Perfil

Sam Bankman-Fried: o jovem bilionário das criptos que quer desafiar Coinbase e Binance

O fundador da exchange FTX tem só 30 anos, mas o nome de sua empresa está em toda parte, até em estádios esportivos

Por  CoinDesk -

Ele pode agora ser um bilionário, mas Samuel Bankman-Fried ainda tem aquele tufo de cabelo selvagem. É o cabelo que grita “acabei de sair da cama”. Ou um pufe. “Estou chegando a algo como 50%, em termos de dormir em camas”, diz Bankman-Fried ao CoinDesk.

Os 50% são um grande negócio. As camas já foram um luxo que Bankman-Fried não podia pagar. Há apenas um ano, o ex-trader passou a maior parte das noites dormindo debaixo de sua mesa em Hong Kong enquanto lançava uma empresa de negociação até então obscura. (Liguei para ele uma vez às 3h30 da manhã, horário de Hong Kong. Ele estava no escritório e atendeu alegremente).

A maioria dos americanos nunca tinha ouvido falar da exchange FTX. Mesmo a maioria dos bitcoiners nunca tinha ouvido falar da FTX, uma corretora que – na época – se concentrava em produtos de negociação profissional como derivativos.

Avance um ano.

O Miami Heat, time de basquete norte-americano, agora joga na FTX Arena (a corretora pagou milhões para renomear o estádio da equipe). O quarterback Tom Brady e sua esposa Gisele Bündchen são as estrelas dos comerciais da FTX. Durante a World Series, série de campeonatos de basebol dos Estados Unidos, há publicidade da exchange atrás do home plate (uma das áreas do campo de basebol), inúmeros comerciais e bottons de tecido nos uniformes dos árbitros.

A FTX se tornou “a exchange oficial de criptomoedas” da Major League Baseball (organização americana de beisebol profissional), como se o esporte popular dos EUA usasse uma corretora de ativos digitais desde os dias de Mickey Mantle, famoso jogador do país.

Com uma rodada de investimento de US$ 420 milhões em outubro do ano passado, a FTX passou a valer cerca de US$ 25 bilhões, e Bankman-Fried virou uma das pessoas mais ricas e poderosas do planeta.

Isso não parece ter mudado o homem. Ele ainda come “quando parece apropriado para o dia”, o que às vezes significa 3 da tarde, às vezes 3 da manhã. Ele continua sendo vegano por razões humanitárias (“é tudo pelo bem-estar animal”) e ainda busca seus amados Oreos, “um dos alimentos veganos mais surpreendentes da natureza”.

E ele está focado em regulamentação. No início do ano passado, Bankman-Fried passou cinco horas por dia lidando pessoalmente com questões regulatórias, e ele espera que a regulamentação apareça em 2022. “É um mundo confuso, e existem 195 países lá fora”, diz ele. “Cada um está explorando separadamente como será sua estrutura regulatória. Estamos tentando ficar a par de todas elas”.

A regulação foi o que levou a FTX a mudar sua sede de Hong Kong para as Bahamas, porque Bankman-Fried diz que as ilhas “têm uma estrutura regulatória abrangente para cripto, e muito poucos países têm isso”.

Bankman-Fried vê o excesso de regulamentação como o maior risco para o Bitcoin (BTC). Ele acha que um “banimento duro” é improvável, mas reconhece o risco de um “banimento suave”.

“Se virmos uma ação coordenada de restringir o acesso a projetos de criptomoeda nos Estados Unidos e na União Europeia, isso poderia ter um impacto materialmente ruim no mercado”, diz o CEO da FTX.

Quanto à regulamentação em 2022? Bankman-Fried prevê que “quase certamente” haverá algum tipo em cima das stablecoins porque há “muito barulho ao redor e muita vontade”, como auditorias periódicas nas reservas dos tokens. Isso poderia ter mérito.

Como os gêmeos Winklevoss, da exchange Gemini, Bankman-Fried vê a regulamentação nos EUA como inevitável e até útil. Ele disse à CNN que “a versão mais forte da indústria de criptomoedas é aquela que tem supervisão regulatória”.

Alguns riscos para o Bitcoin, diz Bankman-Fried, já se tornaram menos preocupantes, como o risco de os investidores institucionais fugirem do mercado. Ele acha útil comparar o estado do BTC hoje com a criptomoeda no final de 2017.

“Indo para 2018, havia uma enorme empolgação”, diz Bankman-Fried, pois “instituições em todo o mundo estavam tentando ativamente decidir se deveriam ou não se envolver”. Então veio o crash (queda de preço), e as instituições “cripto-curiosas” sentiram que tinham se esquivado de uma bala e permaneceram à margem do mercado. O preço do Bitcoin definhou.

“Acabou levando mais dois ou três anos para algumas delas entrarem”, diz Bankman-Fried. Ele imagina que, se um crash tivesse ocorrido durante o verão do hemisfério norte (inverno no Brasil) de 2020, talvez isso tivesse dissuadido grandes instituições de apostar nas criptos. Mas agora elas estão dentro. A sorte está lançada.

“Neste momento, acho que muitas delas estão mais comprometidas com o mercado do que estavam”, falou. Ele espera que mais players se juntem ao setor neste ano. “Seriam necessários efeitos substancialmente mais negativos para interromper esse impulso”

Eu estava curioso sobre o que os “efeitos negativos” poderiam significar para a própria FTX, principalmente devido à sua enorme expansão. Para quem está de fora, parece que a FTX gastou como um marinheiro bêbado em sua farra publicitária. E isso aconteceu durante um bull run (movimento de alta) pulsante, onde todo mundo parecia um gênio. O que aconteceria com a FTX se, digamos, o preço do BTC caísse?

Bankman-Fried não está perdendo o sono por causa disso, ou pelo menos mais sono do que o normal. Primeiro, e surpreendentemente, ele diz que todo o orçamento de endosso e parceria da FTX representa menos de 10% da receita de 2021 e, portanto, “não é um grande sucesso nessa frente”.

Se o Bitcoin caísse para US$ 20 mil, teoricamente, Bankman-Fried esperaria que a receita de longo prazo (“ou pelo menos receita de médio prazo”) sofresse, mas ele disse: “Eu ficaria chocado se caísse a um ponto em que não fossemos mais lucrativos”.

E mesmo que o BTC entre em um mercado de baixa, a rodada de US$ 420 milhões do ano passado deu à exchange FTX “uma barreira de dinheiro bastante decente”. E essa barreira pode em breve ficar ainda mais robusta porque relatórios recentes indicam que a FTX está buscando levantar US$ 1,5 bilhão com uma avaliação potencial de US$ 32 bilhões.

Filho de professores da Stanford Law School, Bankman-Fried é um seguidor de longa data do “altruísmo eficaz”. Na prática, é uma filosofia que prega ganhar o máximo de dinheiro possível para conseguir maximizar os impactos positivos no mundo.

Em 2020, ele executou um cálculo aproximado e determinou que seu dinheiro poderia servir ao bem maior com uma função simples: expulsar o presidente Donald Trump da Casa Branca. Sua doação de US$ 5 milhões para a campanha de Joe Biden, tornando-o um dos maiores doadores do presidente dos EUA, é incomum no mundo libertário das criptomoedas.

“Eu dei a alguns republicanos, e dei a alguns democratas”, diz Bankman-Fried diplomaticamente. Logo depois, fala “eu dei mais aos democratas neste momento”. Ele se preocupa mais com a política do que com a fidelidade ao partido.

Bankman-Fried parecia estarrecido, por exemplo, com o imposto proposto pelos democratas sobre bilionários, dizendo ao DealBook, do The New York Times, o seguinte: “Acho que isso poderia causar danos colaterais extremamente negativos, reduzindo significativamente a quantidade de inovação e base tributável em primeiro lugar.”

Quanto a 2024? “É difícil para mim ter uma grande previsão disso, sem saber quem os candidatos vão acabar sendo”, o que, intencionalmente ou não, é um golpe discreto quase hilário em Biden.

Além disso, 2024 está a uma vida de distância, especialmente em “cripto anos”. Até lá, estaremos comemorando a véspera de Ano Novo no centro de Manhattan na FTX Times Square, compraremos nossos presentes de feriado usando o aplicativo de dinheiro da FTX e as crianças esperarão que o Papai Noel lhes traga presentes do Pólo Norte FTX.

Isso está tudo em jogo. A única aposta segura é que Bankman-Fried ainda não terá penteado o cabelo.

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