Carteiras

As ações mais recomendadas pelos analistas para comprar em dezembro

Levantamento com 13 casas de análise mostra preferência por Petrobras e Vale, além de JBS e B3

(SHutterstock)

SÃO PAULO – O último mês do ano conta apenas com nomes de peso dentre as ações recomendadas pelos analistas para investidores comprarem. Levantamento feito pelo InfoMoney com 13 casas de análise mostra um time liderado pelos papéis da Petrobras, que figuram nas preferências desde o início do ano, seguidos pelas ações da B3, JBS, Vale e do Pão de Açúcar.

B3 e JBS representam uma novidade na carteira do mês, com seis recomendações cada. No primeiro caso, há uma avaliação positiva sobre a Bolsa e sobre o ambiente de negócios para investimentos, especialmente os de renda variável, o que tende a repercutir no balanço da B3.

Na avaliação da XP Investimentos, o Ibovespa negocia a 12,6 vezes pelo critério de relação preço/lucro (P/L, que dá uma indicação do prazo para o investidor reaver a aplicação) para 2020, próximo do patamar histórico, de 12,3 vezes, mas com potencial para valorização adicional.

“Acreditamos que há espaço para revisão de projeções de lucros das empresas em um ambiente de juros mais baixos e atividade acelerando”, diz a XP, em relatório. A casa trabalha com a expectativa de que o Ibovespa encerre 2020 no patamar de 140 mil pontos.

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Já a JBS está em forte evidência diante da disparada de preços da carne, em meio à peste suína africana e ao aumento da demanda por exportações brasileiras, o que tende a beneficiar frigoríficos como da JBS. As ações já vinham em um ótimo momento de mercado, com alta de nada menos que 150% em 2019 até novembro.

Petrobras, por sua vez, fechou novembro em baixa de 3,5%, mas também defende apreciação de 31% em 2019, portanto acima do avanço de 23% do Ibovespa. E há quem considera que os papéis seguem descontados, o que justifica a recomendação de compra.

Confira a seguir as ações mais indicadas para dezembro e as principais justificativas para as escolhas:

Empresa Ticker Recomendações*
Petrobras PETR4 8
B3 B3SA3 6
JBS JBSS3 6
Vale VALE3 6
Pão de Açúcar PCAR4 5
*Recomendações compiladas das carteiras de ações de Ativa, BB Investimentos, Bradesco Corretora, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Necton, Rico, Santander Corretora, Socopa, Terra e XP.

Petrobras (PETR4)

Queridinha do ano entre os analistas, a ação da Petrobras foi novamente a mais recomendada para o mês, com oito indicações em dezembro.

Com os papéis na carteira desde agosto, a Rico Investimentos diz, em relatório, estar de olho em na possível venda de refinarias pela estatal, e no plano proposto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de abertura do mercado de gás natural, que pode destravar “enorme valor” para as ações.

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Na avaliação da Socopa, as ações da estatal estão descontadas e a companhia deve continuar a reportar melhora do seu resultado operacional, refletindo uma disciplina de alocação de capital, estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional e uma manutenção da política de paridade de preços.

B3 (B3SA3)

Empatada em segundo lugar com JBS e Vale, todas com seis recomendações, a ação da Bolsa brasileira é novidade na carteira da Terra Investimentos para este mês.

Os analistas da casa têm uma expectativa positiva para os resultados da Bolsa no quarto trimestre, por conta de um aumento do número de IPOs e de follow-on. O preço-alvo estimado para as ações da B3 é de R$ 55 em 12 meses, o que implica potencial de alta de 14,3% em relação ao fechamento do dia 29 de novembro.

Já a Bradesco Corretora destaca a solidez financeira e o compromisso de retorno de caixa da B3 para os acionistas, bem como uma expectativa de retomada do mercado de crédito, podendo repercutir nos negócios no mercado de balcão, como central de registro, depositária e custódia.

Segundo a instituição financeira, o ambiente de juros baixos e crescimento econômico deve manter o investidor com apetite ao risco, beneficiando os resultados na renda variável.

JBS (JBSS3)

As ações da JBS passaram a ser recomendadas neste mês pela Genial e pela Necton Investimentos, que destacaram o impacto da peste suína africana na cadeia mundial de proteínas, o que tem beneficiado empresas brasileiras, como a JBS, após novas plantas de exportação serem liberadas para a China. Em novembro, o papel teve leve alta de 0,67%.

“Acreditamos que os efeitos da peste suína africana devem perdurar ainda em 2020 e, por conta da sua atuação global, que representa mais de 70% do faturamento, a JBS deve se beneficiar de preços mais inflacionados das proteínas e maiores exportações”, escreveu a equipe de análise da Necton.

A Rico, que tem JBS como ação favorita entre os frigoríficos, diz acreditar que os menores riscos de governança, somados a uma entrega de fortes resultados e possível listagem de ações nos EUA, podem continuar impulsionando os papéis.

Vale (VALE3)

Os papéis da Vale são novidade na seleção de ativos recomendados pela XP para este mês. Entre as principais justificativas, os analistas destacam que a companhia está negociando abaixo de seus pares australianos e de seus níveis históricos. “Seguimos otimistas com relação à geração de caixa (esperamos retorno com fluxo de caixa livre em torno de 14% em 2020), na esteira de preços saudáveis do minério de ferro e custo de caixa mais baixo olhando para frente”, destaca a instituição financeira.

A Elite Investimentos, por sua vez, cita a possibilidade de aumento na demanda por minério em 2020, bem como a capacidade de oferta que a Vale vem reconquistando desde a tragédia de Brumadinho, em janeiro.

Pão de Açúcar (PCAR4)

Com cinco recomendações no mês, Pão de Açúcar entrou na carteira da Bradesco Corretora, que destaca os fortes resultados da companhia e a conclusão da oferta pública de ações (OPA) da colombiana Éxito, como parte do processo de reorganização das companhias do Casino na América Latina.

“Isso é amplamente positivo para o Pão de Açúcar, pois deixa a empresa mais próxima de sua migração para o Novo Mercado da B3, o que vai diminuir as preocupações dos investidores sobre a governança corporativa do GPA”, escreve a equipe de análise.

Outra novidade importante para o grupo, segundo os analistas do Bradesco, é a joint venture de programa de fidelidade criada em parceria com a RD (ex-Raia Drogasil), que visa “aproveitar a capilaridade das duas empresas e aumentar o uso recorrente pelos principais clientes”.

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