Conteúdo editorial apoiado por

Ricardo Ito: da engenharia ao trade com a junção de Fibonacci e Elliot na prática

Como combinar Elliott e Fibonacci para reduzir subjetividade e melhorar decisões no day trade

Bruno Nadai

Conteúdo XP

Publicidade

O mercado financeiro costuma premiar consistência, mas poucos conseguem alcançá-la de forma estruturada.

Em um ambiente marcado por tentativa e erro, parte dos operadores encontra na análise técnica uma maneira de reduzir a subjetividade e refinar a leitura de preço.

Nesse contexto, a combinação entre teoria de Elliott e Fibonacci ganha espaço como ferramenta para interpretar e projetar movimentos.

Convidado do episódio 24 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Ricardo Ito, trader e sócio da Top Gain, detalhou sua trajetória, metodologia e visão operacional.

No episódio, ele explica como utilizar essas ferramentas para estruturar suas decisões no mercado.

Origem e método

A entrada de Ito no mercado não seguiu o caminho tradicional.

Continua depois da publicidade

Inicialmente ligado à engenharia civil, ele encontrou no trading uma alternativa durante a pandemia (Covid), quando a paralisação das obras interrompeu sua rotina profissional.

Nesse período, um comentário dentro de casa acabou funcionando como gatilho para a mudança.

“Como eu trabalhava em engenharia, e nossa obra fechou, eu estava parado em casa. Minha esposa falou assim: ‘Meu, você vai ficar agora só assistindo televisão?’”, relembra

Continua depois da publicidade

A partir daí, ele iniciou uma busca ativa por conhecimento e mergulhou na análise técnica.

“Foi aí que eu comecei a caçar na internet como operar no mercado financeiro”, relata

Além disso, ele destaca que a escassez de conteúdo avançado no Brasil o levou a buscar conhecimento fora.

Continua depois da publicidade

Portanto, o desenvolvimento do seu método não veio de atalhos, mas de repetição e estudo contínuo.

“Eu tive que pegar um livro de fora, começar a traduzir e começar a estudar”, afirma.

Com isso, a estrutura operacional passou a se consolidar. Ele integrou conceitos da Teoria de Dow, Elliott e Fibonacci em uma única leitura de mercado.

Continua depois da publicidade

Dessa forma, construiu uma abordagem que busca reduzir subjetividade e aumentar a previsibilidade nos movimentos.

“A Teoria de Eliott mostra o caminho e o Fibonacci o tamanho da onda”, explica.

O foco deixou de ser apenas identificar movimentos e passou a ser antecipá-los com base em projeções.

Assim, o trader passou a atuar com maior precisão em pontos de entrada e saída, reduzindo erros comuns de leitura.

Leia também: O método técnico de Maria Silveira: contexto, Elliott, SMC e execução precisa

Leitura e execução

A metodologia de Ito parte de um princípio claro: o mercado é fractal. Ou seja, independentemente do tempo gráfico, os padrões se repetem.

Nesse sentido, ele utiliza principalmente o gráfico de 15 minutos como base para suas análises, estruturando o restante da operação a partir dele.

Ele reforça que o trabalho começa antes da abertura do mercado, analisando as regiões do dia anterior. Portanto, a preparação é parte essencial da execução.

“O estudo, a operação não começa hoje quando o pregão bate às 9 horas. Meu estudo começa no dia anterior. Quando termina o pregão, você começa a estudar a operação do outro dia. Sempre assim. Meu alvo de hoje foi traçado ontem”, afirma.

Com isso, ele define previamente regiões de interesse baseadas em Fibonacci. Essas regiões funcionam como zonas de decisão, onde o trader deve agir ou se manter fora.

Desta forma, a operação deixa de ser reativa e passa a ser planejada.

Da mesma maneira, a leitura de falhas de topo e fundo ganha protagonismo. Quando o preço não consegue romper determinadas regiões, ele interpreta como sinal de reversão.

Portanto, a execução está diretamente ligada à capacidade de interpretar essas regiões com precisão.

Quando alinhadas com outros indicadores, como médias móveis e MACD, essas zonas se tornam pontos de alta probabilidade operacional.

Leia também: Timing, fluxo e manejo de risco: a metodologia operacional de Flávio Lemos

Disciplina e consistência

Embora a técnica seja fundamental, Ito deixa claro que o diferencial está no comportamento do trader.

Nesse sentido, ele reforça que paciência e disciplina são pilares indispensáveis para alcançar consistência no mercado.

Além disso, ele critica a necessidade constante de estar posicionado. Para ele, operar menos, porém melhor, é o que diferencia profissionais de iniciantes.

“A grande sacada não é você estar sempre posicionado, você se posicionar uma vez, esperar chegar no seu alvo ou tirar no stop gain”, afirma.

Consequentemente, o conceito de “setup do enfermeiro” surge como uma metáfora direta da sua leitura operacional.

Na analogia, o enfermeiro não executa procedimentos, ele apenas observa e monitora o paciente.

No trading, a lógica é a mesma: fora das regiões de interesse, o operador não entra no mercado, apenas acompanha o preço até que ele chegue na “zona de operar”.

“Setup do enfermeiro: você não faz nada. Só fica assistindo”, explica

Por fim, a virada de chave, segundo Ito, está na mentalidade. O trader precisa abandonar vieses e focar no processo.

Assim, o crescimento se torna consequência de um comportamento consistente.

“Você tem de estudar e tem de ter persistência. Se você tiver persistência, conseguir ter a ferramenta certa de estudo, de trabalho e começar a conversar com o pessoal que entende do mercado, você vai crescer muito”, conclui.

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice