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As ações das companhias farmacêuticas da B3 registraram uma sessão de derrocada na nesta quinta-feira (24) após o Mercado Livre (BDR: MELI34) anunciar que fará a venda de remédios com receita.
Os papéis da RD Saúde (RADL3) fecharam em baixa de 5,38% (R$ 18,45), sendo a segunda maior perda do Ibovespa, enquanto Pague Menos (PGMN3) teve baixa de 8% (R$ 3,45), após chegar a cair mais de 10% logo após a notícia. Já a Panvel (PNVL3) viu seus ativos caírem 4,90%, a R$ 12,43.
A novidade do Mercado Livre foi anunciada na 10ª edição do Meli Experience, que ocorre nesta quinta-feira (24), em São Paulo.
O marketplace de farmácias começa a operar amanhã (25). Segundo o Mercado Livre, até outubro três parceiras já estarão cadastradas na plataforma. A empresa não abriu o nome dessas companhias. Até o fim do ano, a expectativa é reunir 20 redes farmacêuticas na plataforma.
“A demanda por medicamentos já existe dentro da plataforma, mas parte dela não podia ser atendida devido às restrições regulatórias. Entre os produtos com maior procura estão medicamentos ligados à saúde sexual, além de tratamentos para dependência de nicotina, categorias em que muitos consumidores preferem a privacidade das compras online”, disse Fernando Yunes, vice-presidente sênior e líder do Mercado Livre no Brasil, durante coletiva de imprensa.
A novidade contempla a venda de categorias como antibióticos e medicamentos à base de GLP-1, classe utilizada no tratamento de diabetes e obesidade.
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O serviço expande também a cobertura geográfica do Mercado Livre no setor, que passa a atender toda a região metropolitana de São Paulo e passa a fazer parte do sistema de entregas de produtos em até 60 minutos, também anunciado pela companhia nesta quinta-feira.
Até o final do ano, a empresa prevê ter 20 farmácias de redes terceiras de farmácias distribuídas em São Paulo para conseguir chegar à entrega em 60 minutos.
Até agora, o Mercado Livre atuava no setor farmacêutico apenas com medicamentos isentos de prescrição médica.
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Para Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, a busca por margens explica a violência da reação das ações de farmacêuticas na Bolsa.
“A caneta emagrecedora agrava isso porque traz hoje o melhor cliente que a farmácia tem. A Pague Menos já divulgou que quem faz esse tratamento gasta cerca de nove vezes mais que o cliente comum e vai à loja 50% mais vezes. Perder uma venda é uma coisa. Perder o cliente que garantia movimento todo mês é outra bem diferente, e foi isso que o mercado colocou no preço”, avalia.
Na avaliação de Luersen, contudo, a queda pode ter sido exagerada. “A tese tem fundamento e pode crescer bastante no médio e longo prazo, mas o mercado reagiu como se a informação fosse nova, e ela não era. A lei que liberou as farmácias a contratar aplicativos para entregar remédio saiu em março. O Mercado Livre começou a vender em março, avançou em julho e agora chegou aos remédios em que a farmácia precisa ficar com uma via da receita. É o terceiro degrau de uma escada que estava à vista de todo mundo. Cair tanto assim num único dia, diante de um passo anunciado em palco, não é revisar o lucro da empresa. É revisar quanto se aceita pagar por ele, no susto, diante de um concorrente”, aponta o analista.
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