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SÃO PAULO – Os BRICs, conjunto de países emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia e China, estão unidos contra a tentativa dos EUA de enfraquecer os mecanismos de controle do câmbio, disse o ministro das Finanças da Rússia, Dmitry Pankin, em pronunciamento a jornalistas na última quinta-feira (7).
De acordo com o ministro, os BRICs entendem que existem problemas mais sérios a serem enfrentados que os relativos ao mercado de câmbio, uma vez que estes não são o problema em si, mas a consequência de um processo mais profundo, que envolve as tendências de poupança e investimento nos países. “A taxa de câmbio flutuante não é a cura para todas as doenças”, disse Pankin.
O ministro de Finanças ressaltou que é impossível, do ponto de vista do processo econômico ou de um projeto de investimento, trabalhar com uma situação na qual a taxa de câmbio salta 20% em quatro meses. Representantes do governo russo afirmaram durante essa semana que fará esforços para que adotar o regime de câmbio flutuante, mas que a Rússia não está completamente preparada para isso.
“Guerra cambial”
Recentemente, os governos têm enfrentado diversas polêmicas no mercado de câmbio. O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou nesta semana que a desvalorização das moedas de grandes economias emergentes pode gerar bolhas, inflação e restringir o crescimento.
Geithner discursou antecipando as questões que serão discutidas neste final de semana em encontro entre FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco Mundial e autoridades financeiras globais. O secretário voltou a atacar a política cambial chinesa na ocasião, afirmando que avanços na cooperação econômica já foram feitos – entretanto, segundo ele, essa evolução pode ser prejudicada pelo progresso limitado de alguns países em basear seu crescimento na demanda interna e pela intervenção no câmbio de nações com moedas desvalorizadas contra as pressões para apreciação do câmbio.
Pankin, por sua vez, afirmou que os BRICs apresentarão uma forte resistência às tentativas dos EUA de uma mudança pesada de moedas na reunião. Vale lembrar que, além da desvalorização da moeda chinesa, a questão cambial asiática também inclui o Japão, cujo governo interveio no mercado em setembro para conter a apreciação da moeda local.
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Por aqui, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na semana passada que comprará o excesso de dólares no mercado e que o mundo vive uma “guerra cambial”.