Oportunidades

Que ações comprar para tentar ganhar com o aumento do preço da carne

Enquanto brasileiros sentem no bolso a alta do preço da carne, ações de frigoríficos disparam na bolsa

carne frango
(Shutterstock)

SÃO PAULO – As ações de frigoríficos estão entre as maiores altas da Bolsa neste ano. Os papéis de JBS e Marfrig já subiram mais de 100%, enquanto o Ibovespa teve uma alta de 25,5%; os da Minerva valorizaram 213%, sendo o melhor desempenho entre as ações do setor de proteína no mundo, segundo dados da Bloomberg.

Mas, para a maioria dos analistas, há espaço para mais. O motivo: o forte aumento do preço da carne, que deve beneficiar os resultados das empresas do setor de carnes.

E levar a reboque outra companhia, a BRF. Dados recentes mostram que a população optou por aumentar o consumo de frango para substituir a carne bovina.

Segundo o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o preço do frango aumentou 1,34% em novembro.

“Esse aumento do preço das proteínas deve continuar sendo positivo para as empresas do setor e, pensando no quarto trimestre, que sazonalmente é mais forte, com o Natal, além dos recentes dados mostrando o aumento do consumo das famílias, este deve ser um trimestre positivo para elas”, avalia Betina Roxo, analista da XP Research, reforçando que tem recomendação de compra para BRF (BRFS3), JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).

Com a visão positiva dos analistas, a JBS entrou para o ranking das ações mais recomendadas em dezembro, segundo levantamento feito pelo InfoMoney com 13 casas de análise.

Na opinião dos analistas do Bradesco BBI, o efeito da mudança de hábito de consumo da população, chamado de trade-down, deve beneficiar mais o frango, com uma projeção de que os preços subam ainda mais 30% em relação ao valor atual para reduzir a diferença de em relação ao valor da carne bovina.

Segundo dados da Bloomberg, a JBS tem 12 recomendações de compra e 4 de manutenção, enquanto para a BRF 11 casas de análise recomendam compra e 6, manutenção. No caso da Marfrig e Minerva são seis e dez recomendações para compra, respectivamente. Entre as quatro empresas não há nenhuma recomendação de venda.

Preços vão subir mais?

Como reflexo de um cenário que já dura alguns meses, o preço da carne bovina disparou recentemente. O valor de alguns cortes chegou a subir 50% em menos de três meses, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

O que ocorreu foi uma combinação de dois fatores: em um momento de baixa oferta de boi no país, houve uma expressiva alta nas exportações, em especial para a China, que sofre com um surto de peste suína africana.

Com isso, o valor da arroba do boi gordo teve forte alta, chegando aos maiores valores da história. O preço saiu de R$ 155,70 no início de setembro e atingiu R$ 231 na semana passada, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Para o presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, esta alta no preço foi “um ponto fora da curva” e, embora esteja havendo “uma acomodação”, os preços não voltarão mais ao patamar de 60 ou 90 dias atrás.

Já Ricardo Santin, diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou que a alta das carnes deve se intensificar com as festas de fim de ano e seguir assim no primeiro semestre de 2020.

A expectativa dele é que os preços não voltem ao que era visto nos açougues e supermercados no início deste ano.

Já a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quarta-feira que o mercado já sinaliza uma redução no valor da arroba do boi e que o preço da carne deve se normalizar em breve.

“Tivemos uma conjuntura momentânea de seca, falta de pasto e abertura de mercados, mas agora o preço da carne deve se estabilizar”, disse.

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