PRIO (PRIO3), 3R Petroleum (RRRP3), Enauta (ENAT3) e mais: o que esperar dos balanços em meio à turbulência recente no setor

Queda do petróleo e problemas operacionais devem impactar resultados, enquanto analistas ficarão de olho nas teles do setor após os anúncios do governo

Vitor Azevedo

Poços de petróleo em Talf, na Califórnia (Carolyn Cole/Getty Images)

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A Enauta (ENAT3) e a PRIO (PRIO3) divulgam seus balanços nesta quarta-feira (1), sendo as primeiras “petroleiras juniors” a publicarem seus resultados do quarto trimestre de 2022. Isso em um contexto bastante turbulento para as companhias do setor, após o anúncio no final da sessão da véspera (28) pelo governo de um imposto de exportação de 9,2% para o petróleo bruto, fazendo com que as ações do setor despencassem desde então. 

Olhando para os balanços, de forma geral, analistas aguardam que as companhias tragam resultados um pouco mais fracos, por conta do recuo do petróleo, e a maioria ainda deve trazer impactos de problemas operacionais.

A 3R Petroleum (RRRP3) divulga no dia oito de março, e a PetroRecôncavo (RECV3), no dia 22.

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“Os preços do petróleo caíram durante o quarto trimestre. O petróleo tipo Brent teve média de preço de US$89 no período, contra US$ 101 no terceiro, queda de 12%. Apesar disso, permanecem, historicamente, em patamares elevados e devem permitir mais um trimestre de bons resultados para as empresas do setor, na nossa visão”, dizem os analistas da XP Investimentos Fernando Ferreira, Jennie Li e Rebecca Nossig.

A commodity sofreu de outubro a dezembro com novos lockdowns na China, em meio à política de Covid Zero, bem como com o crescimento da perspectiva de que os Estados Unidos enfrentarão uma recessão, por conta das taxas de juros mais altas.

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“Não é um ótimo trimestre para o setor de exploração e produção. Os preços do petróleo caíram 10% na base trimestral, o que ajuda a explicar por que estimamos uma queda trimestral do Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês] para todas as empresas que cobrimos”, destaca a equipe de analistas do BTG Pactual, chefiada por Pedro Soares. “Mas também acreditamos que os números do quarto trimestre dizem mais sobre o passado do que sobre o futuro e reiteramos nossa posição positiva este ano no setor, que ainda oferece uma dinâmica de lucros decentes e crescimento de receita devido à maior produção de petróleo”.

Com o recuo do preço do barril, os destaques no quarto trimestre ficarão, de acordo com os analistas, para as operações de cada companhia

Carrego de estoque, produção menor e mais

Os analistas pontuam que algumas delas trarão algumas anormalidades operacionais.

No caso da PRIO, por exemplo, tanto o Credit Suisse quanto o BTG chamam atenção para o fato de que a companhia, durante o quarto trimestre, optou por armazenar parte da sua produção e, por isso, vendeu menos barris.

“Esperamos um declínio sequencial significativo no Ebitda (consenso de US$ 126 milhões, queda de 57% na base trimestral) devido a uma combinação de vendas mais baixas (queda de 40%) e preços realizados mais baixos (queda de 15%). Mas isso não preocupa. De fato, em uma nota positiva, a produção da PRIO aumentou sequencialmente. Além disso, os barris produzidos mas não vendidos serão transportados para o próximo trimestre, impulsionando os resultados”, diz o banco suíço. “Os resultados serão piores trimestre a trimestre, mas não teríamos uma reação exagerada, pois isso refletirá principalmente a decisão de vender menos petróleo no trimestre e armazenar a produção até que as taxas de frete se normalizem”, complementa a instituição brasileira.

No começo de janeiro, a PRIO divulgou que produziu 47,6 mil barris de petróleo ou equivalentes (beopd) nos últimos três meses do ano e vendeu 2,29 milhões de barris no mesmo período.

O consenso Refinitiv espera que a companhia trará uma receita de R$ 1,5 bilhão, um Ebitda de R$ 796,1 milhões e um lucro líquido de R$ 516,6 milhões.

Para a 3R Petroleum, a expectativa é de uma queda da produção na base trimestral. A empresa enfrentou, durante o período que vai de outubro a dezembro, uma série de adversidades, como a drenagem de um duto e intervenções em poços nos polos de Macau e Recôncavo, o que impactou sua produção.

Nem mesmo a entrada em operação do Papa Terra em meados do último mês do ano, que levou a companhia a uma produção recorde em dezembro, deve mudar o resultado final.

Em outubro, a produção da 3R Petroleum foi de 14,2 mil barris por dia (recuando 17% contra setembro). Em novembro, de 13,1 mil barris. Em dezembro, de 25,3 mil barris.

O consenso Refinitiv vê a receita da petroleira vindo em R$ 488,2 milhões, o Ebitda em R$ 189,7 milhões e o lucro líquido em R$ 60,4 milhões.

A PetroRecôncavo, por outro lado, deve ter sua produção aumentando trimestralmente, com destaque para o campo de Riacho da Forquilha, mas deve gastar mais com o chamado midstream (armazenamento, transporte e comercialização).

“Os preços menores do petróleo e os custos mais altos de processamento de gás nos últimos meses mais do que compensam o sólido desempenho operacional. Vemos custos de extração em US$ 12 por boe, contra US$ 11,6 no terceiro trimestre, ou US$ 26 por boe incluindo custos de processamento de gás”, comenta o BTG.

A companhia bateu uma série de recordes de produção no quarto trimestre. Em outubro, chegou a 22,6 mil boe por dia, em novembro, 23,1 mil e em dezembro, 23,4 mil. Com isso, a media no período foi de 23,07 mil barris ou equivalentes por dia, alta de 4,7% na base trimestral.

O consenso Refinitiv aponta que a receita deve vir em R$ 801,9 millhões, o Ebitda em R$ 410,5 milhões e o lucro líquido em R$ 325,9 milhões.

A Enauta, para o Morgan Stanley, é a única que deve ser uma exceção frente às demais juniores quando o assunto é melhor resultado trimestral. Em grande parte, contudo, isso se dá por uma base de comparação mais fraca: o campo de Atlanta voltou a funcionar parcialmente no quarto trimestre, após, em agosto, a companhia encontrar problemas no mangote da unidade, sua principal, o que levou a uma manutenção.

Em outubro, a produção da Enauta foi de 20,3 mil barris por dia, ante 10,4 mil em setembro. Em novembro, o número foi de 17,8 mil barris e em dezembro, de 18 mil.

O consenso Refinitiv espera uma receita líquida de R$ 683,1 milhões, um Ebitda de R$ 421,2 milhões e um lucro líquido de R$ 189,3 milhões.

Os investidores também devem ficar atentos às teleconferências de balanços após os resultados, principalmente para entender a atuação dessas companhias após os anúncios feitos na véspera pelo governo e os impactos da notícia de que o Ministério de Minas e Energia solicitou a suspensão das alienações de ativos da Petrobras (PETR4) por 90 dias.

Sobre o imposto, na avaliação da XP, a expectativa é de que as empresas de petróleo e gás no Brasil façam uma corrida para armazenagem, pois tentarão adiar ao máximo as exportações, esperando que esses impostos não se tornem permanentes (o que pode frustrar as expectativas do governo em relação às receitas).

Os analistas da casa esperam uma reação feroz das empresas de petróleo e gás nos próximos quatro meses (data de duração da Medida Provisória) contra esta proposta, nos debates que irão ocorrer no congresso.

“Acreditamos que o argumento de menos investimento em E&P [Exploração e Produção] pode pesar na decisão”, avalia.