Qual é o momento certo para comprar ações em um dos próximos mega-IPOs de tecnologia?

As próximas listagens de SpaceX, Anthropic e OpenAI podem ser grandes o suficiente para reescrever a tendência de ações de IPOs

Bloomberg

Complexo de Lançamento 39A da SpaceX, no Centro Espacial Kennedy da Nasa, em Cabo Canaveral, Flórida. Fotógrafo: Joe Raedle/Getty Images
Complexo de Lançamento 39A da SpaceX, no Centro Espacial Kennedy da Nasa, em Cabo Canaveral, Flórida. Fotógrafo: Joe Raedle/Getty Images

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O histórico das ofertas públicas iniciais de empresas megacaps mostra que, em geral, as ações costumam cair no primeiro ano de negociação. Mas as próximas listagens de SpaceX, Anthropic e OpenAI são grandes o suficiente — e importantes o suficiente de forma sistêmica para o mercado — para que essas analogias talvez não se apliquem.

Tudo isso coloca uma questão crucial de timing para os investidores: qual é o momento certo para comprar ações em um dos próximos mega-IPOs de tecnologia?

“Esses IPOs gigantes vão rapidamente ocupar tanto uma fatia relevante dos benchmarks quanto a atenção dos investidores de varejo”, disse Max Gokhman, vice-presidente sênior da Franklin Templeton Investment Solutions.

Ao analisar 30 grandes IPOs de tecnologia nos últimos 15 anos, a Truist Wealth constatou que eles registraram, em média, uma queda máxima de 55% no primeiro ano de negociação. Os retornos futuros também tenderam a ser negativos no marco de seis meses, segundo os cálculos da Truist.

Há várias explicações possíveis para essa fraqueza, incluindo o baixo free float e a pressão adicional de venda após o vencimento dos períodos de lock-up, que impedem investidores iniciais de vender imediatamente. A diferença, porém, é que os IPOs que estão por vir não são ofertas megacap comuns.

A SpaceX, oficialmente chamada Space Exploration Technologies Corp., busca levantar US$ 75 bilhões no que deve ser o maior IPO de todos os tempos, avaliando a empresa em cerca de US$ 1,8 trilhão. A Anthropic realizou rodadas privadas de captação que a avaliam em US$ 965 bilhões, e a OpenAI vale US$ 852 bilhões com base em sua própria captação de recursos.

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Espera-se que as três ofertas de grande porte resultem em valores de mercado acima de US$ 1 trilhão — ou pelo menos muito próximos disso. Atualmente, há apenas 11 empresas no índice S&P 500 com capitalização de mercado superior a US$ 1 trilhão.

“Nunca me perguntaram tanto sobre um IPO quanto sobre a SpaceX, tanto por parte de nossos clientes de varejo quanto dos assessores”, disse Matt Stucky, gestor-chefe de portfólio de ações da Northwestern Mutual Wealth Management Co. “Isso é interessante, mas, ao mesmo tempo, também é um pouco preocupante do ponto de vista de gestão de risco.”

As ofertas chegam em um momento em que os investidores estão cada vez mais obcecados por inteligência artificial, tanto como catalisador para o mercado acionário quanto como fonte de risco. Os enormes volumes de capex prometidos por empresas como Alphabet Inc., Meta Platforms Inc., Amazon.com Inc. e Microsoft Corp. impulsionaram receitas e preços de ações em diversos setores aparentemente não relacionados, de semicondutores a fornecedores de energia e empresas de construção.

SpaceX, Anthropic e OpenAI já são vistas como líderes nesse campo e devem consolidar ainda mais esse status nos próximos anos. Mas isso não significa que comprar as ações logo após o IPO seja a melhor forma de os investidores se posicionarem nesses papéis.

“Você não precisava ter comprado o IPO de Google e Facebook para ganhar dinheiro com essas ações no longo prazo”, disse Stucky. “Só porque você não comprou no primeiro dia, isso não significa que não possa ser um bom investimento se você comprar seis meses ou um ano depois.”

IPOs de tecnologia megacap têm histórico misto

A corrida de grandes IPOs em rápida sucessão lembra a era da bolha da internet no fim dos anos 1990. Naquela época, empresas de destaque como VA Linux Systems, Ask Jeeves e Webvan correram para acessar o mercado público, enquanto os investidores compravam qualquer coisa ligada à internet.

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Depois, à medida que muitos de seus acordos de lock-up expiraram e insiders começaram a vender, a enxurrada de novas ações alterou a dinâmica de oferta e demanda do mercado, segundo a TS Lombard.

A preocupação é que possamos ver uma repetição daquele período de boom e colapso.

“Quando os lock-ups terminarem e as comportas se abrirem para que funcionários e investidores de venture capital realizem riqueza significativa, a pressão marginal de venda pode desestabilizar um cenário que já é frágil”, disse Gokhman. “Antes disso acontecer, porém, podemos ver o tipo de disparada acelerada que frequentemente antecede grandes correções.”

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Veja como três grandes IPOs de tecnologia se comportaram no primeiro ano de negociação, em comparação com o desempenho de longo prazo.

Meta

A Meta, conhecida como Facebook quando estreou em 2012, teve um primeiro dia de negociação difícil e um primeiro ano desafiador. O IPO foi precificado a US$ 38 por ação e abriu perto de US$ 42, mas rapidamente perdeu esse ganho e fechou praticamente estável — algo incomum, já que esse tipo de oferta normalmente é precificado para que as ações subam. Em seguida, nos 12 meses seguintes, o papel caiu mais de 30% — antes de decolar. Hoje, a ação acumula alta de mais de 1.400% em relação ao preço do IPO.

Tesla

A fabricante de veículos elétricos de Elon Musk é um bom exemplo de ação que passou por negociações extremamente voláteis após seu IPO. Os papéis da Tesla Inc. andaram de lado por alguns meses após a estreia, em junho de 2010, depois subiram em novembro e dezembro, antes de voltarem a cair.

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Embora estivessem em alta de 18% após 12 meses, ainda assim apresentavam desempenho inferior ao do S&P 500 e eram negociados bem abaixo da máxima histórica registrada até então. Naturalmente, o preço das ações da Tesla continuou altamente volátil, mas isso não a impediu de registrar ganhos extraordinários — os papéis dispararam mais de 25.000% desde o IPO.

CoreWeave

As ações da CoreWeave subiram mais de 150% desde seu IPO, em março de 2025, mas o caminho até aqui esteve longe de ser suave. Primeiro, a oferta da provedora de serviços de computação em nuvem precisou ser reduzida antes da listagem, forçando a fornecedora e investidora Nvidia a entrar como âncora da operação.

O CEO da CoreWeave, Michael Intrator, disse que o negócio não teria sido concluído sem esse apoio. Depois, a ação abriu abaixo do preço de IPO, de US$ 40, em sua estreia na bolsa — e fechou naquele mesmo nível naquela tarde.

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Em seguida, a trajetória ganhou força e os papéis dispararam mais de 400%, alcançando uma máxima recorde em junho de 2025. Mas, no verão passado, devolveram metade desse ganho e, desde então, a negociação tem sido marcada basicamente por fortes altos e baixos. A ação ainda está 44% abaixo de seu pico.

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