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As units do Santander Brasil (SANB11) encerraram a sessão pós-balanço do segundo trimestre, na última quarta-feira (29), com queda de 7,37%, após resultados considerados fracos pelo mercado e uma visão mais cautelosa sobre a recuperação de rentabilidade do banco. Na esteira da divulgação, o JPMorgan rebaixou sua recomendação para os papéis de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para neutra, além de reduzir o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 36 para R$ 30 por unit.
Segundo os analistas Yuri Fernandes, Guilherme Grespan e equipe, que assinam o relatório, o resultado do 2T26 e as sinalizações feitas pela administração durante a teleconferência reforçaram a percepção de que a recuperação dos lucros deverá ser mais lenta do que o esperado.
O banco destaca que, embora a ação negocie a cerca de 1 vez seu valor patrimonial, o retorno sobre patrimônio (ROE) deve permanecer próximo ou abaixo do custo de capital nos próximos um a dois anos, o que reduz a atratividade do investimento.
O JPMorgan também cortou suas estimativas de lucro para 2026 e 2027 em 13%, passando a projetar resultados entre 13% e 14% abaixo do consenso de mercado. O banco espera um crescimento mais lento das receitas, com avanço de apenas cerca de 2% na soma de margem financeira (NII) e receitas de serviços em 2026, além de um custo de risco mais elevado, próximo de 4,9%, acima dos aproximadamente 4,6% estimados para 2025.
Na avaliação do JPMorgan, os principais fatores por trás da decepção no trimestre foram o aumento das provisões para perdas com crédito e uma margem financeira com clientes mais fraca que o esperado. Embora parte da pressão sobre as provisões já fosse antecipada por conta de casos corporativos específicos, o JPMorgan avalia que revisões de modelos de risco e um cenário de crédito ainda desafiador em 2027 podem continuar pressionando os resultados.
Outro ponto de atenção destacado pelos analistas é a estratégia de redução de risco adotada pelo Santander. Embora considerada correta do ponto de vista estrutural, a iniciativa deve continuar impactando as receitas no curto prazo. A administração tem intensificado a seletividade na concessão de crédito, reduzindo exposição a segmentos considerados mais arriscados, como clientes de baixa renda, agronegócio e pequenas e médias empresas.
De acordo com o JPMorgan, esses segmentos ainda representam uma parcela relevante da carteira. Clientes de baixa renda respondem por cerca de 40% do portfólio de varejo do banco, enquanto companhias de maior risco representam aproximadamente 20% da carteira de pequenas e médias empresas. A combinação indica que cerca de 28% do crédito classificado do Santander ainda está exposto a áreas consideradas mais vulneráveis.
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Para os analistas, a migração para linhas mais seguras e garantidas deve melhorar a qualidade dos ativos ao longo do tempo, mas tende a reduzir a rentabilidade da carteira, pressionando a margem financeira com clientes e retardando a recuperação dos retornos. Além disso, juros elevados por mais tempo podem limitar a melhora da margem financeira de mercado, outro desafio para a expansão dos resultados.
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Nas projeções do JPMorgan, o Santander deverá registrar ROE de 14% em 2026 e de 15% em 2027, níveis inferiores ao custo de capital estimado em 16,5%. O banco calcula que SANB11 negocia a 6,1 vezes o lucro estimado para 2027 e a aproximadamente 1 vez o valor patrimonial.
Apesar da visão mais cautelosa, o JPMorgan aponta como potencial catalisador uma eventual oferta para fechamento de capital promovida pela controladora espanhola Santander, que já detém cerca de 90% da operação brasileira. No entanto, os analistas consideram improvável que esse movimento ocorra no curto prazo diante do cenário de crédito mais desafiador e das incertezas macroeconômicas e políticas no Brasil.
