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SÃO PAULO – O ano de 2004 contrariou as expectativas iniciais, que apontavam para uma queda significativa dos juros, e foi positivo para os investidores que optaram por aplicações em renda fixa. A rentabilidade dos principais investimentos do segmento superou a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços a Mercado).
Considerando a previsão dos analistas para o IGP-M de dezembro, que deve mostrar inflação de 0,84%, o índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas irá registrar uma variação de preços de 11,59% em 2004.
Prognósticos apontavam para redução da Selic
No final de 2003, as perspectivas do mercado giravam em torno de uma redução mais significativa da taxa básica de juro, a Selic, por parte do Banco Central. Esta perspectiva não era infundada, já que a ata do Copom divulgada em dezembro, relatando a redução da Selic em um ponto percentual, de 17,5% para 16,5%, era bastante otimista, projetando uma inflação para 2004, medida pelo IPCA, abaixo da meta de 5,5%. Vale lembrar que a inflação medida pelo IPCA deve fechar 2004 próxima a 7,5%.
Contudo, logo que o ano começou, ficou claro que a autoridade monetária não estava disposta a arriscar, já que a velocidade das reduções da Selic ficou bem abaixo daquilo que o mercado esperava. Apenas em março o Copom voltou a reduzir a taxa básica, mas em apenas 0,25 ponto percentual, redução que viria a se repetir em abril.
Selic em tendência de alta
A partir de então, o Copom passou a sinalizar em suas atas que o aumento da atividade econômica e o comportamento dos preços do petróleo no mercado internacional poderiam desencadear um movimento de alta da inflação, o que o levou a manter a taxa básica em 16% até o mês de setembro.
O acirramento do processo eleitoral nos municípios e a indicação de que a oposição poderia vencer em importantes capitais administradas pelo PT levou setores do governo a pressionar a autoridade monetária por reduções na Selic, mesmo que a custa de elevações na inflação.
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Contrariando esses setores, o Copom optou por elevar a taxa básica para 16,25% em setembro, e prosseguiu com os aumentos, elevando a taxa básica da economia por quatro vezes, fechando o ano com a taxa em 17,75%.
Fundos de renda fixa e DI não acompanham Selic
Ao longo de 2004, os fundos de renda fixa e DI não acompanharam o movimento da Selic, apresentando ao longo do ano tendência de menor rentabilidade.
Na média do mercado, fornecida pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), os fundos de renda fixa renderam 1,27% em janeiro de 2004, enquanto em novembro seu rendimento atingiu apenas 1,14%. Os fundos DI, por sua vez, renderam 1,33% em janeiro e 1,21% em novembro.
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Ainda assim, no acumulado de 2004, os fundos de renda fixa renderam, em média, 15,12%, utilizando dados até 23 de dezembro, enquanto os fundos DI renderam 15,54% no mesmo período.
CDB´s apareceram como boa opção de investimento
Os CDB´s acompanharam de perto as oscilações da taxa básica de juro, e apresentaram um ótimo desempenho ao longo do ano. No mês de janeiro, os CDB´s pré fixados de 30 dias apresentavam remuneração média de 16,05% ao ano, enquanto em dezembro a média se elevou para 17,81% ao ano.
Com isso, a rentabilidade no ano atingiu 16,34%, cerca de 4,2 pontos percentuais acima da variação estimada do IGP-M no período. Vale lembrar que, em 2003, o retorno real do CDB foi de 13,52%.
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A projeção do CDI para o ano ficou em 15,89%, o que implica em um retorno real em torno de 3,85%, também considerando o IGP-M como indexador. É importante destacar que o CDI é usado como principal medida de referência para o mercado de renda fixa e de fundos de investimentos.
Poupança fica na lanterninha, perdendo para o IGP-M
A caderneta de poupança não conseguiu superar a inflação medida pelo IGP-M e, deve fechar o ano com rentabilidade acumulada de 8,10%, segundo dados do Banco Central. Vale lembrar que as aplicações em caderneta de poupança são isentas de imposto de renda.
Se o desempenho em termos nominais não foi bom, descontando-se a variação do IGP-M, ela foi ainda pior. De fato, a mais tradicional forma de aplicação de renda fixa no Brasil deve fechar o ano com rendimento real negativo de 3,13%, que ficou bem abaixo do ganho real de 3,13% registrado em 2003.