Publicidade
SÃO PAULO – O índice de inadimplência das empresas brasileiras aumentou 4,9% em setembro, ante o mês anterior, de acordo com o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica, divulgado nesta quarta-feira (29).
Já no acumulado dos nove primeiros meses, houve um recuo de 1,3%, na comparação com igual período do ano passado, e no confronto entre setembro de 2008 com o mesmo mês de 2007, a taxa aumentou 13,1%.
Tipo de dívida
Analisando o período compreendido entre o primeiro e o nono mês deste ano, os títulos protestados seguem liderando o ranking, com 41,9% de participação na inadimplência das empresas brasileiras. O percentual ainda é o maior de todos, sendo superior também ao apresentado no mesmo período de 2007 (40,3%).
Na segunda colocação, aparecem os cheques sem fundos, com representatividade de 38,9%, no mesmo período. No ano passado, o peso na inadimplência desta categoria era quase igual, de 38,3%.
As dívidas com os bancos, por sua vez, representaram 19,2% do total nos nove primeiros meses do ano. No mesmo período de 2007, essa modalidade contribuía com 21,5% da inadimplência das empresas.
Valor das dívidas
Se o peso das dívidas com o sistema financeiro foi o menor no total da inadimplência, o mesmo não aconteceu com os valores destas ocorrências: a média dos débitos atingiu R$ 4.406,19 nos primeiros nove meses do ano, o que representa um crescimento de 7,6% frente ao mesmo período de 2007.
Continua depois da publicidade
Já a dívida média referente aos títulos protestados ficou em R$ 1.512,70 no período analisado (+2% em um ano). Os cheques sem fundos, por sua vez, registraram uma média de R$ 1.298,39 no período, sendo que houve avanço de 12,2% na mesma base comparativa.
Análise da situação
A redução da inadimplência das pessoas jurídicas no acumulado de janeiro a setembro de 2008 ocorreu em razão da conjuntura econômica nacional favorável. O crescimento da economia doméstica, até agosto deste ano, manteve o fluxo de caixa das empresas positivo, o que favoreceu o pagamento das obrigações assumidas pelos empresários para capital de giro e investimentos.
Já aumento de 13,1% da inadimplência em setembro último, ante o mesmo mês do ano passado, reflete os efeitos do agravamento da crise financeira internacional, que reduziu a oferta de crédito no mercado doméstico, elevou as taxas de juros de financiamentos e paralisou a geração de negócios, em alguns casos.
Continua depois da publicidade
Os primeiros efeitos da crise foram captados pelos cheques – mais sensíveis a variações de insolvências – cuja participação no indicador de inadimplência foi a que mais subiu dentre os segmentos (de 37,9% em setembro do ano passado para 39,5% em setembro deste ano). O aumento também foi impulsionado pelo maior número de dias úteis, uma vez que setembro deste ano teve um dia útil a mais do que setembro de 2007.
O aumento da participação dos cheques devolvidos no indicador de inadimplência também mostrou a dificuldade das empresas em honrar seus compromissos, uma vez que as pessoas jurídicas passaram a utilizar mais esse meio pagamento, por conta da menor disponibilidade de crédito.
Metodologia
O Indicador Serasa de Inadimplência de Pessoa Jurídica, por analisar eventos ocorridos em todo o Brasil, reflete o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. O modelo estatístico de múltiplas variáveis considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com as instituições financeiras.