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O Ministério da Saúde divulgou uma estimativa preliminar na última segunda-feira (28) de R$ 1,5 bilhão em gastos anuais para tratamentos de obesidade com GLP-1 pelo SUS.
A pasta afirmou que compras em escala e produção nacional poderiam permitir descontos de 80% a 90% nos preços de aquisição. O valor, porém, ainda não representa um programa aprovado, já que os critérios de elegibilidade, a data de início e o custo médio do tratamento não foram definidos.
O Morgan Stanley avalia que a possível oferta de medicamentos GLP-1 pelo SUS deve principalmente ampliar o acesso ao tratamento, com risco limitado de canibalização das vendas no mercado privado. Segundo o banco, o cenário reduz a necessidade de mudanças relevantes nas projeções para RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3).
Para o Morgan Stanley, considerar todo o orçamento de R$ 1,5 bilhão como vendas privadas em risco superestimaria a potencial canibalização. Embora o montante corresponda a cerca de 11% dos R$ 13,1 bilhões projetados pelo banco para o mercado de GLP-1 em 2026, a parcela efetivamente retirada das farmácias privadas tende a ser menor.
A principal questão, segundo o banco, é a sobreposição entre os beneficiários do SUS e os pacientes que atualmente pagam pelo tratamento no setor privado.
A expectativa-base é de que o programa público atenda principalmente pessoas que hoje não conseguem arcar com o custo dos medicamentos.
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Considerando preços mensais de R$ 100, R$ 200 ou R$ 279, o orçamento de R$ 1,5 bilhão poderia financiar aproximadamente 1,25 milhão, 625 mil ou 448 mil pacientes, respectivamente, caso todo o recurso fosse destinado à compra dos medicamentos. A R$ 200 por mês, seriam cerca de 625 mil pacientes, equivalentes a apenas 1,4% dos 46 milhões de brasileiros estimados pelo banco como portadores de diabetes tipo 2 e/ou obesidade.
A acessibilidade financeira também permanece como uma barreira relevante. Com um custo de R$ 279 por mês e considerando que o paciente comprometa no máximo 10% da renda com o tratamento, seria necessária uma renda mensal de R$ 2.790.
Pelas estimativas do Morgan Stanley, cerca de 37% da população atingiria esse nível de renda, deixando aproximadamente 63% fora do mercado privado acessível sob esse critério.
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Assim, o Morgan Stanley entende que a expansão do SUS pode aumentar significativamente o acesso sem necessariamente deslocar a demanda já existente nas farmácias.
O principal risco para as projeções seria uma implementação com forte sobreposição entre os pacientes atendidos pelo sistema público e os clientes atuais ou futuros considerados nas estimativas para o mercado privado.
