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Qual é a próxima Terra (LUNA)? Como escapar de um colapso de criptomoeda, segundo especialista

Para gestor da BLP Crypto, compra de Bitcoin pelo criador foi grande sinal de alerta de que projeto era frágil demais

Por  Paulo Alves -

O colapso do projeto Terra (LUNA), apontado como um dos responsáveis pelo agravamento da queda das criptomoedas nas últimas semanas, já parece ter deixado o pior para trás, mas os reflexos ficaram. Apesar de alertas de alguns especialistas, o fim do projeto pegou muitos analistas de surpresa.

No centro do caso esteve um aplicativo de finanças descentralizadas (DeFi) que prometia juros de 20% anuais em dólar, o suficiente para atrair bilhões de dólares em capital investido e catapultar o preço da Luna, que chegou a valer US$ 120 em abril – hoje, a moeda vale menos de um centavo.

Agora, dados apontam para uma queda brusca no uso de aplicativos DeFi, que lidam com criptos altamente especulativas, em aparente sinal de que o medo instalado pela crise no projeto ainda deixa investidores receosos de que algo parecido possa acontecer de novo.

Será que é possível continuar investindo em criptomoedas e, ao mesmo tempo, se prevenir contra ciladas do tipo?

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“A primeira coisa que precisa ser monitorada é se o projeto para de pé do ponto de vista de receita e despesa. Todo projeto que gasta mais do que arrecada é insustentável, e no caso da Terra (Luna) a uma história um pouco mais complicada”, contou Alexandre Vasarhelyi, sócio e gestor de portfólio da BLP Crypto, em participação ontem no Cripto+ (assista na íntegra no player acima).

Segundo o especialista, o modelo complexo de estruturação de Luna e UST, que se retroalimentavam, dependia de entrada constante de capital para equilibrar o sistema, que era propenso a reagir negativamente no menor sinal de estresse.

“O problema desse equilíbrio é que ele é muito instável. Quando está entrando dinheiro é uma maravilha. Mas quando começa a sair você acelera a a saída dos melhores investidores, porque [o sistema] pode entrar em “espiral da morte“, que foi que aconteceu no caso do Luna”, explicou.

Para o gestor de criptomoedas, o projeto Terra (Luna) era promissor até que o criador, o sul-coreano Do Kwon, decidiu comprar Bitcoin (BTC) para lastrear a stablecoin UST. “Quando uma stablecoin resolve comprar Bitcoin como lastro, não faz o menor sentido. O Bitcoin tem uma volatilidade gigantesca. Ali foi uma grande dica”.

A grande questão era que o sucesso da iniciativa dependia da direção que o Bitcoin tomaria a partir dali, já que a quantia de BTC comprada era bem menor que o valor de mercado da UST – o preço da moeda digital, portanto, precisaria disparar para o plano dar certo.

“Dólar+20 sem risco não tem. Se tem muito retorno, tem muito risco, necessariamente. É uma lição que custou caro para quem estava lá dentro – e tinha muita gente boa, não foi simples”, aponta o sócio da BLP, para quem as stablecoins algorítmicas parecem ainda mais perigosas a partir de agora.

“Das stablecoins algorítmicas nós gostamos da DAI, que é supercolateralizada. Terra (Luna) foi a melhor tentativa até hoje [de criar uma stablecoin puramente algorítmica]. Se o melhor cavalo tropeçou, eu não iria para outro por enquanto”.

Nesse sentido, a Terra 2.0, nova versão da blockchain lançada no sábado e que disparou de preço hoje após listagem na Binance, também seria perigosa mesmo não tendo mais uma stablecoin. “Qual a credibilidade que o líder do projeto tem? Ele comprou Bitcoin e colocou em uma carteira que ele controlava. Eu não daria essa carta branca para alguém”, opinou o especialista.

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