Produção de roupas não acompanha consumo; preços podem subir

Quando a indústria nacional não consegue suprir as necessidades, é preciso recorrer à internacional. Contudo, importar está mais caro

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SÃO PAULO – Em breve, ficará mais difícil encontrar roupas nos comércios. A previsão é da Abeim (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), que reúne grandes redes do setor, como Renner, Riachuelo e C&A, ao apontar que com crédito facilitado e a cultura do crediário cada vez mais presente na vida do brasileiro, as compras crescem em um nível acima da oferta da indústria.

Dados da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) traduzem em números a afirmação. Conforme a associação, o consumo per capita de artigos de vestuário cresceu 9,2% no Brasil no ano passado. A produção nacional por habitante, no mesmo ano, foi elevada em 1,1%.

Custo da importação

Com esse resultado, parte da demanda interna foi suprida pelas importações, que cresceram 33% em volume e 41% em valor. Ocorre que após algumas medidas tomadas pelo governo, importar tornou-se algo mais oneroso às empresas – oneração essa que chega ao bolso do consumidor final. Desde o final de setembro, a TEC (tarifa externa comum) sobre confecções subiu de 20% para 35%, e de 18% para 26% para tecidos.

A medida foi tomada para proteger a indústria nacional: com o dólar enfraquecido frente ao Real, a entrada de mercadorias – principalmente chinesas – em solo brasileiro ficou mais facilitada.

Preço ao consumidor

“Algo de 10% a 12% das peças que são vendidas no mercado interno são compradas de outros países. Temos um déficit industrial muito grande principalmente de malhas, jaquetas e itens de poliéster”, explicou o presidente da Abeim, Sylvio Mandel.

Por conta dessa sobretaxa, o especialista prevê que haja um encarecimento de 8% a 10% nas peças da próxima coleção outono/inverno. “Quando o governo implantou a nova TEC os estoques já estavam comprados, por isso ainda não sentimentos um aumento no preço”, afirmou.

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Cliente x empresa

Ou a empresa é prejudicada pela invasão de produtos importados e o consumidor compra cada vez mais – e por menos – produção internacional, ou o cliente final é onerado pela “barreira de impostos” criada pela alfândega brasileira. Em 2006, o setor têxtil sentiu fortemente os efeitos das assimetrias concorrenciais, decorrentes da sobrevalorização do Real, explicou a Abit.

Indícios de irregularidades em importações de têxteis e de confecção, como subfaturamento, também prejudicaram a indústria brasileira. Em janeiro de 2006, por exemplo, o preço médio do quilo de vestuário comprado pelo País era de US$ 8,79, valor muito aquém do que pagam argentinos e americanos (em torno de US$ 17).

Dessa forma, a entidade entendeu como benéfica as medidas tomadas no comércio exterior brasileiro: o preço médio do quilo do vestuário importado já subiu; em julho de 2007 foi de US$ 15,84, bem próximo dos valores internacionais.