Destaques da Bolsa

Smiles dispara 6%, Petrobras afunda 6% e BRF desaba 20% em 4 pregões

Confira a atualização dos principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

SÃO PAULO – O mercado perdeu força na tarde desta quarta-feira (4), depois de uma manhã que parecia trazer continuidade do otimismo visto na véspera, quando o Ibovespa encerrou na sua melhor sessão do ano.

O movimento ocorre após discurso desta tarde da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, reforçar que a autoridade americana pode elevar os juros no próximo mês. Uma expectativa que fez pressão em ativos de peso da Bovespa: com as ações da Petrobras, Vale e Bradesco virando forte para queda e deixando para trás a euforia vista no mercado na ontem. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa:

Petrobras (PETR3, R$ 9,89, -6,34%; PETR4, R$ 8,08, -4,72%)
As ações da Petrobras viraram para forte queda nesta tarde, depois de terem disparado 10% na véspera com a arrancada do petróleo. O movimento ocorre juntamente com a virada do preço da commodity, discurso de presidente do Fed e preocupações sobre a greve dos trabalhadores da estatal. Lá fora, o petróleo brent caía 2,24%, a US$ 49,41, após dados mostrarem aumento dos estoques de petróleo nos Estados Unidos. 

Ontem, a Petrobras disse que estima que a greve de trabalhadores reduzirá em 8,5% a produção de petróleo do país na terça-feira e que 13% de gás deixará de ser disponibilizado na comparação aos níveis de produção diária anteriores à paralisação. O movimento coordenado pelas entidades sindicais interrompeu ou reduziu a produção de petróleo em diversas plataformas desde domingo. A Petrobras garantiu que não há previsão de desabastecimento de combustíveis no mercado.

Anteriormente, o Sindipetro-NF havia estimado que a greve reduziu a extração em 500 mil barris de petróleo entre domingo e segunda-feira, o equivalente a cerca de 25% da produção diária da estatal. Em relação ao impacto na segunda-feira, a Petrobras disse que houve queda de produção de 273 mil barris de petróleo, o que corresponde a 13% da produção diária no país.

Além da greve, a companhia anunciou ontem a renúncia de Clóvis Torres ao cargo de conselheiro suplente de Murilo Ferreira, presidente do conselho da estatal que pediu licença do cargo em setembro. Clóvis também renunciou à presidência do conselho da BR Distribuidora.

Vale e siderúrgicas
Juntamente com os papéis da Petrobras, as ações da Vale (VALE3, R$ 17,40, -1,97%; VALE5, R$ 14,08, -2,22%) intensificaram perdas nesta tarde, após fortes altas mais cedo seguindo notícias positivas vindas da China. Já as siderúrgica fecharam em sentidos mistos, com Usiminas (USIM5, R$ 2,91, -0,68%), CSN (CSNA3, R$ 4,96, -1,98%) e Gerdau (GGBR4, R$ 5,68, -3,40%). 

O governo chinês anunciou hoje seu plano de 5 anos para estimular a economia local. O Banco Central chinês, sem intenção, acabou impulsionando a alta das bolsas asiáticas ao divulgar plano já existente há 5 meses de ligação entre as bolsas de Xangai e Hong Kong previsto para começar em 2015. 

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Bancos
As ações do Bradesco (BBDC4, R$ 21,65, -2,01%) seguiram o mau humor do mercado após a fala de Yellen e caíram forte nesta sessão, descolando do restante do setor que ainda mantinha alta. O destaque de ganhos foi o Santander (SANB11, R$ 15,29, +3,66%), que subiu forte após anunciar programa de recompra de até 39 milhões de units até novembro de 2016. 

BRF
As ações da BRF (BRFS3, R$ 55,93, -3,27%) já afundam 20% nos últimos 4 pregões, após resultado desanimador do 3° trimestre, que trouxe preocupações sobre desaceleração das vendas no mercado doméstico. O movimento se seguiu mesmo após declarações de Abílio Diniz, presidente do conselho da companhia. Segundo ele, não há crise econômica no Brasil, mas sim uma crise política, que tem afetado a confiança de investidores, empresários e consumidores. 

Em meio ao movimento de derrocada dos papéis, operadores têm alertado para forte demanda pelo aluguel de BRF (instrumento usado, normalmente, por quem quer operar ‘vendido’ na Bolsa), que pode pressionar as taxas de empréstimo da ação no curto prazo. 

Cetip e BM&FBovespa
As ações da Cetip (CTIP3, R$ 36,70, -0,68%) viraram para queda, assim como os papéis da BM&FBovespa (BVMF3, R$ 12,31, -0,73%), após forte rali da véspera quando o mercado repercutiu anúncio de que as companhias negociam uma fusão. Hoje, o Itaú BBA rebaixou a recomendação das ações da Cetip para “market perform” (desempenho abaixo da média). 

Ontem à noite, a Cetip informou que são “inverídicas” informações publicadas pela imprensa de que a companhia está em negociações avançadas com a BM&FBovespa e que uma fusão das duas empresas deverá ser anunciada em breve. 

O comunicado veio depois da Cetip ter divulgado no início da terça-feira uma mensagem curta ao mercado afirmando apenas que foi contatada pela BM&FBovespa para “iniciar tratativas visando a alguma negociação entre as companhias”, mas que não existia até então “qualquer proposta sobre os termos e condições de uma eventual associação”. Ontem, as ações da Cetip e BM&FBovespa dispararam 8,36% e 8,77%, respectivamente, em meio à possibilidade de fusão.

A BM&FBovespa reiterou em comunicado ao mercado, nesta manhã, que não há definição quanto às fontes de recursos para financiamento ou eventual cronograma para possível fusão com a Cetip, tampouco deliberação quanto à distribuição de dividendos. 

Hypermarcas (HYPE3, R$ 21,50, +1,42%)
As ações da Hypermarcas estenderam os ganhos de 21% da véspera e renovaram o maior patamar desde julho, após venda de unidade de cosméticos para a Coty por R$ 3,8 bilhões. O anúncio levou cinco bancos a elevar as projeções para a empresa na véspera. (Para conferir, clique aqui). 

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Para o trader profissional, Wagner Caetano, que abriu “call” com o papel em 25 de setembro, a ação pode subir até R$ 23,84 com base nos gráficos. O primeiro objetivo da operação, no entanto, teria sido alcançado hoje em R$ 21,83. Até esta quarta-feira, a operação já deu ganho ao trader de quase 50% em cerca um mês. 

Equatorial (EQTL3, R$ 35,95, +2,83%)
A companhia de eletricidade Equatorial Energia teve lucro líquido de R$ 80 milhões no terceiro trimestre ante resultado positivo um ano antes de R$ 282 milhões. A empresa teve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) societário consolidado de R$ 365 milhões no período, queda de anual de 18,9%.

Para o Credit Suisse, o resultado foi bom, com Ebitda muito acima das expectativas, apesar dos volumes terem desacelerado muito. No trimestre, os analistas ressaltaram que o destaque foi a recuperação relevante da Celpa, que teve um resultado desastroso no trimestre passado, mostrando que o segundo trimestre foi realmente impactado pela proximidade com a revisão tarifária e que o case de “turnaround” do ativo continua. 

Marcopolo (POMO4, R$ 2,13, +8,12%)
A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo teve lucro líquido de R$ 8 milhões no terceiro trimestre, queda de 86% sobre sobre o resultado positivo obtido um ano antes. A produção da empresa despencou 49%, para 2.601 ônibus, entre julho e setembro. 

Segundo o Credit Suisse, o resultado foi fraco, refletindo o difícil ambiente para o setor automotivo no Brasil. No entanto, a resiliência do Ebtida veio como uma surpresa positiva, já que os analistas estavam esperando queda na margem. As perspectivas para a venda de ônibus continua desafiador, reforçada pelos dados da Fenabrave de outubro que mostraram mais deterioração. 

O resultado foi divulgado no mesmo dia em que a companhia informou que está mantendo tratativas para incorporar os 55% restantes da rival Neobus, em uma operação em ações avaliada em cerca de R$ 30 milhões segundo os preços de fechamento desta terça-feira. A empresa também cancelou mais uma etapa de pagamento de juros sobre capital próprio a acionistas.

Porto Seguro (PSSA3, R$ 31,35, -3,12%)
As ações da Porto Seguro tiveram a 5ª queda em seis dias após divulgação do balanço do terceiro trimestre, que trouxe lucro líquido de R$ 209 milhões, abaixo das estimativas compiladas pela Bloomberg, de R$ 254,1 milhões.  

Multiplus (MPLU3, R$ 34,80, -0,49%) e Smiles
A Multiplus, empresa de programas de fidelidade controlada pela TAM, registrou no terceiro trimestre lucro líquido de R$ 144,75 milhões, uma alta de 66,9% se comparado com o mesmo período de 2014. Já a receita líquida subiu 20,5% para R$ 384,5 milhões, enquanto a receita bruta avançou 21,3% para R$ 649,145 milhões. Os pontos emitidos entre julho e setembro recuaram 9,6%, enquanto os resgates cresceram em 2%.

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Segundo o BTG Pactual, o resultado veio forte, com lucro impactado positivamente por um resultado financeiro robusto. O banco reiterou recomendação de “compra” da ação. 

O Credit Suisse também ressaltou que os números foram fortes, mas trouxeram incertezas, como: a sustentabilidade da combinação de altas taxas de burn-earn (total de pontos acumulados no período sobre o total de pontos resgatados) com alto breakage (receita dos pontos expirados e não resgatados); depreciação do real começando a pressionar o crescimento de emissão de pontos para parceiros financeiros; aumento na diferença entre os preços da Multiplus e Smiles, em que a Multiplus está com preços 27% maiores do que a concorrente.

Na Bolsa, as ações da sua concorrente Smiles (SMLE3) dispararam 6,63%, a R$ 32,50 – na maior alta do Ibovespa -, antes da empresa divulgar seu balanço. Às 17h, com a Bolsa ainda aberta, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 98,6 milhões, com uma alta de 65,3% ante os R$ 59,6 milhões de um ano antes. A expectativa dos analistas do Santander era de um lucro de R$ 92 milhões.

A receita líquida da companhia subiu 55,9%, passando de R$ 223,9 milhões para atuais R$ 349,1 milhões, com o acúmulo de milhas avançando 15,6% e atingindo os 13,26 bilhões. Segundo a empresa, a melhora no resultado se deve pelo crescimento de 79,7% de seu lucro operacional e a evolução de resultado financeiro por conta do fim da amortização das debêntures.

BR Malls (BRML3, R$ 11,93, -0,58%)
Segundo informações do Valor, a BR Malls está em negociação para vender shoppings que integram a carteira da holding da empresa, enquanto a área de shoppings da Cyrela Commercial Properties (CCPR3) sondou empresas para negociar a venda de ativos da carteira ou buscar sócias, em conversas correndo desde o ano passado. 

Valid (VLID3, R$ 44,00, -0,54%)
A Valid fechou o terceiro trimestre do ano com crescimento de receitas e Ebitda, e um lucro relativamente estável. No período, a companhia viu sua receita crescer 31,7%, para R$ 451,3 milhões em relação ao igual período de 2014. Na mesma comparação, o lucro líquido ajustado teve queda de 1,8%, para R$ 43,5 milhões e o Ebitda ajustado cresceu 5%, para R$ 82,2 milhões. 

Segundo o Goldman Sachs, o balanço da companhia veio forte, guiado por melhores volumes fora do Brasil combinado com aumento do ticket médio no País e exterior. O banco reiterou recomendação de compra das ações, com preço-alvo de R$ 61,25 por ação.

TIM (TIMP3, R$ 8,70, +1,28%)
A companhia de telefonia TIM Participações reportou um lucro líquido de R$ 356,47 milhões no terceiro trimestre, ficando praticamente estável com os R$ 348,33 milhões de um ano antes. Apesar disso, a receita líquida da companhia recuou 15,2%, passando de R$ 4,85 bilhões para atuais R$ 4,12 bilhões. Já o Ebitda teve leve queda de 2,7%, atingindo os R$ 1,30 bilhão, contra R$ 1,33 bilhão no mesmo período de 2014. 

Segundo o Credit Suisse, a TIM entregou um trimestre fraco, com receita de serviços declinando em ritmo mais forte em relação ao ano anterior e com crescimento de Ebitda no campo negativo mesmo com um grande esforço de corte de custo. 

“Com a pressão do cenário macroeconômico, o atingimento de um nível próximo à saturação no número de linhas de voz no país e a substituição acelerada de voz por dados e mensagens, confirmamos a nossa previsão quanto ao início de um processo significativo de consolidação no número de múltiplos SIM cards pré-pagos”, disse o CEO da companhia, Rodrigo Abreu.

Durante evento em São Paulo, o diretor financeiro da companhia, Guglielmo Noya, disse que a variação cambial deve ter impacto limitado no resultado da companhia de 2015, com a dívida em moeda americana completamente protegida. 

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