Rumo: BBA vê RAIL3 “fechando gap” após perder rali e reitera compra; ação sobe

Desempenho abaixo da média reflete preocupações do mercado com variáveis operacionais da empresa e um guidance para 2025 visto como conservador

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Rumo Logística (Foto: Divulgação/RI Rumo Logística)
Rumo Logística (Foto: Divulgação/RI Rumo Logística)

Publicidade

As ações mais sensíveis aos juros subiram 44% no acumulado do ano, enquanto o Ibovespa avança 14%, deixando a Rumo (RAIL3) para trás, com alta de apenas 7%. O desempenho abaixo da média reflete preocupações do mercado com variáveis operacionais da empresa e um guidance para 2025 visto como conservador — fatores que mantiveram a ação pressionada. Às 10h07, a ação subia 2,60%, a R$ 20,10.

Agora, o Itaú BBA enxerga uma possível rotação de investidores em busca de papéis que ficaram de fora do rali, o que torna a Rumo mais atrativa. Aliado ao potencial de redução de riscos operacionais, o atual nível descontado da ação pode abrir espaço para uma recuperação no curto prazo. Com isso, o banco reiterou recomendação de compra para ações da empresa de logística Rumo (RAIL3), mas reduziu o preço-alvo de R$ 29 para R$ 25.

Embora analistas estejam otimistas com o desempenho de curto prazo, eles preferem outros nomes, como Localiza (RENT3) e Marcopolo (POMO4), já que acreditam que o perfil de longa duração da Rumo torna sua performance estrutural mais dependente de oscilações nas taxas de juros de longo prazo.

Viva do lucro de grandes empresas

Catalisadores de curto prazo

A Rumo divulgará seus dados mensais de volume na próxima segunda-feira, e a expectativa do BBA é de um tom mais construtivo após o desempenho fraco do início de 2025.

O banco avalia que os investidores devem reagir positivamente à melhora nas projeções da safra de milho e ao volume remanescente de soja que ainda será comercializado nos próximos meses, o que pode ajudar a companhia a alcançar ao menos o piso de sua projeção de crescimento (6% ano a ano no restante de 2025). O avanço recente das tarifas de frete rodoviário também reforça, segundo o BBA, a viabilidade do guidance de EBITDA da empresa.

Incertezas

Apesar de um possível impulso no curto prazo e da tese estrutural de crescimento de longo prazo ainda válida, o Itaú BBA destaca que permanecem preocupações relevantes entre os investidores.

Continua depois da publicidade

Entre os principais riscos estão a aprovação de tarifas, o alto consumo de caixa da companhia e as incertezas sobre a execução dos investimentos — dada a escala e a complexidade dos projetos de expansão. Em seu modelo, o banco projeta capex de R$ 6,1 bilhões em 2025, subindo para R$ 7,2 bilhões em 2027, o que pode resultar em geração de caixa negativa no fim da década.

Valuation

O BBA vê a Rumo sendo negociada a cerca de 6,0 vezes Valor da Firma (EV)/EBITDA para 2025 (excluindo arrendamentos e concessões), um nível considerado atrativo diante da queda de aproximadamente 100 pontos-base nas taxas de juros de longo prazo — enquanto o múltiplo da ação se manteve estável.

O banco projeta fluxo de caixa livre (ex-capex de expansão) de R$ 4,4 bilhões em 2026 e R$ 5,0 bilhões em 2027, o que implicaria um dividend yield de cerca de 9% em 2026. A expectativa é de que a ação da Rumo se beneficie ainda mais em um cenário de queda adicional das taxas de longo prazo.

O modelo do banco também assume um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 8,2 bilhões em 2025 — 1% abaixo do ponto médio do guidance da empresa — e capex de R$ 6,1 bilhões, próximo ao limite superior da faixa estimada pela companhia.