Publicidade
O cenário de queda de juros no ano que vem deve ser um ponto positivo de curto prazo para os bancos brasileiros, aponta o UBS BB, que elegeu as suas ações preferidas neste ambiente.
São elas, Santander Brasil (SANB11), Bradesco (BBDC4) e XP Inc. (negociada na Nasdaq e operando na B3 com o BDR XPBR31).
Há um consenso de que, em 2026, a taxa Selic deve apresentar uma contração relevante (cerca de 3 pontos percentuais, na projeção do banco, para 12% ao ano) – sendo que a discussão atual é sobre o mês em que começará o ciclo de afrouxamento, avalia a equipe de analistas do UBS BB.
Continua depois da publicidade
No curto prazo, a taxa de juros mais baixa tende a ser ligeiramente positiva para as margens dos bancos tradicionais, pois a grande maioria do seu financiamento é pós-fixado, enquanto uma parte relevante da carteira de crédito é prefixada, especialmente os empréstimos para pessoas físicas (crédito consignado, financiamento imobiliário e de veículos).
A taxa de juros mais baixa também tem efeitos positivos no crescimento dos empréstimos e na qualidade dos ativos. Além disso, as taxas menores devem favorecer a margem com o mercado (resultados de trading e gerenciamento de ativos e passivos) dos bancos, especialmente com Santander Brasil e Bradesco.
O banco suíço avalia que as taxas de juros mais baixas devem reduzir o custo de capital (COE) próprio das ações brasileiras.
“Simulamos o impacto que uma mudança de 100 pontos base no COE poderia ter no valor justo dos bancos brasileiros que cobrimos. De forma geral, empresas com fluxo de caixa de maior duração (ou seja, fintechs) são mais impactadas pela possível redução do COE — estimamos impacto de 12-14% para bancos tradicionais brasileiros, 17% para XP e Inter (BDR: INBR32), e 20% para Nu (BDR: ROXO34)”, avaliam os analistas.
Além disso, avaliam os analistas, as taxas de juros mais altas no Brasil aumentaram a inércia dos investidores de varejo e reduziram seu apetite por risco.
Continua depois da publicidade
Atualmente, apontam, é possível encontrar rendimento nominal de cerca de 1% ao mês em investimentos de baixo risco nos bancos tradicionais. Portanto, não há necessidade de recorrer às plataformas de investimento para obter um rendimento relevante. Uma taxa de juros mais baixa, especialmente se se aproximar do patamar de 10%, deve ser muito positiva para a entrada de recursos nas plataformas de investimento.
“Outro possível efeito positivo é a mudança do mix para investimentos de maior risco (como ações), o que também deve beneficiar os negócios de gestão de patrimônio da XP e do BTG Pactual [BPAC11]”, ressalta.
Assim, o efeito positivo da redução das taxas nas margens com o mercado do Santander Brasil e do Bradesco, combinado com suas carteiras com concentração relevante em crédito ao consumidor, tende a impactar positivamente o preço das ações dessas instituições.
Continua depois da publicidade
O UBS BB também vê a XP sendo positivamente impactada pela queda dos juros por conta de seu negócio de varejo significativo). Os bancos digitais (Nu e Inter) também podem ser beneficiados em caso de redução do COE entre as ações brasileiras.
Confira abaixo as recomendações do UBS BB para o setor de bancos
| Banco | Rating | Preço Local (em R$, *em US$) | Preço-Alvo (em R$, *em US$) | Upside (%) |
|---|---|---|---|---|
| Nu | neutro | 17,7* | 18,4 | 4,2 |
| Itaú Unibanco | neutro | 43,3 | 42,0 | -2,9 |
| Bradesco | compra | 19,3 | 25,0 | 29,7 |
| Santander Brasil | compra | 34,7 | 43,0 | 23,9 |
| BTG Pactual | neutro | 56,9 | 58,0 | 1,9 |
| Itaúsa | compra | 12,9 | 14,0 | 8,4 |
| XP Inc | compra | 19,9* | 23,0 | 15,9 |
| Inter & Co | compra | 9,1* | 10,5 | 14,9 |
| Pan | neutro | 12,0 | 12,3 | 2,6 |
| Banrisul | neutro | 15,0 | 12,4 | -17,1 |
| BMG | neutro | 4,4 | 4,0 | -9,7 |
| ABC Brasil | compra | 25,2 | 30,0 | 18,9 |
