Santander: o que anúncio do plano estratégico global indica para o Santander Brasil

Projeção do banco mira aumentar a base global de clientes de 180 milhões para 210 milhões

Erick Souza

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REUTERS/Raquel Cunha
REUTERS/Raquel Cunha

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O Santander global divulgou nesta quarta-feira (25) seu plano estratégico para 2026-2028, trazendo repercussões para a subsidiária brasileira Santander Brasil (SANB11) após o balanço do 4T25. Globalmente, as metas incluem um aumento do RoTE (retorno sobre o patrimônio tangível) de 16,3% para 20% e expansão na base de clientes para 210 milhões, saindo dos 180 milhões atuais. Para o Brasil, a ambição do banco é ainda maior: a meta é elevar o RoTE de 15,3% para os mesmos 20%.

A estratégia para alcançar a meta no Brasil se concentra nas pequenas e médias empresas (PMEs), corporare e o segmento Select (alta renda). Nos últimos 12 meses, a ação dobrou no país. De acordo com a Genial Investimentos, com a reorientação para segmentos mais rentáveis e ganhos de eficiência, o plano de expandir o RoTE no Brasil é factível.

Para o JPMorgan, esse crescimento de 15,3% para 20% até 2028 implica uma melhora de aproximadamente 150 pontos-base por ano no ROE (retorno sobre o patrimônio líquido). Atualmente, a projeção do banco é de entre 17,5% e 17,8% para o período, um pouco acima dos 17% estimados para 2025. De acordo com os analistas, uma boa execução desse plano estratégico poderia gerar um potencial de alta.

Melhora no ROE

O JPMorgan mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para SANB11 e, segundo os analistas, a melhora no ROE poderia se dar por quatro pilares: varejo, financiamento ao consumo, CIB (Corporate & Investiment Banking) e pagamentos. A maior fatia viria do varejo, impulsionado por menores custos de captação, ajuste seletivo no crédito ao consumidor e no mix de crédito.

Por outro lado, os ganhos vindos com pagamentos parecem menos confiáveis. “Estes [os pagamentos] podem não ser integralmente capturados pelo SANB (isto é, a Getnet pertence à controladora)”, explicam os analistas. Mesmo sem esse pilar, o banco acredita que o ROE implícito seria superior a 20%.

Os analistas ainda enxergam uma série de riscos para cima, como o capital mais tangível do que o Bradesco e a sensibilidade semelhante ou menor aos juros. Uma possível melhora nos custos de captação e uma redução dos riscos negativos, também podem ajudar a impulsionar os ganhos.

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O SANB11 oferece dividend yield de, aproximadamente, 7% e negocia a 1,4x seu último valor patrimonial reportado, e a cerca de 7x lucros (P/E). O objetivo amplo do plano estratégico é o de elevar o lucro global do banco para 20 bilhões de euros.