Santander enxerga Ibovespa a 89 mil pontos ao final do próximo ano

Valorização seria de 30,9% em relação ao fechamento de sexta-feira; em cenário bottom-up, estimativa é de 95 mil pontos

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SÃO PAULO – O Santander estabeleceu como meta para o Ibovespa em 2011 os 89 mil pontos, o que equivale a um potencial de valorização de 31% em relação ao fechamento do dia 17 dezembro nos próximos 12 meses. Para chegar a esse cenário, Marcelo Audi e Leonardo Milane, analistas responsáveis pelo relatório, utilizaram como premissas uma taxa de crescimento do lucro por ação em dólares de 17,4%. A estimativa se deu base no crescimento do LPA do universo de cobertura do Santander ponderado de acordo com o Ibovespa.

O cenário base ainda envolve um prêmio de risco-País de 150 pontos-base, um retorno esperado do MSCI World de 6,2% e uma taxa de câmbio de R$ 1,85 por dólar até o final do próximo ano. 

Modelo bottom-up
No entanto, embora esse seja o modelo utilizado pelo Santander, o banco julgou interessante ainda estabelecer uma estimativa bottom-up (focada na análise do cenário individual de cada ação para se chegar a um todo). Considerando os preços-alvo das ações estabelecidos pelos analistas setoriais e os respectivos pesos no índice, já incluídos os dividendos estimados para o próximo ano, o Ibovespa poderia atingir 95 mil pontos, um avanço de 39,7% em relação ao patamar de preço atual.  

De acordo com Audi e Milane, o cálculo bottom-up serve como uma verificação do modelo básico para a meta Ibovespa. De acordo com os analistas, nessa análise três setores se destacaram com retornos esperados mais fortes: construtoras (53%), petróleo,gás e petroquímicos (53%) e mineração (47%). Do outro lado, as expectativas mais fracas ficam com energia e saneamenteo (22%) e siderurgia (22%).

Análise de sensibilidade
Observando ainda algumas perguntas desafiadoras que começam a surgir no mercado, os analistas do Santander realizaram análise de sensibilidade da estimativa bottom up para o Ibovespa ao final de 2011 mudando duas das variáveis que compõem o custo de capital próprio de cada empresa: o prêmio de risco de mercado e o prêmio de risco-País.

Isso porque o Santander avalia que seja necessário estudar o comportamento dos ativos caso o comprador de ações brasileiras seja cada vez mais concentrado em novos investidores globais, o que exigiria um custo de capital menor. “Afinal de contas, o Brasil continua a aumentar sua penetração nas ações globais, e os fundamentos econômicos do País continuam aparentemente melhores que os da média global”, comentaram os analistas. 

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Assim, foram testados, além do cenário base, em que o risco de mercado é de 550 pontos-base e o risco País, medido pelo prêmio dos CDS (swaps de inadimplência no crédito), é de 150 pontos-base, outras possibilidades com a diminuição dessas premissas. A conclusão, segundo o Santander, é que a cada redução de 100 pontos-base no prêmio de risco de mercado, a meta Ibovespa bottom-up sobe, em média, 15,9%. Já a redução de 50 pontos-base no risco-País significa 6,4% a mais, em média, para a meta Ibovespa. 

             Prêmio de risco de mercado
550 pontos base 450 pontos base 350 pontos base
Risco País 150 pontos base 95.439 109.863 128.108
100 pontos base 101.766 117.158 138.091
150 pontos base 108.128 125.575 149.874

Fonte: Santander