Santander Brasil: lucro supera projeções e ações sobem, mas resultado foi bom mesmo?

Analistas destacam lucro acima do esperado, mas ponderam para qualidade ainda baixa

Lara Rizério

Publicidade

O Santander Brasil (SANB11) inaugurou a temporada de resultados dos bancões do terceiro trimestre de 2025 (3T25), registrando um lucro líquido recorrente de R$ 4,0 bilhões no 3T25 (+9,6% trimestre a trimestre, +9,4% ano a ano), 6,9% acima do consenso Bloomberg.

O retorno sobre o patrimônio (ROE) atingiu 17,5% no trimestre, acima dos 15,8% estimados pelo Bradesco BBI e dos 16,4% do 2T25. Com isso, e em um dia de ânimo para os mercados, os ativos SANB11 fecharam com alta de 1,60%, a R$ 29,83, após chegarem a subir cerca de 3% mais cedo.

O BBI aponta que o resultado acima do esperado foi impulsionado principalmente por menores despesas operacionais (-5,2% trimestre a trimestre), menores despesas com provisões (-2,1% versus a projeção do banco) e uma alíquota efetiva de imposto menor, de 4,4% (contra 9,5% estimado pelos analistas da casa). O lucro antes dos impostos foi de R$ 4,3 bilhões (+2,1% trimestre a trimestre, -1,0% ano a ano), 1,9% acima da sua estimativa.

Análise de Ações com Warren Buffett

Exceto pela performance fraca esperada em ganhos de tesouraria, as tendências gerais foram positivas, avaliam os analistas. Isso especialmente por conta da estabilidade na  a formação de inadimplência, ou “NPL formation” (a variação do saldo de créditos em atraso), forte expansão das receitas de tarifas e despesas operacionais estáveis.

“Acreditamos que o Santander Brasil apresentou um desempenho forte no 3T25, com destaque para as despesas operacionais, especialmente a contração das despesas pessoais (-0,9% trimestre a trimestre), impulsionada pela otimização da força de trabalho, combinada com custo de risco e formação de NPLs amplamente estáveis”, avalia.

Leia também: 

Continua depois da publicidade

Por outro lado, o índice de inadimplência superior a 90 dias subiu no trimestre, indo de 3,1% em junho para 3,4% em setembro. Para o BBI, esta piora está relacionada a uma redução significativa nas baixas contábeis, de 0,9% da carteira (contra 1,5% no 2T25) — já que o banco antecipou baixas no 2T25 — do que a uma deterioração da carteira. Por exemplo, os índices de inadimplência iniciais melhoraram trimestre a trimestre, enquanto a formação de NPLs permaneceu em 1,2%.

Apesar do aumento significativo nas perdas de tesouraria para -R$ 1,3 bilhão (contra -R$ 730 milhões no 2T25), o Santander Brasil conseguiu expandir o lucro antes dos impostos e o lucro líquido trimestre a trimestre, avalia.

O JPMorgan, por sua vez, vê um resultado de qualidade fraca, apesar de superar as projeções em termo de lucro. Isso porque, apesar de um lucro por ação 5% acima das suas expectativas, houve uma queda de 6% no lucro antes dos impostos (EBT), com o resultado final beneficiado por uma alíquota efetiva de imposto muito baixa, cerca de 4% (contra 15% estimado pelo JPMorgan).

A queda no lucro antes dos impostos foi principalmente causada por uma receita líquida de juros (NII) mais fraca, que caiu 1% no trimestre em relação ao anterior e ficou estável em relação ao ano anterior, puxada pela grande perda de R$ 1,3 bilhão em tesouraria.

Na mesma linha, o Morgan Stanley ressalta que o lucro superou as suas estimativas em 19%, mas exclusivamente impulsionado por impostos muito menores. “No nível do lucro antes dos impostos, o Santander apresentou crescimento modesto, ficou abaixo do consenso e alinhado exatamente com nossa estimativa”, avalia.

Ainda assim, o JPMorgan aponta que algumas expectativas eram baixas e houve vários pontos positivos: (i) empréstimos aceleraram; (ii) houve otimização de custos; (iii) melhora nas receitas de tarifas; e (iv) qualidade de ativos controlada.

Continua depois da publicidade

O JPMorgan reforça que o crescimento da carteira de empréstimos, que vinha sendo um ponto de resistência para o Santander, mostrou alguma aceleração, crescendo 4% ano a ano (2% trimestre a trimestre), impulsionado por grandes empresas e PMEs (crescimento de 5% e 4% trimestre a trimestre, respectivamente).

No geral, avalia o JPMorgan, o resultado da receita foi fraco, mas mantém a recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ativos SANB11, pois vê o Santander negociando a um múltiplo atrativo de cerca de 6,3 vezes o P/L para 2026 e 1,05 vezes o P/VPA (preço sobre o valor patrimonial por ação) para 2026, com ROEs que devem convergir para 17-18% (a gestão fala em 20% no médio prazo). O Morgan Stanley também ressalta visão positiva (overweight) para os ativos.

Já o Bradesco BBI possui recomendação neutra, dado o valuation atual e perspectivas de crescimento moderado. Contudo, reconhece a resiliência operacional e a capacidade de geração de resultados em um cenário desafiador.

Continua depois da publicidade

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.