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A leitura precisa do mercado não depende apenas de indicadores ou padrões gráficos. Para Flávio Lemos, um dos nomes mais experientes da análise técnica no Brasil, a capacidade de interpretar o fluxo, entender os horários e calibrar o risco é o que separa operações aleatórias de decisões profissionais. “A tendência precisa de fluxo, precisa de dinheiro. O mercado financeiro é um balão: bota ar quente, sobe; tira o ar quente, cai”, afirma.
Convidado do episódio 11 da 3° temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Lemos detalhou como estrutura sua rotina para capturar movimentos relevantes e evitar armadilhas comuns — especialmente nos momentos de maior manipulação institucional. “Uma das coisas que a gente ensina é não operar na abertura. Pelo menos uma hora depois”, orienta.
O que fazer, quando fazer, como fazer
Lemos resume sua metodologia em três perguntas fundamentais: o que comprar, quando entrar e como estruturar o trade.
Segundo ele, timing é o ponto mais negligenciado pelos iniciantes, que confundem fundamentos sólidos com momento adequado de execução. Para ilustrar, explica que cada decisão técnica depende de contexto, volatilidade e objetivo operacional. “Não existe santo graal. O mercado vai mudar”, conclui.
Essa necessidade de acertar o momento certo das operações leva a um segundo ponto essencial da leitura técnica: entender se o mercado está ou não em tendência.
Por isso, ao analisar o comportamento do preço, ele reforça que identificar se há tendência é prioridade absoluta antes de qualquer indicador. Volume, players e dinâmica do fluxo são determinantes para confirmar direção. “Você pode usar a leitura dos players e ver o gráfico. A evolução dos players no tempo mostra se ele está entrando no papel”, observa.
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Fluxo e horários decisivos
Um dos pontos mais críticos, segundo Lemos, é entender como o fluxo institucional dita o comportamento do mercado ao longo do dia. Ele alerta que a abertura é o pior momento para entrar — especialmente para traders iniciantes — porque o fluxo ainda está desalinhado e sujeito a movimentos provocados por players maiores. “Dá aquela puxada pro outro lado que não vai, bota a cara na compra, vende para comprar e compra para vender”, explica.
Após esse período, o trader deve esperar o mercado americano digerir as notícias, os grandes bancos ajustarem ordens e o fluxo real se estabelecer. “Qual é o primeiro bom trade do dia? Depois que eles fizeram as contas e os clientes institucionais passam as ordens. É aí que você vai conseguir monitorar as ordens, o fluxo entrando. Normalmente meia hora depois da abertura do pregão de Nova York”, afirma.
Além disso, os horários de maior risco também são claros. Ele destaca o final do pregão como o momento menos favorável: alta volatilidade, liquidez caindo e posições sendo zeradas por necessidade — não por estratégia. “O final é uma roleta russa… quem está comprado tem que zerar, quem está vendido tem que zerar”, alerta.
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Indicadores que importam
Apesar de dominar diversas técnicas, Lemos reforça que a escolha de indicadores precisa respeitar o ambiente do mercado. Em dias de tendência, médias móveis, ADX e cruzamentos funcionam bem; em dias laterais, osciladores como estocástico e TRIX ganham força.
Segundo Lemos, cada contexto exige uma ferramenta específica, porque o mercado não se comporta da mesma forma em todos os cenários. Ele reforça que entender o ambiente é essencial antes de aplicar qualquer indicador. “Média móvel não funciona quando não tem tendência, senão você só deixa a corretora mais rica”, observa.
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Por fim, ele destaca o papel do volume como elemento essencial na leitura da força de um movimento. Em mercados laterais, o volume ajuda a filtrar armadilhas e antecipar reversões. “No Brasil, graças a Deus, dá para ver volume, e isso é um negócio legal que eu gosto de ver”, explica.
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Risco, capital e disciplina
Independentemente da estratégia, Lemos é categórico: o tamanho da posição é mais importante do que o sinal de entrada. O trader deve trabalhar com risco entre 1% e 2% do capital por operação, permitindo suportar sequências negativas sem abandonar o plano. “Quem tem medo de perder também não ganha. Mas não pode apostar tudo”, alerta.
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Mas a técnica sozinha não basta. Ele reforça que o estômago — e não a cabeça — é o órgão mais importante para um trader. A capacidade de aguentar oscilações sem romper o plano operacional é o que define quem permanece no mercado. “O órgão mais importante do corpo humano é o estômago”, conclui.
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