Teleconferência após resultado

São Martinho (SMTO3) espera aumento do consumo do etanol na bomba

Para a companhia, o preço do etanol já se acomodou, tornando o consumidor mais propenso a demandar o combustível

Por  Augusto Diniz -

Na análise ao mercado do balanço do 3º trimestre do ano safra 2021/22, realizada nesta terça-feira (15) à tarde por teleconferência, a  São Martinho (SMTO3) destacou que tem expectativa de queda do preço do etanol hidratado para cerca de R$ 3 mil o metro cúbico (m³).

“É uma queda forte”, avaliou Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da São Martinho, ressaltando que o preço andou na casa dos R$ 4 mil/m³.

“O preço já se acomodou. Com a queda, o consumidor fica mais propenso a comprar o etanol sem fazer a paridade, a conta (com a gasolina)”, diz. O executivo, lembra, porém, que é preciso avaliar se a gasolina não aumentará de preço.

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Sobre o projeto que caminha no Congresso sobre a diminuição tributária do combustível, disse que, se atingir no âmbito do Pis/Confins, o  impacto no etanol seria de 10 a 15 centavos a menos por litro. Já se envolver o ICMS, ele avalia que se trata mais de uma questão de congelar o valor do combustível.

Na teleconferência com analistas, Felipe Vicchiato apontou dois custos preocupantes na próxima safra da cana de açúcar, a partir de abril: fertilizantes e diesel.

“Fertilizante deve subir algo em torno de 15% – e já vem de uma base mais alta. Ele responde por 7% do custo total. O diesel deve subir algo em torno de 15% – ele representa 8% do custo total. Esses são dois grandes ofensores.”

Sobre o futuro, disse que no Brasil não deve crescer muito a produção de açúcar. O diretor afirmou ainda que o mercado olha com atenção a Índia, que autorizou o uso de etanol como combustível e deve mexer fortemente com o mercado global de açúcar.

Planta de etanol de milho tem custo maior em R$ 100 milhões

Aos analistas do mercado, explicou ainda com mais detalhes o fato relevante publicado nesta segunda (14) sobre revisão de investimento para a planta de etanol de milho em Goiás. A planta custaria R$ 640 milhões, mas o valor foi acrescido em R$ 100 milhões.

Segundo o executivo, R$ 30 milhões dos R$ 100 milhões se deve a inflação acima do esperado no aço, cimento, entre outros insumos. Já os R$ 70 milhões, trata-se “efetivamente de adequação do projeto”.

“Vimos oportunidade de suprimento de energia da planta. As principais mudanças: Boa Vista planta de etanol de milho vai produzir só (etanol) anidro; e a Boa Vista planta de etanol de cana de açúcar só (produzirá etanol) hidratado”, disse.

O diretor explica que a produção de anidro tem muito menor consumo de energia e de vapor, o que facilitaria uma possível ampliação.  Vicchiato disse que a planta de etanol terá o custo de etanol mais barato do setor.

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O início da operação plena da planta está previsto para outubro de 2022, processará 500 mil toneladas de milho e trará capacidade de produção adicional para a companhia de aproximadamente 210 mil m³ de etanol, 150 mil toneladas de DDGS (Distiller’s Dried Grains with Solubles), e 10 mil toneladas de óleo de milho.

Inaugurada em 2008, Usina Boa Vista de produção de etanol de cana de açúcar, fica situada em Quirinópolis (GO). A planta de produção de etanol a partir do milho fica anexa ao empreendimento da São Martinho já em operação.

Resultado marginalmente negativo

O Bradesco BBI, na análise do balanço do 3º trimestre do ano safra 2021/22, informou que, apesar do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) 8% acima do previsto para o período, a visão do banco “é marginalmente negativo que a São Martinho anunciou que precisará investir mais R$ 100 milhões em seu projeto de etanol de milho – enquanto a capacidade esperada da planta não mudou”.

Destaques dos resultados do lucro líquido de R$ 697 milhões, de acordo com o Bradesco BBI, são os preços de etanol e açúcar mais fortes do que o projetado, compensando o impacto negativo de volumes menores de etanol e energia.

Já o Morgan Stanley informou que o forte ambiente de preços de commodities continua a ajudar a São Martinho a superar os efeitos dos eventos climáticos, que atingiram a safra no final do ano passado. “As margens foram fortes e as perspectivas para 2023 são de níveis ainda melhores. O clima melhorou e o principal risco hoje está relacionado às políticas de combustível no Brasil”, relatou.

As chuvas ocorridas nesse início do ano, no período de entressafra, superior ao mesmo período do ano passado, a expectativa do mercado é de recuperação, ao menos parcial, da produtividade nos canaviais na próxima safra, que começa em abril.

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