Temporada de resultados

Suzano (SUZB3) vê lucro recuar 98% no 2º tri, para R$ 182 mi; aprova recompra de ações e sobe meta de investimento

Diferença na base anual se dá, entretanto, por resultados não recorrentes em 2021 e também por piora dos gastos financeiros

Por  Vitor Azevedo -

A Suzano (SUZB3) registrou um lucro de R$ 182 milhões no segundo trimestre de 2022 (2T22), informou a companhia de papel e celulose nesta quarta-feira (27). O número representa um recuo de 98% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A projeção da Refinitiv a partir de consenso de analistas de mercado era de um lucro de R$ 1,227 bilhão (queda de 88% na base anual), mas com avanço da receita de 8,23%, para R$ 10,65 bilhões. Para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), a projeção era de R$ 5,693 bilhões, queda de 17,5% na base anual, mas avanço de 11,3% frente o 1T22.

A receita líquida da Suzano cresceu 17% no ano, para R$ 11,5 bilhões. O Ebtida ajustado da companhia ficou em R$ 6,3 bilhões, alta de 6% na mesma base.

“O segundo trimestre do ano continuou sendo marcado por demanda positiva e pela combinação de diversos fatores não programados e dificuldades logísticas que afetaram a oferta de celulose e sustentaram o aumento nos preços da fibra curta”, comenta a companhia no documento publicado na noite de hoje.

Segundo a companhia, os mercados dos EUA e da Europa continuam resilientes e foi possível repassar o aumento dos gastos com insumos e energia, gerado pela guerra da Ucrânia. Na China, porém, houve um impacto negativo causado pelos lockdows da política de Covid zero.

O volume de venda de celulose cresceu 5% no ano, para 2,6 milhões de toneladas, e a receita desta frente cresceu 19% na mesma base, para R$ 9,5 bilhões. O preço médio da commodity subiu 15% na mesma base, para US$ 726 a tonelada.

Do outro lado, porém, o custo da caixa ficou em US$ 854, subindo 26% na comparação com o 1T21 – apesar de ter recuado 2% na base sequencial. “A elevação do custo de madeira é explicada principalmente por impacto do maior raio médio no trimestre e pelo aumento no preço do Brent, o qual afeta tanto as operações de colheita quanto transporte”, explicou a Suzano.

O Ebitda ajustado da frente de celulose ficou em R$ 5,6 bilhões, alta de 2% no ano e de 23% no trimestre. O número foi impulsionado pelo maior preço da celulose e pelo volume de vendas mas, do outro lado, foi parcialmente compensado pela valorização do real frente ao dólar, que aumentou os gastos da companhia.

No segmento de papel, as vendas saltaram 11% no ano, chegando a 231 mil toneladas, e a receita, 44%, para R$ 2,01 bilhões.

“O Ebitda ajustado do papel teve acréscimo de 25% na comparação com o 1T22 em decorrência, sobretudo, da elevação do preço médio líquido e do aumento do volume vendido”, explica a Suzano.

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Apesar da alta da receita e do lucro operacional nas duas frentes de negócio, a Suzano teve o seu lucro líquido impactado negativamente pelo seu resultado financeiro, negativo em R$ 6,9 bilhões – ante saldo positivo de R$ 12,9 bilhões do 1T21.

A companhia explica que viu suas despesas financeiras saltarem 8% no ano, por conta da alta dos juros na moeda nacional. Além disso, os resultados financeiros também foram impactados pela desvalorização do real frente ao dólar, de 11%, que impulsionou a dívida em moeda estrangeira, o que subtraiu R$ 4,4 bilhões do resultado.

A Suzano viu ainda sua dívida líquida avançar 11% no ano, para R$ 54,8 bilhões. “O aumento da dívida em comparação ao 1T22 se deu, principalmente, em função da desvalorização do real de frente ao dólar”.

Recompra e investimentos

Além do balanço, a companhia anunciou mais um programa de recompra de ações após ter tido uma “significativa evolução das recompras” de um programa aprovado em maio. Desta vez, a operação envolve até 20 milhões de ações, ou 2,8% do total em circulação, e o prazo será de 18 meses.

Maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, a Suzano também elevou a projeção de investimentos em 2022, dos R$ 13,6 bilhões divulgados no final do ano passado para R$ 16,1 bilhões.

O crescimento na expectativa de dispêndios decorre de compra de ativos florestais por R$ 2 bilhões e antecipação de gastos com manutenção, “visando maior eficiência financeira”, afirmou a companhia.

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