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O Santander Brasil (SANB11) abriu a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) dos bancões brasileiros com um resultado abaixo das expectativas do mercado (que já não tinha grandes projeções), pressionado por uma forte alta das provisões para perdas com crédito, compressão da margem financeira e receitas mais fracas. Com isso, as ações SANB11 caíram 7,37%, a R$ 25,63, sendo a segunda maior queda do Ibovespa na sessão desta quarta-feira (29).
O banco divulgou nesta quarta-feira seu pior lucro líquido e rentabilidade em um trimestre desde o final de 2023. As ações da unidade brasileira do banco espanhol Santander, que tem a maior economia da América Latina como mercado-chave, tiveram assim seu pior desempenho desde abril de 2020.
O lucro líquido gerencial somou R$ 3,014 bilhões entre abril e junho, queda de 20% em relação ao primeiro trimestre e de 18% na comparação anual, ficando entre 16% e 20% abaixo das expectativas de mercado e das principais casas de análise.
O principal ponto negativo do balanço foi o lucro antes dos impostos (EBT), que totalizou R$ 2,54 bilhões, recuo de 45% ante o trimestre anterior e de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O número ficou até 48% abaixo de algumas estimativas, sendo parcialmente compensado por uma alíquota de imposto efetiva negativa de 23%, que ajudou a sustentar o lucro líquido.
Com isso, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) caiu para 12,5%, ante 16% no primeiro trimestre e 16,4% um ano antes. O Goldman Sachs destacou que o indicador atingiu o menor nível em quase três anos.
O aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD) foi o principal fator de deterioração do resultado. As despesas com provisões atingiram R$ 7,65 bilhões, alta de 21% frente ao trimestre anterior e de 12% na comparação anual. Segundo o banco, o movimento refletiu casos corporativos específicos, mudanças na metodologia de baixas contábeis (write-offs), provisões adicionais para clientes de atacado e um ambiente de crédito mais desafiador.
Apesar da forte elevação das provisões, houve divergência na leitura sobre a qualidade dos ativos. JPMorgan e Goldman Sachs chamaram atenção para o fato de que a inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 3,3% apenas porque a nova política de write-offs acelerou baixas de créditos problemáticos. Sem esse efeito, o indicador teria avançado para aproximadamente 3,6%. Além disso, a cobertura de créditos em estágio 3 caiu para 65%, de 67,6% no trimestre anterior.
Já o Bradesco BBI adotou uma leitura mais construtiva sobre a qualidade dos ativos. Segundo o banco, os indicadores antecedentes de inadimplência apresentaram melhora, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas. A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 3,3%, com destaque para a queda de 30 pontos-base nas PMEs. O BBI afirmou que esse movimento é positivo para o setor bancário como um todo, que continua monitorando riscos de deterioração do crédito.
Outro ponto que desagradou os analistas foi a margem financeira com clientes (NII), um dos principais motores de resultado dos bancos. O NII total caiu 3% na comparação trimestral e ficou abaixo das projeções das principais casas. A margem com clientes também recuou 3%, enquanto o spread caiu cerca de 40 pontos-base, para 10%, ante 10,4% no trimestre anterior.
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O JPMorgan afirmou que a magnitude da compressão dos spreads foi difícil de explicar apenas pela estratégia de redução da exposição ao segmento de varejo de maior risco. O banco destacou que algumas linhas continuaram crescendo, como financiamento ao consumo e crédito para empresas, o que torna o comportamento da margem financeira o principal ponto de atenção para os próximos trimestres.
Na mesma linha, o Bradesco BBI observou que a contração da margem foi influenciada por um mix mais conservador da carteira, menor participação do segmento de massa e maiores despesas com comissões diferidas de correspondentes bancários. O banco alertou que a forte compressão dos spreads pode continuar pressionando as receitas do Santander no futuro.
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O Itaú BBA classificou o balanço como negativo. Para os analistas, receitas mais fracas encontraram provisões significativamente maiores, gerando um resultado aquém do esperado. O banco destacou que o mix da carteira está mais defensivo, com crescimento concentrado em financiamento de veículos, PMEs e grandes empresas, enquanto as linhas de varejo seguem encolhendo. Embora essa estratégia reduza riscos, ela também prejudica a rentabilidade e os spreads.
As receitas com tarifas e serviços tampouco ajudaram. Elas caíram cerca de 2% na comparação trimestral, pressionadas principalmente pelos segmentos de seguros, operações de crédito e corretagem. Por outro lado, cartões e gestão de recursos apresentaram desempenho positivo.
Em termos de crescimento, a carteira de crédito expandida avançou 1,3% frente ao primeiro trimestre e 5,8% na comparação anual. O destaque ficou para financiamento ao consumo, que cresceu 6% no trimestre e 15% em 12 meses. PMEs avançaram 12% na comparação anual, enquanto grandes empresas registraram alta próxima de 7%. Em contrapartida, empréstimos pessoais recuaram 8% no trimestre, refletindo a estratégia do Santander de reduzir exposição ao segmento de massa.
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As despesas operacionais permaneceram relativamente controladas. O banco continuou reduzindo sua estrutura física e seu quadro de funcionários, encerrando o trimestre com cerca de 47,3 mil empregados, queda de 12% em 12 meses. Ainda assim, o índice de eficiência piorou, refletindo o enfraquecimento das receitas.
Apesar da piora operacional, os índices de capital seguiram sólidos. O índice de Basileia ficou em 15,3%, enquanto o capital principal (CET1) permaneceu estável em 11,2%, segundo destacaram JPMorgan, Goldman Sachs e o próprio Santander.
Entre as recomendações, o Goldman Sachs mantém recomendação de venda para SANB11, com preço-alvo de R$ 27. O Bradesco BBI tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 29, enquanto o Itaú BBA reiterou marketperform (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente a neutra), com preço-alvo de R$ 32. Já o JPMorgan segue com recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para as ações, embora tenha destacado que o resultado foi negativo principalmente por causa da fraqueza da margem financeira.
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