre e 13bps acima das projeções do Credit, “devido aos aumentos de preço do quarto trimestre, maior penetração de produtos bancários, juntamente com melhor mix de clientes e participação sazonalmente maior nos volumes de cartão de crédito”, explicam analistas do banco suíço.

O Credit Suisse pontua que o momento do lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) é positivo, mas a projeção de taxas de juros mais baixas permanecem cruciais para tornar a avaliação do papel atraente.

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“A Stone vêm atuando muito bem no negócio de adquirência, ganhando market share com rentabilidade sólida”, comenta o Credit Suisse. “No setor bancário, a plataforma está evoluindo e as adições líquidas estão chegando fortemente a 560 mil (132 mil no quarto trimestre), ajudadas por uma nova solução de conta digital para clientes TON.”

O Itaú BBA compartilha da mesma visão que Credit Suisse e avalia que a Stone reportou resultados bons e melhores do que o esperado no 1T23. O lucro líquido ajustado superou as estimativas do banco principalmente em uma combinação de take rate mais altas e custos operacionais menores. “Os volumes gerais enfraqueceram no trimestre, mas a Stone ganhou participação com os avanços em SMB enquanto continuou a ajustar os preços/mix para cima, o que compensou o negócio de software mais fraco”, completa o banco.

Para o Morgan Stanley, a Stone apresentou outro trimestre forte, superando as expectativas de lucro líquido ajustado em 13% e apresentando expansão sequencial da margem líquida, além de fornecer orientação para o 2T23 com lucro antes dos impostos e margem de lucro antes dos impostos acima das expectativas do mercado.

Do lado negativo, o TPV e a receita líquida de transações e assinaturas vieram mais fracos do que o esperado pelo Morgan Stanley. “Durante a teleconferência, a administração reiterou que espera mais expansão da margem ao longo do ano, devido à alavancagem operacional – forte crescimento da receita, suporte a iniciativas de controle de custos e uma melhoria gradual nos custos de financiamento.”

Segundo o BBI, os números da Stone foram impulsionados principalmente pelas receitas ligeiramente melhores e redução de custos, ficando acima da orientação para o trimestre de R$ 265 milhões.

O BBI comenta ainda que a empresa reportou um aumento de R$ 500 milhões em seu caixa ajustado no trimestre, beneficiado pela venda parcial de R$ 218 milhões de sua participação no Inter.

Em suma, o banco destaca que como as ações da Stone tiveram um desempenho muito bom nas últimas semanas (+27% em 30 dias), os investidores podem ter antecipado em grande parte notícias positivas e devem realizar lucros nas próximas sessões.

O JPMorgan, por sua vez, disse acreditar que a indústria de adquirência continuará desacelerando. Portanto, é importante favorecer os players que buscam continuamente a lucratividade por meio de aumentos de preços, especialmente direcionados às taxas líquidas e não ao TPV.

O Goldman explica que a surpresa positiva do crescimento lucro antes dos impostos (EBIT) de R$324 milhões foi impulsionado principalmente pelo resultado de receitas de pré-pagamento mais altas, enquanto as tendências de volumes de MSMB e taxas de remuneração foram principalmente positivas. Por outro lado, as receitas e margens de software ficaram abaixo das expectativas do banco.

Credit Suisse mantém avaliação neutra para ações da Stone, com preço-alvo de US$ 12. BBA mantém classificação market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro) e preço-alvo de US$ 11.

Já o Bradesco BBI mantém recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda) e preço-alvo US$ 6.