Destaques da Bolsa

Rumo salta 10%, Eletrobras dispara 6%, bancos sobem forte e Vale tem 5ª alta seguida

Confira aqui os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

Usina Hidrelétrica de Tucuruí *** Local Caption *** Comportas abertas da usina de Tucuruí

SÃO PAULO – Os papéis dos bancos derão o tom positivo do Ibovespa nesta quarta-feira, após pesados dias de queda em meio à rumores e, posterior, confirmação do aumento da tributação do setor. Mas não foram somente eles. As ações da Vale também ajudaram a impulsionar a Bolsa após virar para o positivo nesta tarde, enquanto a Petrobras registrou nesta sessão sua primeira alta após três dias de baixas. Além disso, os frigoríficos, que caíram forte nesta manhã por conta da suspensão da Rússia aos embarques de carne bovina, amenizaram o movimento negativo nesta tarde. Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão:

Eletrobras (ELET3, R$ 6,97, +4,81%; ELET6, R$ 9,95, +5,74%)
As ações da Eletrobras figuraram entre as maiores altas do Ibovespa hoje após a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aplicar multa na União de R$ 500 mil por considerar que ela não poderia ter votado na AGE (Assembleia Geral Extraordinária) da elétrica que aprovou a renovação de concessões propostas pela Medida Provisória 579 em 2013, que reduzia o valor das tarifas de energia no País. A renovação antecipada de concessões previa redução de receita às geradoras. O governo federal, que controla a Eletrobras, votou pela renovação de contratos feitos com as controladas Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul. 

Agora, acionistas minoritários da companhia estudam a possibilidade de pedir indenização de R$ 7,5 bilhões, que seria revertida para a Eletrobras pela adesão da empresa à MP. 

Além disso, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, sinalizou hoje que o plano de privatização em estudo no grupo Eletrobras pode incluir, além das distribuidoras, ativos de geração e transmissão de energia. Segundo ele, o programa começará pela goiana Celg Distribuição, no último trimestre do ano. 

Cemig (CMIG4, R$ 14,78, +2,28%)
As ações da Cemig chegaram a subir quase 4% hoje em meio à expectativa sobre a retomada do julgamento no STJ (Supremo Tribunal de Justiça) para renovação da hidrelétrica de Jaguará e São Simão pelos próximos 20 anos. Nesta tarde, no entanto, foi informado que o julgamento foi adiado, levando os papéis a amenizarem os ganhos. 

A disputa está até agora em 4 a 2 para a União e caso ocorra algum voto a favor para a União a disputa pode ser encerrada hoje. Para o Credit Suisse, as ações da Cemig atualmente descontam um cenário 50%/50%, o que não parece muito razoável considerando o placar tão desfavorável. Segundo o banco, a ação da Cemig pode cair a R$ 10,20 caso fique sem as três usinas ou ir a R$ 20,30 se ganhar o julgamento. 

Entenda o que está em jogo: ação da Cemig pode ir a R$ 10,20 ou R$ 20,30 

Bancos
As ações do setor bancário conseguiram driblar o mau humor dos últimos dias após aumento da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) de 15% para 20%, que foi anunciado na última sexta-feira mas que já vinha sendo cogitada pelo mercado desde o início da semana passada. Os papéis dos grandes bancos listados subiram hoje, marcando sua segunda alta em oito pregões: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,62,+2,03%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,41, +1,97%BBDC4, R$ 29,17, +2,71%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,94, +1,66%). A exceção foi o Santander (SANB11, R$ 16,33, -0,06%), o que menos caiu nos últimos dias entre os grandes bancos.

Hoje saíram dados de crédito do Banco Central referentes ao mês de abril, que mostrou elevação da inadimplência e desaceleração do crédito, mas aumento do spread, o que é bom para as instituições. 

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Petrobras (PETR3, R$ 13,52, +1,20%PETR4, R$ 12,55, +1,29%)
A Petrobras questionou a Ecopetrol se tem interesse em comprar ativos que fazem parte de seu plano de desinvestimento, disse o presidente da Ecopetrol, Juan Carlos Echeverry, a parlamentares em Bogotá. A Ecopetrol poderá analisar a possibilidades para exploração que poderão se abrir no México e no Brasil.

Enquanto isso, investigações internas da estatal sobre as obras das refinarias de Abreu e Lima (Rnest) e Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) listam uma série de descumprimentos da legislação e de normas corporativas nos processos de contratação de fornecedores pela companhia, que de alguma forma permitiram ou facilitaram o direcionamento de contratos e a formação do cartel.

Segundo o jornal Valor Econômico, dentro da estatal, essas investigações são chamadas de Comissões Internas de Apuração (CIAs), que são conduzidas por funcionários da empresa, se valendo de provas documentais e entrevistas, sem direito a defesa. Ao contrário do que alguns ex-executivos da estatal tentaram estabelecer em depoimentos no Congresso, o resultado das CIAs evidencia que o escândalo não passou sem deixar pistas e rastros dentro da companhia.

Rumo (RUMO3, R$ 1,33, +9,92%)
As ações da Rumo lideraram os ganhos do Ibovespa hoje após desabarem 4,72% na véspera. No radar, há notícia de que o governo negocia até R$ 10 bilhões em investimentos do programa de infraestrutura que a presidente Dilma Rousseff pretende anunciar dia 9 de junho. Caso tenham seus contratos de concessão renovados antecipadamente, as três empresas ALL, MRS Logística e Valor da Logística Integrada se comprometeram a investir entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões na modernização de suas respectivas malhas. Vale lembrar que a Rumo Logística foi originada após fusão entre a ALL e Rumo. 

Vale (VALE3, R$ 20,95, +0,77%VALE5, R$ 17,58, +0,74%)
As ações da Vale conseguiram retomar alta após queda nesta manhã, seguindo para seu quinto pregão seguido de ganhos em meio à valorização do minério de ferro hoje, que subiu 0,8% no mercado à vista chinês, cotado a US$ 62 a tonelada seca, e marcando seu quarto pregão de ganhos e atingindo seu maior valor registrado no mês. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 11,44, +1,78%), holding que detém participação na mineradora. 

Ontem, o Bradesco BBI cortou o preço-alvo das ações da Vale de R$ 31,00 para R$ 24,00, mas manteve a recomendação em outperform (desempenho acima da média). A revisão para baixo foi em função de expectativas de menores produção, capex e preço do minério de ferro, cuja projeção foi reduzida de US$ 75 a tonelada para US$ 60 a tonelada.

Educacionais
As ações das educacionais seguiram em queda hoje após o Ministério da Educação alterar ontem portaria sobre os procedimentos para solicitação do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Agora, as regras de solicitação do financiamento dizem que a “seleção dos estudantes aptos para a contratação do financiamento, a partir do primeiro semestre de 2016, será efetuada exclusivamente com base nos resultados obtidos no Enem”. Na bolsa hoje, caíram as ações da Kroton (KROT3, R$ 11,84, -3,27%), Estácio (ESTC3, R$ 17,57, -0,73%). A ação da Ser Educacional (SEER3, R$ 14,18, +7,34%), no entanto, disparou no fim da sessão, enquanto a Anima (ANIM3, R$ 20,56, +0,39%) registrou leve alta. Todas são expostas ao programa de financiamento do governo. As ações da Kroton caíram pelo terceiro dia seguido. 

Em relatório de hoje os analistas do BTG Pactual ressaltaram visão positiva para Kroton após encontro com o CEO da companhia, Rodrigo Galindo. Ele disse que a companhia está alinhada com o MEC em relação à nova estrutura do Fies. Em relação à Anhanguera, ele disse que a integração está bem avançada. Já foi antecipada a integração acadêmica em dois anos e back-office praticamente integrado, o que deve acelerar a captura de sinergia ao longo do ano.

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Consumo
As companhias de varejo e voltadas para consumo seguiram em forte queda na Bolsa pressionadas pelo complicado cenário econômico nacional e das projeções nada animadoras do setor na economia. A Ambev (ABEV3, R$ 18,45, -0,49%) recuou novamente e chega a 7,7% de desvalorização nas últimas 3 semanas, atingindo assim sua mínima desde 31 de março. Já a Natura (NATU3, R$ 29,05, +2,61%), que recuou 16% desde 7 de maio e caía nesta sessão, virou para alta.

Sabesp (SBSP3, R$ 18,86, +3,74%)
Em caso julgado na terça, a CVM aplicou multa de R$ 400 mil ao Estado de São Paulo, em caso de reclamações sobre as operações entre a Emae e a Sabesp. Foram analisadas operações em que a Sabesp retirou água de dois reservatórios da Emae (Guarapiranga e Billings), que teve comprometida a capacidade de geração hidrelétrica. Para a CVM, essas retiradas seriam transações não comutativas entre partes.

Para a área técnica da CVM, ao se manter inerte ante a relação desvantajosa da Emae, o governo paulista teria deixado de atender os interesses dos demais acionistas da empresa. Nos dois casos, os acusados poderão pedir efeito suspensivo.

Gol (GOLL4, R$ 7,63, 0,0%)
Segundo a Folha de S. Paulo, Dilma estaria empenhada a ampliar a participação de estrangeira no capital das empresas aéreas (até 49%). O projeto é antigo, mas até hoje não foi aprovado.  

Exportadoras
Os papéis das companhias exportadoras seguiram em alta mesmo após o dólar virar para leve queda nesta tarde, embora ainda acumule fortes ganhos nos últimos dias e ajudem no cenário mais animador para essas empresas. Destaque para as ações da Fibria (FIBR3, R$ 44,91, +3,00%) e Suzano (SUZB5, R$ 16,64, +1,96%). 

Frigoríficos
As ações do frigorífico JBS (JBSS3, R$ 16,60, +1,97%) e Marfrig (MRFG3, R$ 4,21, +0,24%) viraram para alta após forte queda mais cedo, enquanto os papéis da Minerva (BEEF3, R$ 10,00, -0,30%) viraram para leve queda. O movimento ocorreu após notícia de que a Rússia suspendeu a compra de carne de 10 frigoríficos brasileiros a partir de 9 de junho e manteve a restrição em dois.

Segundo a Elite Corretora, normalmente, as grandes empresas conseguem realocar as exportações de frigoríficos que tem carne bloqueada para outros aprovados, tornando assim o peso sobre a proibição razoavelmente menor. Entretanto, a Rússia é o segundo maior importador de carne bovina do Brasil, sendo um mercado extremamente importante. 

CVC (CVCB3, R$ 18,56, -1,80%) e B2W (BTOW3, R$ 25,55, +0,43%)
O conselho de administração da CVC Brasil aprovou ontem a aquisição da totalidade do capital social da B2W Viagens e Turismo, responsável pelas atividades de agências de viagens online da B2W, razão social da Submarino Viagens. O negócio foi fechado ao preço máximo de R$ 80 milhões, a serem pagos em 10 parcelas anuais. 

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Olhando para a B2W, a impressão é de que a operação seja ligeiramente positiva para a empresa, embora os valores sugiram que ainda se trata de um negócio pequeno e ainda pouco rentábel, comentou o Credit Suisse. 

Já o BTG Pactual comentou que, no geral, o negócio fortalece o business da CVC de e-commerce e, apesar do valor parecer alto em um primeiro momento, há boas oportunidades para a companhia dado o alto tráfego no site e possibilidade de alavancagem das vendas da companhia.