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SÃO PAULO – China como maior economia do mundo e economias emergentes ultrapassando as desenvolvidas na década de 2020, novas forças ditando o crescimento e uma nova configuração da economia mundial. Mais do que projeções, as afirmações fazem parte do resultado de um estudo da PricewaterhouseCoopers sobre a mudança do poderio econômico no mundo.
Convergência, captura e ultrapassagem
Divulgado nesta quinta-feira (21), o relatório usa o modelo de crescimento econômico de longo prazo para estimar que o PIB (Produto Interno Bruto) ajustado pelo poder paridade compra (PPP) das sete economias desenvolvidas do mundo que compõem o G7 será ultrapassado pelo grupo de sete emergentes (E7), conforme mostra a tabela abaixo.
Enquanto em 2000 o PIB do G7 era mais que o dobro do registrado pelo E7, um rápido processo de convergência, acelerado pela crise, resultou em que a relação caísse para 60% maior em 2007, e deva ficar apenas 35% acima em 2010. O processo deve continuar na próxima década, com a ultrapassagem completa ocorrendo entre 2020 e 2030, ano em que o PIB do E7 deve superar em 10% o dos países do G7.
“O principal fator por trás do crescimento desses países é a rápida expansão da China”, afirma o estudo, completando que o país deve superar os Estados Unidos próximo de 2020, e em 2030 já será claramente a maior economia do mundo, encerrando um século de hegemonia norte-americana.
Mudança na configuração
O estudo mostra dados de 2000 e projeções de 2010, 2020 e 2030, para mostrar que as quatro maiores economias (EUA, União Europeia, China e Índia) continuarão respondendo por cerca de 60% do PIB mundial, mas com mudanças significativas: os EUA passarão de 23% de contribuição em 2000 para 16% em 2030, enquanto no mesmo período a China subirá de 7% para 19% do PIB mundial.
| Projeção para 2030 | |
| Posição | País |
| 1º | China |
| 2º | EUA |
| 3º | Índia |
| 4º | Japão |
| 5º | Brasil |
| 6º | Rússia |
| 7º | Alemanha |
| 8º | México |
| 9º | França |
| 10º | Reino Unido |
Já a União Europeia, que liderava com um quarto de paticipação na atividade econômica do mundo em 2000, perderá espaço e chegará a 15% em 2030, segundo revela o estudo.
A Índia, que apesar de se manter na quarta posição nas projeções, com crescimento de 2 ponto percentual a cada década, atingindo 9% em 2030, deve ser a 3ª maior economia do mundo – contando países, e não a UE enquanto bloco – com crescimento maior que o chinês a partir de 2020. Para os analistas, isso se deve a uma população mais jovem e com crescimento populacional maior que do gigante asiático.
Outra conclusão do estudo é que os fatores de crescimento devem mudar. “Embora a China se mantenha como força exportadora, o aumento dos salários reais fará crescer a importância do mercado doméstico”, afirmam os analistas. Na Índia, o mercado de consumo também deve se tornar mais atrativo.
Com projeções de melhora para outros países emergentes, o estudo vê uma nova configuração da economia mundial em 2030, com a China sendo a maior potência, e o Brasil aparecendo na quinta posição, conforme a tabela.
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“Não é apenas sobre PIB”
O chefe do setor de macroeconomia da Price, John Hawksworth, lembrou ainda que essa mudança na economia global não se reflete apenas no PIB, citando o maior poder do G-20 em fóruns globais de decisão.
As Olimpíadas da China, que serão seguidas pelos dois principais eventos do calendário do esporte mundial sediados no Brasil, a Rússia como superpotência de energia e o potencial demográfico da Índia de superar a China como taxa de crescimento mais acelerada nos próximos dez anos são outros sinais, fora a expansão econômica, que demonstram essas mudanças.
“Como a última década mostrou com clareza, o mundo vai parecer muito diferente na metade do próximo século do que como ele começou”, completa Hawksworth.