Saúde: famílias gastam R$ 17 mi com convênios, quase o mesmo que empresas

Pesquisa divulgada pelo Cremesp e pelo Idec mostra que, ainda, existe uma segmentação dentro da população segurada

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Os gastos das famílias brasileiras com planos de saúde crescem a cada ano. A pesquisa “Planos de Saúde: nove anos após a Lei 9.656/98”, feita pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), mostrou que em 2003 o montante total era de pouco mais de R$ 13 milhões, passando para quase R$ 16 milhões em 2004 e chegando a praticamente R$ 17 milhões em 2005.

Apenas para se ter uma idéia, esses valores estão um pouco atrás dos das empresas, que, nos mesmos anos, desembolsaram pelos planos privados R$ 14,4 milhões, R$ 17, 2 milhões e quase R$ 22 milhões, nessa mesma ordem.

Quem não tem x quem tem

Conforme o levantamento, os cidadãos que pagam direta ou indiretamente um convênio médico gastam mais com esse tipo de cuidado e, por conseqüência, são mais saudáveis.

Para se ter uma idéia, em 2004, consumidores protegidos pelo serviço privado (25%) gastaram, em média, R$ 741,78 por ano. Quando analisados os 75% restantes, dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS), esse valor cai praticamente pela metade, chegando a R$ 358,55.

Maior gasto, melhor atendimento

Por outro lado, conforme as entidades informaram no documento de divulgação, não se pode afirmar que existe uma homogeneidade no segmento de consumidores com planos de saúde.

Dentre esses beneficiados, existe uma nova segmentação, que vai de acordo com o total que a pessoa pode pagar por mês. Em outra palavras, quem tem menos dinheiro fica com uma cobertura menos abrangente. E quem tem mais, está mais protegido.

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) relembrados pelo estudo, o valor médio mensal com o pagamento de convênio médico está em R$ 82,95.

Encarecimentos

Daqui a cerca de duas semanas deve ser divulgado o novo reajuste nos preços dos planos pela ANS. A previsão é que esse aumento seja de 9% – o que entidades de defesa do consumidor e outros representantes da sociedade criticam, uma vez que a percentagem é três vezes maior do que a inflação do período (que está em cerca de 3%).

De qualquer maneira, vale lembrar que levantamento divulgado recentemente também pelo Idec mostrou que existe um histórico de encarecimento dos convênios médicos acima da inflação: enquanto de 2000 a 2006 a variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 70,7%, os contratos novos de planos de saúde ficaram 86,17% mais caros.

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