No páreo

Quem tem mais a ganhar com o HSBC: Itaú, Bradesco ou Santander?

A expectativa é que o nome do possível comprador da unidade brasileira do HSBC saía ainda este mês

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SÃO PAULO – Três grandes bancos privados brasileiros estão na disputa para comprar a unidade brasileira do HSBC. Rumores apontam que, no momento, a corrida pela aquisição estaria sendo liderada por Bradesco (BBDC3; BBDC4), que teria oferecido o maior montante, de até R$ 14 bilhões, segundo fontes da Bloomberg, assim como encontraria mais facilidade de obter aprovação do governo do que um banco estrangeiro, como o Santander (SANB11), que também fez oferta, mas algo entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões. No piso do mercado, estaria o Itaú Unibanco (ITUB4), com a menor oferta de R$ 8 bilhões. 

Mas, em meio à tantas expectativas sobre os possíveis compradores, a questão que ronda é: afinal, o que eles ganharam com isso? Lembrando que o nome do comprador deve sair ainda esse mês, ou seja, os burbinhos sobre o assunto só tentem a ganhar mais força. A venda, no entanto, seria finalizada pelo Goldman Sachs – banco contratado pelo HSBC para assessorar a operação – até agosto. 

Em um relatório bem extenso do Credit Suisse, de  23 páginas, a equipe de análise do banco, composta por Marcelo Telles, Daniel Magalhães, Alonso Garcia e Victor Schabbel, buscam desvendar essa questão. A análise é focada no impacto para os três principais bancos de varejo – Bradesco, Itaú Unibanco e Santander – já que são os principais candidatos à compra. 

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Para eles, a compra seria interessante para qualquer um dos três, mesmo se for pago um prêmio pelo valor patrimonial do banco. Os analistas acreditam que o preço pelo HSBC Brasil seria algo entre R$ 10 bilhões e 15 bilhões (o que representaria de 1 a 1,5 vez o “price-to-book”, ou o preço sobre o valor patrimonial). Nessa faixa, tanto Bradesco quanto Santander teriam oferecido o que é considerado o “preço-justo” pelo Credit Suisse, enquanto Itaú Unibanco teria oferecido um valor inferior.  

E o que eles têm a ganhar?

Olhando para as sinergias, eles acreditam que o Bradesco seja o que mais tenha a ganhar, com R$ 5,9 bilhões em sinergias, seguido pelo Itaú Unibanco (R$ 5,5 bilhões) e o Santander (R$ 4,5 bilhões).

A maior parte dos ganhos são em decorrência de eficiência de custo (90% das sinergias totais) e as oportunidades de ganho de receitas, mas com uma porcentagem bem menor, devido à sobreposição de clientes que deve existir, principalmente na área de “middle-market” e “large corporate”.

Segundo os analistas, o Bradesco seria o que possui a menor taxa de sobreposição, em relação aos outros dois, com o HSBC. O banco tem 2,6% do portfólio de crédito (contra 4% do Santander e 2,7% do Itaú) e 1,9% em agências (contra 4% do Santander e 4,7% do Itaú). 

Confira abaixo as potenciais sinergias com a aquisição do HSBC:

SinergiasItaúBradescoSantander
Eficiência de custoR$ 5,268 bilhõesR$ 5,237 bilhõesR$ 4,11 bilhões
Oportunidades de ganhos de receitasR$ 237 milhõesR$ 685 milhõesR$ 347 bilhões
Total das sinergiasR$ 5,5 bilhõesR$ 5,9 bilhõesR$ 4,5 bilhões
*Estimativas feitas pelo Credit Suisse

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Um ponto que não pode passar em branco…

Como a aquisição trata-se do setor bancário, é importante ter em mente que o valor da operação tem que ser ponderado também pelo impacto que isso pode causar no índice de Basileia, medida da força financeira a reserva de capital em relação a ativos ponderados pelo risco de um banco.

O capital de nível 1, composto sobretudo pelo patrimônio líquido, é o principal componente de Basileia. No Brasil, o índice deve ter piso de 11%.

O Credit acredita que, para esses bancos, é importante manter a meta de capital de nível 1 em 12% a 12,5% em 2019, deixando, com isso, o valor pago pelas operações do HSBC no Brasil limitado. Mantendo essa meta, os analistas acreditam que o múltiplo a ser pago pelo Bradesco é de 1,1 vez o “price-to-book” (P/BV); Santander, 0,95 vez P/BV; e Itaú Unibanco, 1,15 vez P/BV. 

Deixando isso mais claro…

Analisando todas as sinergias, custos e valor pago pela aquisição ponderado pelo índice de Basilia, o Credit chega a conclusão: no fim, todos os três bancos têm a ganhar com a aquisição. Mas o Bradesco parece ser o principal candidato devido a sua base de capital, menor sobreposição de clientes e estratégia focada no Brasil. 

Segundo os analistas, a aquisição acrescentaria 8,7% na projeção do lucro líquido por ação do Bradesco; 13%, para Santander; e 5,4%, para Itaú Unibanco. 

E se o Bradesco comprar o HSBC? Qual seria o impacto no setor e no mercado?

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